Durante as férias, ouvi referências a estudos de viabilidade para a construção de um teleférico entre Unhais da Serra e as Penhas da Saúde. Li também, no Máfia da Cova, que Carlos Pinto (presidente da Câmara da Covilhã) pretende que o estado desbloqueie quatro milhões de euros para conclusão do projecto da estrada entre Unhais da Serra e a Nave de Santo António.
Eu entendo que Unhais da Serra, como Loriga, Alvoco da Serra, Manteigas, Linhares, e mais um longo etc, são povoações com paisagens e ambientes maravilhosos, muito, mas muito mais atractivos turisticamente do que a Torre, para onde convergem as grandes enchentes de visitantes efémeros que nos atascam as estradas nalguns fins de semana de Inverno, enchentes (e atascanços) que continuamos a confundir com turismo. Estranho, quando chego a qualquer destas localidades (e das outras que englobei no "longo etc"), no Verão, não ver turistas como os que se vêm em qualquer localidade de montanha da Europa: caminheiros, montanhistas, escaladores, pessoas a cavalo ou de bicicleta, com mochilas às costas, ou em canoas. Pessoas constantemente a entrarem e a sairem destas terras, por estradas, por trilhos, por rios. A pernoitarem em pensões e em parques de campismo. A encherem os restaurantes às horas das refeições. A comerem gelados e a beber refrescos durantes as tardes. Nada disso se vê por aqui. O que vai valendo são os emigrantes que vêm de férias.
Porque considero que o que falta na serra da Estrela, em termos turísticos, é turismo de montanha como o que se pode encontrar nas outras montanhas da Europa, acho que o que faz falta para o desenvolver na serra da Estrela é tudo aquilo que o alimenta nas outras montanhas da Europa: trilhos pedestres; vias de escalada; alugueres de BTT, de canoas, de cavalos; guias pessoais para caminhada, escalada, interpretação da natureza; documentação (mapas, informação/divulgação sobre locais, trilhos e vias, contactos empresariais) acessível, disponível em supermercados, mercearias e cafés; parques de campismo; múltiplas empresas locais com liberdade de acção, não sujeitas a restrições decorrentes da concessão exclusiva.
Mais estradas (ainda mais, caramba?!), teleféricos, casinos, centros de estágio em altitude, funiculares, e isso tudo? Creio que, para o turismo, não fazem falta nenhuma. Creio até que só prejudicam, ainda mais, as potencialidades da mais alta montanha de Portugal continental para o turismo de montanha. E que outro turismo poderemos pensar em desenvolver na serra da Estrela?