quarta-feira, abril 29, 2009

Ou não consideramos necessária uma RAN?

O Governo aprovou recentemente um Decreto-Lei que altera o regime da Reserva Agrícola Nacional. Na prática, facilita a utilização de terrenos classificados como reserva agrícola para outros fins que não os agrícolas. Diversos ambientalistas, incluindo a associação Quercus, lançaram uma petição à Assembleia da República com o objectivo de introduzir no diploma alterações que "garantam a conciliação do mesmo com os objectivos de preservação dos solos mais aptos para a actividade agrícola que nele estão identificados".

Encontra mais informação sobre este assunto no blogue ambio (aproveito para recomendar entusiasticamente a sua leitura regular) e no site da Quercus. Pode assinar a petição aqui.

sexta-feira, abril 24, 2009

Mais abelharucos

Hoje tive mais sorte com os abelharucos. O céu estava mais escuro, a luz mais quente e eu tive um pouco mais de tempo:

terça-feira, abril 21, 2009

O mês dos abelharucos

Abelharucos (Merops apiaster), fotografados ontem segunda feira, na Covilhã

Tenho notado nos últimos três ou quatro anos a chegada desta família de abelharucos à Covilhã, durante o mês de Abril. No ano passado cheguei a contar cinco, este ano ainda só vi estes dois.

Pois que sejam muito bem vindos, e que tenham por cá uma óptima estadia, antes de regressarem a África para o Inverno!

Adenda: hoje (Terça-Feira 21 de Abril) de manhã contei quatro abelharucos neste mesmo grupo.

quinta-feira, abril 16, 2009

Do sentir e do pensar

O que ouviu os meus versos disse-me: Que tem isso de novo?
Todos sabem que uma flor é uma flor e uma árvore é uma árvore.
Mas eu respondi, nem todos, ninguém.
Porque todos amam as flores por serem belas, e eu sou diferente.
E todos amam as árvores por serem verdes e darem sombra, mas eu não.
Eu amo as flores por serem flores, directamente.
Eu amo as árvores por serem árvores, sem o meu pensamento.
Poemas Inconjuntos (Alberto Caeiro)

O ilustre heterónimo que me perdoe, mas eu amo as árvores por serem árvores, com o meu pensamento, e acho que o meu deleite com as árvores é maior por nele estar incluído o pensamento.

Uma paisagem na serra não é só o que os olhos vêm, o que o nariz cheira, o que os ouvidos ouvem e o que a pele sente. Uma paisagem na serra (ou noutro local qualquer) é também as memórias que ela invoca, a interpretação que dela fazemos, as reflexões que ela motiva. E quanto mais soubermos, quanto maior for a nossa bagagem de memórias e de conhecimentos, mais rica é a experiência.

Para uns, um piar gargalhado e estridente na floresta é apenas mais um piar da passarada; para outros, trata-se de um pica-pau-malhado na época do acasalamento. Para uns, uma mancha verde acizentada numa pedra é só mais um líquene como há tantos; para outros é um Rhizocarpum geographicum com 8000 anos de vida (ver Bloco de notas do CISE nº 17 ou uma referência que lhe fiz aqui).

Alberto, desculpa lá, pá. O rio da tua aldeia pode ser mais belo que o Tejo, mas não o é por ser apenas o rio da tua aldeia e por não fazer pensar em nada. É porque os fantasmas que acorda em ti, no teu pensamento, nas tuas memórias, são mais belos que os que te aparecem face ao Tejo. Não há sentir sem pensar.

quarta-feira, abril 15, 2009

Quase que tinha sido melhor...

Já quase acho que teria sido melhor não se terem desmontado e removido as estruturas do velho teleférico sobre a Nave de Santo António, a que me referi há pouco. É que, enquanto aquela pouca vergonha esteve à vista, ninguém se atreveu a sugerir a construção de um novo teleférico. Mas bastou ter-se removido o entulho, para logo aparecerem os de sempre a projectar mais entulho, e do mesmo ainda por cima! E o estado cá está para pagar estes importantes, indispensáveis e bem estudados empreendimentos, e cá continua para pagar a limpeza dos fracassos.

Estamos no rumo certo, no rumo de sempre. Estamos de parabéns!

Pensar, debater e planear com pés e cabeça

Leio no blog de José Sá Fernandes que está em preparação a Nova Carta Estratégica de Lisboa, um documento que "será um refrencial estratégico para o desenvolvimento da cidade e para a concretização de projectos estruturantes, até 2024". Diz José Sá Fernandes que "Lisboa precisa de ser pensada, debatida e planeada «com pés e cabeça». Não deve andar à deriva e ao sabor de sound bytes ou impulsos de ocasião".

E na serra da Estrela? Quando ultrapassaremos o andar à deriva, ao sabor de sound bytes e de impulsos de ocasião?

Exemplos de que andamos à deriva, ao sabor de sound bytes e de impulsos de ocasião, de que não planeamos "com pés e cabeça" e de que não debatemos (nem bem, nem mal: não há debate, pura e simplesmente)? Cá vão uns poucos:

  • A instalação de uma base da Força Aérea na Torre nos anos sessenta. Que profundidade tiveram os estudos que justificaram a indispensabilidade daquela estrutura? Note-se que ela funcionou apenas durante cerca de dez anos, tendo sido abandonada pelos militares no início dos anos setenta.
  • Um modelo de gestão do turismo baseado na figura da concessão exclusiva (a da Turistrela), decidido há mais de trinta anos (ainda no tempo de Marcello Caetano, entenda-se) e válida ainda por outros tantos, pelo menos. Quem o considera benéfico? Por que razões? Quais as suas vantagens e desvantagens? Alguma instituição faz avaliações do desempenho da concessionária?
  • A vergonhosamente malograda tentativa de construção de um teleférico, entre Piornos e Torre, nos anos setenta. Quem a decidiu, como base em que estudos, que reflexão ou debate houve para a justificar? Da qualidade desses estudos, reflexões e debates ficamos com uma ideia sabendo que a obra foi interrompida já quase no final (depois de todas as estruturas instaladas), ao que me disseram porque se verificou que a intensidade dos ventos sobre a Nave de Santo António tornava perigosa a exploração do teleférico. Durante trinta anos, os cabos, as estações e a torre de suporte central, no Espinhaço de Cão, "enfeitaram" a paisagem sobre a Nave de Santo António, até que no final dos anos noventa se removeu tudo, à excepção do grande mamarracho em ruínas que ainda domina a zona, nos Piornos.
  • Pois agora, poucos anos depois de se ter removido o entulho da anterior tentativa, o "sonho" do teleférico (agora dá-se-lhe o nome de telecabine) ressuscitou, tendo-se já "apalavrado" o indispensável financiamento público e tudo. Quem decidiu que o teleférico é benéfico? Que reflexões, estudos e debates é que, desta vez, foram feitos?
  • O projecto da "minicidade" das Penhas da Saúde com que a Câmara Municipal da Covilhã afirma que quer concorrer com os Pirinéus e os Alpes, baseia-se em quê? Que debate, que reflexão, que estudos, que projecções apoiam esse projecto?
  • Aquela espécie de "feira indoor" que é o centro comercial da Torre. Quem a decidiu, com base em que estudos, que papel tem numa visão estratégica do turismo da serra da Estrela? Que consenso a justifica e mantém?

Que andamos à deriva e ao sabor de sound bytes nota-se até quando damos sinais de que tentamos não o fazer. Há alguns anos, vários municípios da região encomendaram à Universidade da Beira Interior um programa sobre o turismo na serra da Estrela, a que se deu o nome de Programa Estratégico de Turismo da Serra da Estrela (desse programa ainda está acessível o blog criado para receber opiniões externas). Esse estudo realizou-se, apresentaram-se as conclusões em 2006 e, pura e simplesmente, foi engavetado. Entretanto, foi encomendado um novo estudo, desta vez a uma equipa da Universidade do Porto liderada por Daniel Bessa. Andar à deriva.

Andamos na serra da Estrela à deriva, ao sabor de sound bytes e de impulsos de ocasião (os voluntarismos e "optimismos" do que chamo as forças vivaças). Até quando?

segunda-feira, abril 13, 2009

A Estrela não é só neve?

Veja-se o cartaz ilustrado na fotografia em baixo, tirada em Encamp, Andorra, na semana passada. Vejam-se os inúmeros trilhos sinalizados e documentados, com chamarizes especiais onde se cruzam com as estradas asfaltadas. Veja-se a quantidade de empresas de turismo de natureza e desportivo que operam nos Pirinéus, não só em Andorra como também em Espanha e França (lá não se protegem, como se faz por cá, empresas particulares com concessões exclusivas válidas por décadas). Veja-se a divulgação que *todos* os segmentos do turismo recebem (esqui, sim, mas também pedestrianismo, escalada, parapente, passeios a cavalo, corridas em montanha, canyoning, canoagem, museus, golfe, TT, gastronomia, etc, etc, etc).

A Estrela não é só neve?! Os Pirinéus é que não são só neve! E neve, por lá, há-a mesmo!

Passei alguns dias em Andorra, nas férias de esqui que tento gozar todos os anos. Nunca vi tão pouca gente nas pistas como desta vez. Bem entendido, era muita gente, ainda assim. Mas praticamente não tive que suportar as bichas nas telecadeiras e a confusão à hora de almoço que começavam a cansar-me ao ponto de me questionar sobre se realmente queria continuar a fazer férias de neve.

O responsável do hotel confirmou a minha impressão e disse que é por causa da crise. Não sei se será isso, creio que não há estudos sistemáticos que o verifiquem. Seja como for, é uma situação que talvez se deva seguir atentamente antes de investir muito dinheiro em melhorias da nossa estanciazinha.

Sobretudo se esse investimento incluir apoios públicos.

sexta-feira, abril 03, 2009

Cursos de Ecoturismo

A LPN — Liga para a Protecção da Natureza e o ICNB — Instituto da Conservação da Natureza e da Biodiversidade organizam cursos sobre ecoturismo. O primeiro (sobre "Enquadramento, legislação, exemplos nacionais e estrangeiros") já foi, mas seguem-se o segundo ("Sustentabilidade e boas práticas" a 18 e 19 de Abril) e o terceiro ("Planeamento e produtos de ecoturismo", a 16 e 17 de Maio).

Mais detalhes, incluindo informações para inscrição, aqui.

quinta-feira, abril 02, 2009

Criar Bosques

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Imagem roubada do site do projecto.

A Quercus lançou um programa de reflorestação com espécies autóctones em colaboração com o ICNB — Instituto de Conservação da Natureza e da Biodiversidade, a AFN — Autoridade Florestal Nacional, a APA — Agência Portuguesa do Ambiente e o CNE — Corpo Nacional de Escutas e contando com o apoio da Comissão Nacional da Unesco e com o alto patrocício do Presidente da República.

O nome do projecto é Criar Bosques e já foram plantadas 50 000 plantas! Toda a informação no site do projecto.

Soube disto pelo blog A sombra verde.
Algarvear a Serra da Estrela? Não, obrigado!