terça-feira, julho 22, 2008
O que custa mudar o hábito...Pensar
sábado, julho 19, 2008
sábado, julho 12, 2008
Obras e (sub-)desenvolvimento
Na verdade, pode contestar-se a ideia de que a simples existência de investimentos públicos na construção de infra-estruturas é importante para a economia. Para muitos isso era verdade há 30 ou 20 anos, mas já não é hoje.
Creio que é o mito de que tudo o que é investimento público em infra-estruturas é bom para a economia que justifica o entusiasmo revelado por muitos actores locais na abertura, asfaltação ou alargamento de estradas no interior da Serra. Como já expliquei muitas vezes aqui no Cântaro Zangado, quanto a mim esses investimentos não são bons para a economia local, e são até prejudiciais. Não me parece que seja bom para Manteigas que se chegue tão facilmente de carro ao Poço do Inferno, por exemplo. (Refiro este exemplo de Manteigas porque foi o primeiro que me veio à mente. Situações semelhantes ocorrem nos outros concelhos da região). Se os visitantes não tivessem essa possibilidade, mais facilmente pagariam para fazer essa visita a cavalo, de bicicleta ou a pé. Mais tempo permaneceriam no concelho. Mais frequentemente seriam levados a almoçar, jantar ou pernoitar em Manteigas. Poderá haver razões outras que justifiquem esse acesso e outros semelhantes noutros locais, noutros concelhos. Agora, quanto ao turismo, creio que eles só o prejudicam.
Capra pyrenaica em Portugal
Os traços a verde foram acrescentados por mim no computador. Há menos tempo, é claro.
terça-feira, julho 08, 2008
Ecoasfalt
As máquinas prontas a entrar em acção? Talvez. Seja como for, podemos estar descansados, que o respeito pelo ambiente está sempre no topo das preocupações das forças vivas que alavancam o nosso desenvolvimento. Como se vê pelo nome da empresa. Estamos no rumo certo, estamos de parabéns! (Fotografias tiradas perto do centro de limpeza de neve no Sábado passado, dia 5 de Julho.)
Ainda a propósito do anúncio sobre a concessão das estradas da Serra que referi no último post e da "beneficiação" planeada para o trajecto Seia - Torre - Sanatório, lembrei-me que ainda há dois anos (ou terá sido já no ano passado?) o segmento Seia - Torre foi objecto de grandes trabalhos. Deles resultaram mais parques de estacionamento, o alargamento do entroncamento do Coxaril (o da estrada que sobe de S. Romão) e ainda a criação do entroncamento com a estrada de S. Bento, um pouco acima da Lagoa Comprida. Diga-se de passagem, estes dois entroncamentos ficaram com um tamanho absolutamente injustificado.
Mas, pelos vistos, não foi suficiente. Nem nunca será. Não se ordena o caos que se instala em certos (poucos, felizmente) fins de semana de Inverno. Pode, quando muito, limitar-se esse caos, condicionando o acesso de viaturas particulares à Serra. Mas não é nesse sentido que se está a trabalhar quando se anunciam estas novas obras, pois não?
sexta-feira, julho 04, 2008
Mas quem é que terá encomendado isto?
O Diário XXI de hoje, dia 4 de Julho, dá o destaque principal de primeira página a uma notícia com o título "Concessão da Serra vai a concurso em 2009". Refere-se a notícia à concessão das estradas, não a do turismo e dos desportos, que por essa se têm sucedido as décadas, os regimes políticos, as correntes económicas, as modas, sem que ela se mova...
Mas voltemos à notícia. Pode lê-la na íntegra aqui. Destaco o seguinte excerto:
Melhorias entre Seia, Torre e Sanatório
O secretário de Estado adjunto das Obras Públicas, Paulo Campos, anunciou ontem o lançamento do concurso público para a beneficiação das estradas que atravessam a Serra da Estrela (338 e 339) entre Seia, Torre e antigo Sanatório, na Covilhã. O investimento previsto é de 6,3 milhões de euros ao longo de 41 quilómetros. A obra tem abertura de propostas a 20 de Agosto e os trabalhos devem começar em 2009, tendo um prazo de execução de 300 dias. A beneficiação da estrada prevê mais passeios, zonas de estacionamento e sinalização especial para não perturbar a limpeza da neve, rampas de segurança e outros aspectos. Junto à Lagoa Comprida será criado estacionamento de um quilómetro em cada lado da via.
Uma vez que os responsáveis do turismo na Serra da Estrela (Região de Turismo e Turistrela) já afirmaram que pretendem ver o trânsito na estrada da Torre muito condicionado, apresentando até essa como uma das principais razões para a necessidade da construção de um novo teleférico, suponho que não terão sido eles a encomendar estas "beneficiações". Ao fim e ao cabo, como poderiam eles justificar gastos de seis vírgula três milhões de euros numa estrada que, segundo afirmam, pretendem encerrar ao público? Aguardamos as suas tomadas de posição face a este anúncio. Mas, se não foram eles a encomendar isto, quem terá sido? E, já agora, podia, também eu, fazer uns pedidozitos? Era coisa pouca: reflorestação, reintrodução de algumas espécies já extintas, sinalização de trilhos, dinamização e apoios ao eco-turismo...
Mais comentários: porque razão entende o Ministério das Obras Públicas ser necessário um parque de estacionamento com um quilómetro de extensão em cada lado da estrada perto da Lagoa Comprida? Penso que o que aqui está em causa é, claramente, uma preocupação com os turistas. Ora na minha opinião (formada pela comparação do turismo que temos na serra da Estrela com o que existe em muitas outras montanhas da Europa, desde o Ben Nevis na Escócia à Sierra de Gredos aqui ao lado, passando nos Alpes, nos Pirineus ou no Gerês), turismo deste do chega com o carrinho, pára à beira da estrada, faz um piquenique ou escorrega na neve com um saco de plástico (conforme a estação) e vai-te embora para casa ao fim da tarde, turismo deste já temos que chegue e não me parece bem encorajá-lo ainda mais com esta beneficiação.
Além disso, acontece que a zona em questão está no interior de um parque natural que supostamente pretende, entre outras minudências, proteger a paisagem. Ninguém mais acha estranho que uma tal intervenção possa assim ser decidida e anunciada? O Ministério do Ambiente terá sido ouvido nisto? E o que terá ele a dizer?
terça-feira, julho 01, 2008
Surpresas
Fotografias de telemóvel rasca... Enfim, foi o que tinha à mão.
A mil e setecentos metros de altitude, no flanco oriental do Cântaro Gordo, sobre a Lagoa dos Cântaros, bem agarrado a uma parede rochosa quando em toda a volta se vêm os "ossos" das giestas e urzes que arderam no incêndio de 2005, um pequeno conjunto de carvalhos negrais!