quarta-feira, junho 25, 2008

Turismo - Uma Opinião Insular

Foi por mero acaso que me deparei com este texto do cronista Tomaz Dentinho do jornal online "A União", da ilha de Angra. Decidi transcrever a sua crónica do passado dia 22 de Junho por um lado pela pequena referência que faz à Serra da Estrela e por outro por abordar especificamente a questão do Turismo num local (os Açores) cuja subsistencia está intimamente ligada a esta actividade económica.
Este Cronista faz uma pequena análise critica sobre o que poderão ser as linhas estratégicas para o desenvolvimento do turismo nos Açores. Por agora limito-me a transcrever o seu texto:

"É isso mesmo que fomos assistindo na Serra da Estrela e nos Alpes, nos Himalaias e nas Montanhas Rochosas. Se não tivermos cuidado é isso que acontecerá em São Miguel e em outros locais bonitos dos Açores que facilmente se degradarão se não houver desígnio.
Há várias soluções para evitar a prostituição dos sítios.
A primeira dessas soluções é evitar qualquer contacto com o “mal” turístico, impedindo a construção de alojamentos e dificultando as acessibilidades aos pontos mais bonitos. Foi essa a fama com que ficou Mota Amaral quando não tomou grandes medidas para promover o turismo nas Ilhas dos Açores.
A segunda solução é concentrar o turismo de massas em determinados locais bem confinados e libertar os sítios mais bonitos para aqueles que têm capacidade para neles viverem, ou porque lá trabalham ou porque aí têm capacidade para comprar as poucas casas disponíveis e autorizadas. Foi essa solução que ouvi defender há uns anos num Congresso sobre Turismo por um espanhol. Turismo, para ele, era turismo de massas concentrado em determinados locais como Benidorm ou Torremolinos, para que o restante espaço não seja ocupado por betão e por estradas.
A terceira solução para evitar a prostituição dos sítios é deixar que as actividades de trabalho e lazer dos residentes sejam marginalmente partilhadas por visitantes. 15% de visitantes e 85% de residentes é o máximo de capacidade de carga para que não haja adulteração das actividades de trabalho e de lazer dos residentes, conforme nos reporta um grego que fez um estudo sobre diversas ilhas do Mar Egeu. É isso que se faz em Paris, em Londres, Nova Iorque e um pouco em Lisboa, onde os residentes pouco se importam com os turistas marginais que vão passeando entre o comércio e os monumentos.
Há ainda a possibilidade de assumirmos uma sociedade pendular a nível mais global, um pouco como havia por aqui, entre as Fajãs de São Jorge para passar o Inverno naquela ilha, e as Adegas do Pico para passar o Verão na ilha montanha.
A primeira solução não é defensável nos tempos que correm. Até porque quanto mais tentarmos proteger um local da invasão turística mais ele será procurado por esses novos bárbaros. Também porque, muitas vezes, a única forma de manter algumas pessoas e actividades em espaço rural é através de uma aposta, mesmo que marginal, na actividade turística.
A segunda solução é pragmática e de certa forma aplicável aos Açores. Deixemos concentrar o turismo de massas em Ponta Delgada e - porque não - no Faial, para que as outras ilhas possam albergar os que têm capacidade para neles viverem, porque lá trabalham ou porque aí têm capacidade para comprar as poucas casas disponíveis e autorizadas.
A terceira solução consubstancia esta faceta complementar do turismo de massas. Neste caso a estratégia é apostar noutras actividades geradoras de riqueza, como o vinho e a pesca na Graciosa, o queijo em São Jorge, a carne e o vinho no Pico, os touros, a logística, o queijo e a educação na Terceira. Depois chegarão alguns turistas mas fundamentalmente aqueles que gostam de peixe, de queijo, de carne, de vinho, de touros, de educação e de logística.
A quarta solução só se entende para os migrantes. No fundo pessoas que ainda se encontram enraizadas nos locais para onde gostam de viajar durante as férias. Para isso não é preciso haver grandes políticas pois a vinda de pessoas é assegurada pelos seus familiares e amigos. Basta que possibilitem passagens baratas e poucos entraves aos vistos, e toda a gente gosta de visitar para gerir a saudade. Não há dúvida que na terceira e quarta solução a Terceira é a ilha mais animada conforme nos reporta Sandro Paim."


Fonte original do texto aqui.

Nunca são demais

Actividades como esta, infelizmente, nunca são demais! Queria aproveitar para felicitar todo o trabalho que tem vindo a ser desenvolvido pela Associação Manteigas Solidária nos mais diversos domínios em parceria com as entidades de representação local. (via blog de Manteigas)

sexta-feira, junho 20, 2008

Circuito dos 3 Cântaros - Seguimento

Como estava pela zona da prova aproveitei para tirar algumas fotografias que passo a divulgar. Depois de uma breve trégua na inclinação do terreno ao passar pela Nave de Santo António os atletas iniciavam a dura subida do Espinhaço. Clickem nas figuras para as verem ampliadas. É realmente uma prova fantástica! Este ano a utilização de zonas de asfalto foi ainda mais limitada demonstrando a verdadeira natureza off-road desta prova.
adenda: depois de fazer este post descobri na página do Clube Montanhismo Guarda uma galeria de fotos aqui.

quarta-feira, junho 18, 2008

Triste mas encorajador

Encontrei no Domingo um esquilo morto por atropelamento na estrada nacional N338, na zona da mata perto da Nave de Santo António. É triste, mas é também sinal que há esquilos a 1600 m de altitude...

As florestas, mesmo as pequenas, são mesmo ilhas de biodiversidade!

quinta-feira, junho 12, 2008

Este fim de semana

A Federação Portuguesa de Montanhismo e Escalada, em conjunto com o Clube de Montanhismo da Guarda e com a Associação Amigos da Serra da Estrela realiza este Domingo a segunda edição do Circuito dos Três Cântaros, a meia maratona mais espectacular que conheço. Do fundo do vale do Zêzere, junto à casa abrigo da ASE, para a Nave de Santo António, para a Santa, para a Torre, para o Terroeiro, para a barragem do Padre Alfredo, de novo para Nave de Santo António e de volta à casa abrigo. Cerca de vinte quilómetros, com mais de mil metros de subida acumulada.
No ano passado demorei três horas para percorrer este percurso. Este ano, infelizmente, não tenho possibilidade de participar. Paciência, fica para a próxima.
Paralelamente à corrida, decorre um passeio pedestre, de menor extensão.

O que mais me agrada nesta organização é o apelo que fazem ao respeito pelo ambiente do local em que decorre e a enfâse que põem na responsabilidade individual de todos, até dos próprios organizadores:

O CIRCUITO DOS 3 CÂNTAROS DESENROLA-SE NO CENÁRIO DE EXCEPCIONAL BELEZA NATURAL DO PARQUE NATURAL DA SERRA DA ESTRELA, PELO QUE SERÁ OBRIGAÇÃO DE TODOS PRESERVAR O MEIO AMBIENTE EVITANDO ABANDONAR DESPERDÍCIOS FORA DAS ÁREAS DE CONTROLO.
DO NOSSO COMPORTAMENTO (ORGANIZAÇÃO E PARTICIPANTES) DEPENDERÁ O FUTURO DA PROVA.
(Retirado textualmente da página web da prova.) Ah!, assim se fizesse tudo na Serra, assim se portassem todos os promotores de eventos na Serra...

domingo, junho 08, 2008

A morte selvagem (2)

Apresento em baixo mais um exemplo de como as vias rápidas e confortáveis, como a "tão ansiada" Estrada Verde com que se pretende abrir um novo acesso da Guarda ao Maciço Central através do Parque Natural da Serra da Estrela, são, de facto, uma mais-valia para o usufruto da paisagem e do ambiente desta área protegida, e também para o admirar da vida selvagem.
Ou deveria antes dizer da morte selvagem?
A minha primeira (e única, até agora) fotografia de um texugo. Jazia ontem morto após atropelamento, à beira da Nacional 18, entre a Covilhã e o Teixoso.

sábado, junho 07, 2008

Adoradores do Sol

Lagarto-de-água (Lacerta schreiberi)

segunda-feira, junho 02, 2008

"O domínio dos deuses"

Um livrinho impagável que desmonta os argumentos que defendem o desenvolvimento "alavancado" nos grandes projectos imobiliários, na "requalificação" de espaços naturais, num certo tipo de turismo e de turistas, mostrando como interesses muito particulares se fazem passar pelo interesse público. Parece incrível como é que, quase quarenta anos depois de publicada esta deliciosa pérola, ainda é possível encontrar nos nossos jornais de referência (nomeadamente nos seus muy sérios cadernos de imobiliário) anúncios que parecem copiados do que aqui deixo abaixo.
Clique na imagem para a aumentar.
"O domínio dos deuses", uma aventura de Asterix e Obelix, por Goscinny e Uderzo. É caso para dizer: "Estes nossos alavancadores estão loucos!"
Algarvear a Serra da Estrela? Não, obrigado!