quarta-feira, agosto 25, 2010

J.F. nº 3340, última página

Digitalizei o artigo que apresento na imagem da última página do Jornal do Fundão nº 3340, da semana passada. Creio que foi escrito por Romão Vieira, que costuma cobrir para este jornal a actualidade da Covilhã.

O facto de o J.F. publicar expressões como "mamarracho" acerca de uma certa jóia da coroa deste turismo que é o que temos na nossa região (e mais ainda, o facto de ter sido o próprio Romão Vieira a escrevê-las) é uma grande surpresa. Uma grande e agradável surpresa!

Aqui no Cântaro Zangado, já várias vezes nos referimos a este e a outros mamarrachos, sobre os quais consideramos que o melhor era demoli-los e remover o entulho. Para ler o que escrevemos, introduza "mamarracho" na caixinha de pesquisa existente no canto superior esquerdo do blog.

sexta-feira, agosto 20, 2010

Petição pela Rola Brava

Um grupo de pessoas que se identificam como caçadores lançou uma petição pública a dirigir aos órgãos que tutelam a caça (Autoridade Florestal Nacional, Ministério da Agricultura e Pescas, Ministério do Ambiente e Ministério da Administração Interna) sugerindo, entre outras medidas, que se interdite temporariamente a caça à Rola Brava por espaço de 4 a 5 anos, para que a população desta espécie cinegética, que aparentemente se encontra em forte regressão, possa recuperar.

Confesso que não sei nada sobre a rola brava, se está ou não em vias de extinção. Li há dias uma notícia sobre os protestos de ambientalistas relativamente ao que consideravam erros na definição da época da caça, que incluíam uma referência especial a esta espécie. Mas esta petição recorda-me uma passagem de um livro que li há algum tempo. É um exemplo de cuidados revelados pelos principais interessados numa dada actividade, para que ela se possa continuar a praticar pelas gerações vindouras. É o tipo de preocupações que considero falta a muita gente, infelizmente.

Eu, que me considero ambientalista e não sou caçador, tiro o chapéu a estes caçadores, que macacos me mordam se não são também, tanto ou mais do que eu, ambientalistas. Já assinei a petição.

domingo, agosto 15, 2010

O desenvolvimento do turismo

Durante as férias, ouvi referências a estudos de viabilidade para a construção de um teleférico entre Unhais da Serra e as Penhas da Saúde. Li também, no Máfia da Cova, que Carlos Pinto (presidente da Câmara da Covilhã) pretende que o estado desbloqueie quatro milhões de euros para conclusão do projecto da estrada entre Unhais da Serra e a Nave de Santo António.

Eu entendo que Unhais da Serra, como Loriga, Alvoco da Serra, Manteigas, Linhares, e mais um longo etc, são povoações com paisagens e ambientes maravilhosos, muito, mas muito mais atractivos turisticamente do que a Torre, para onde convergem as grandes enchentes de visitantes efémeros que nos atascam as estradas nalguns fins de semana de Inverno, enchentes (e atascanços) que continuamos a confundir com turismo. Estranho, quando chego a qualquer destas localidades (e das outras que englobei no "longo etc"), no Verão, não ver turistas como os que se vêm em qualquer localidade de montanha da Europa: caminheiros, montanhistas, escaladores, pessoas a cavalo ou de bicicleta, com mochilas às costas, ou em canoas. Pessoas constantemente a entrarem e a sairem destas terras, por estradas, por trilhos, por rios. A pernoitarem em pensões e em parques de campismo. A encherem os restaurantes às horas das refeições. A comerem gelados e a beber refrescos durantes as tardes. Nada disso se vê por aqui. O que vai valendo são os emigrantes que vêm de férias.

Porque considero que o que falta na serra da Estrela, em termos turísticos, é turismo de montanha como o que se pode encontrar nas outras montanhas da Europa, acho que o que faz falta para o desenvolver na serra da Estrela é tudo aquilo que o alimenta nas outras montanhas da Europa: trilhos pedestres; vias de escalada; alugueres de BTT, de canoas, de cavalos; guias pessoais para caminhada, escalada, interpretação da natureza; documentação (mapas, informação/divulgação sobre locais, trilhos e vias, contactos empresariais) acessível, disponível em supermercados, mercearias e cafés; parques de campismo; múltiplas empresas locais com liberdade de acção, não sujeitas a restrições decorrentes da concessão exclusiva.

Mais estradas (ainda mais, caramba?!), teleféricos, casinos, centros de estágio em altitude, funiculares, e isso tudo? Creio que, para o turismo, não fazem falta nenhuma. Creio até que só prejudicam, ainda mais, as potencialidades da mais alta montanha de Portugal continental para o turismo de montanha. E que outro turismo poderemos pensar em desenvolver na serra da Estrela?

Adenda posterior: sobre as vantagens de mais uma estrada de asfalto pela serra acima, talvez fosse bom perguntar-se às gentes de Loriga o que conseguiram com a sua estrada Portela do Arão - Lagoa Comprida (a terceira ligação asfaltada ao alto da serra do concelho de Seia, diga-se de passagem), quase quatro anos depois da sua inauguração...
Algarvear a Serra da Estrela? Não, obrigado!