quarta-feira, janeiro 30, 2008

XXV Nevestrela

É já este fim de semana o Nevestrela. Dias 1, 2, 3, 4 e 5 de Fevereiro, no Covão d'Ametade, numa organização da Associação Cultural Amigos da Serra da Estrela e do Clube de Montanhismo da Guarda.

Mais informação no site da ASE.

Ao contrário do encontro de motoqueiros Eskimos 2008 planeado para dia 15, neste acampamento a organização não disponibiliza refeitório, nem duches quentes, nem "toneladas de lenha para as fogueiras". Este encontro é mesmo para quem gosta de serra.

terça-feira, janeiro 29, 2008

A zona de jogo da Covilhã

A propósito da recente abertura de um casino em Chaves o presidente da Câmara Municipal da Covilhã voltou à carga com o seu projecto para uma zona de jogo na Covilhã.

Pessoalmente, nada tenho contra a abertura de um casino na Covilhã. Caso surja este investimento, farei votos de que seja um grande sucesso. Só não concordo, mesmo nada, é com a ideia de o instalar nas Penhas da Saúde.

Porquê nas Penhas da Saúde, onde não vive ninguém ou quase ninguém e onde a oferta hoteleira é reduzida? Esta localização obrigará os clientes e funcionários a viagens, por uma estrada sinuosa e inclinada que, em noites de mau tempo principalmente, apresenta alguma perigosidade.

Porquê nas Penhas da Saúde, se poderia desempenhar um papel importante na revitalização do centro urbano da Covilhã, houvesse para tal o arrojo que tão bem se tem evidenciado para estes projectos de urbanização da Serra?

A imagem de marca da Serra da Estrela inclui (por enquanto), a natureza, a paisagem, a rudeza do granito, os grandes espaços, grandes desafios. É sensato cultivar estes elementos simbólicos porque há segmentos do mercado turístico, muito importantes e em crescimento muito rápido, em Portugal e no resto da Europa, para os quais eles são extremamente vendáveis. A inevitável publicidade a este empreendimento não irá contribuir para a erosão da imagem da Serra da Estrela como espaço natural a um ritmo ainda mais acelerado? E isso não é considerado preocupante pelos responsáveis do turismo na nossa região?

Um casino não é (não pode ser) uma chafaricazinha. Não é o bingo da associação recreativa. Não é a "tenda do Adelino". Não é nunca uma construção discreta. Vejam-se os casinos da Póvoa, de Espinho, do Estoril, de Lisboa, de Monte Gordo, da Madeira, de Vilamoura, o Algarve Casino ou o agora inaugurado Casino de Chaves (dos existentes em Portugal falta apenas o da Figueira da Foz, porque dele não encontrei imagens numa busca apressada). Como é que uma coisa destas se pode enquadrar nas Penhas da Saúde? Como é que se pode sequer desejar enquadrar uma coisa destas nas Penhas da Saúde?!

Faça-se o casino, sim, mas onde um tal estabelecimento faça sentido: na cidade. Na Covilhã, por exemplo.

PS: Compreendo que seja do interesse da Turistrela, a empresa concessionária exclusiva do turismo e dos desportos na Serra da Estrela, a instalação do casino no seu espaço de exclusividade, a dois passos da maior das suas unidades hoteleiras. Não compreendo é que haja mais quem tenha a ganhar com essa localização. Não compreendo, em particular, porque é que ela é defendida pelo presidente da câmara, que não foi eleito propriamente para apoiar as pretensões daquela empresa. Finalmente, este assunto é mais um que me leva a defender o fim imediato deste anacronismo incompreensível que é a dita concessão exclusiva, em si mesma, independentemenete das qualidades e defeitos da empresa concessionária.

segunda-feira, janeiro 28, 2008

Despreocupações paisagísticas

O parque de antenas do Alto das Piçarrinhas a que me referi há dias é o que ilustro em baixo. Como se vê, os interesses ambientalistas em Portugal são terríveis forças do bloqueio, nada fazem, nem nada deixam fazer, é por causa deles que este país está como está e por causa deles nunca saíremos da cepa torta aqui na Serra da Estrela. Em contrapartida, na generalidade dos países da Europa, aí sim, são permitidas reservas de caça, cimenteiras e estâncias de esqui em parques naturais, e as antenas é mato, sem nenhuns constrangimentos ambientais, que lá, a bem do progresso, não há nada disso! Como ficou claro com as imagens que um amigo me trouxe da Galiza.

domingo, janeiro 27, 2008

National Republican Guard

Estrela no seu melhor

A não perder mais um artigo do Cova Juliana sobre o Covão d'Ametade, onde uns entusiastas motorizados fizeram este fim de semana um ensaio geral da barbárie que se prepara para 15, 16 e 17 de Fevereiro: a autointitulada 1ª Concentração Invernal de motoqueiros "Eskimos 2008".

Estes simpáticos e civilizados convívios de sossegados amantes de piões, cavalinhos e derrapagens, sempre muito cuidadosos com a limpeza dos locais onde se reúnem, respeitadores dos demais, que podem não partilhar (ele há gente estranha!) dos seus delírios com os estouros dos escapes, são sempre de encorajar. E, no coração do Parque Natural da Serra da Estrela, que mais se pode pedir? Venham, venham! Com o apoio da Câmara Municipal de Manteigas!

No site do Moto Clube do Barreiro pude apurar mais algumas informações. Por exemplo, que vão estar disponíveis no local "duches quentes", um refeitório e "toneladas de lenha para alimentar as fogueiras". Mas o convívio pretende exaltar "O verdadeiro espírito Motociclista de confraternização aliado às condições mais adversas de viagem e acampamento". As condições mais adversas, pois, pois. Na linha do já tradicional acampamento dos militares, que vêm para o Covão d'Ametade equipados com tendas com aquecimento central, não vão os bravos constipar-se...

Ai, ai... Serra da Estrela: uma montanha cada vez mais rasca está a nascer aqui.

No seu artigo, o Cova Juliana menciona uns turistas estrangeiros que estranharam com desagrado a invasão do espaço onde esperavam encontrar sossego e paz por esta turba barulhenta dos motoqueiros. Eles que se habituem. Na Serra da Estrela somos todos iguais, mas uns são mais iguais que outros.

sábado, janeiro 26, 2008

sexta-feira, janeiro 25, 2008

Uma no cravo, a outra na ferradura

O Presidente da Câmara municipal de Seia, Eduardo Brito, em entrevista ao Portas da Estrela deu mostras de estar a ultrapassar uma certa forma de estar e discursar muito usual aqui na zona da Serra da Estrela (ou, pelo menos, aqui na Covilhã). Veja-se como se refere à possibilidade da construção de uma pista de esqui com neve sintética:

Pergunta: Está a querer dizer que substituiu a Pista de Esqui Sintética, anunciada então como a maior da Europa, pela construção de um campo de golfe?
Resposta: Não. Percebi, e não tenho problema nenhum em dizê-lo, que era [a pista] um investimento que tinha alguns problemas para se sustentar. Percebi também que é preciso juntar a estes investimentos uma componente privada, porque o Concelho de Seia do que mais precisa neste momento é de investimento privado.

P: Não tinha num parceiro privado para construir a Pista?
R: Concretamente não. Houve várias conversas com muita gente nesse sentido mas começou a reconhecer-se alguma debilidade em termos de custos da iniciativa, e também aprendemos com a pista de Manteigas. Também não deixámos de aprender com algumas situações. E, portanto, percebemos sobretudo que o nosso Concelho, depois de o Governo fazer as acessibilidades, do que mais precisa é de investimento privado.

Ou seja, parece ter percebido que nem tudo o que implique investimento (público, entenda-se) de milhões de euros tem pernas para andar. Demonstra que analisa lucidamente algumas situações e que aprende com os erros (com os dos outros pelo menos): como entender de outra forma as frases "mas começou a reconhecer-se alguma debilidade em termos de custos da iniciativa, e também aprendemos com a pista de Manteigas. Também não deixámos de aprender com algumas situações"?

Infelizmente, estraga o quadro com as respostas que dá às questões imediatamente a seguir:

P: Está a abandonar a vertente da neve para abrir o território a outras vertentes?
R: De maneira nenhuma. Está neste momento um pedido de viabilidade na Câmara para o prolongamento das pistas de esqui, que estão no nosso Concelho. Pelo contrário, a neve é um elemento estratégico.

O "De maneira nenhuma" refere-se, imagino, à possibilidade de se estar a abandonar a "vertente da neve". Mas também se pode entender como a resposta à segunda parte da pergunta, "para abrir o território a outras vertentes?" Não o creio, até porque, se alguma câmara da região tem feito alguma coisa por essas outras vertentes, é a de Seia, com o seu Centro de Interpretação da Serra da Estrela.
Seja como for, esta resposta não me agrada. Pensava que já parecia mal a afirmação pública da importância estratégica da neve. Afirmá-lo assim, numa montanha baixa, quente, meridional e atlântica como a nossa, onde quase não neva... Enfim.
Para onde se vão prolongar as pistas de esqui? Para os (por ora) fantásticos Covões de Loriga, mais abaixo, mais abrigados, mais quentes com menos neve? E com mais pistas a atrair mais gente (quando funcionarem) não serão necessários mais estacionamentos, mais cafés, mais restaurantes? E todo este incremento de tráfego e de visitantes não irá contribuir para ainda mais lixo na zona das pistas? E todos estes visitantes de um ou, com sorte, dois dias, que não param em Seia ou no Sabugueiro (ou na Covilhã) mais do que o estrictamente necessário, são bons para Seia? Tudo isto é bom para a Serra da Estrela? Tem sido bom para as suas populações? Tem sido bom para o Turismo?!

terça-feira, janeiro 22, 2008

Da nascente à Foz / Rio Acima

O projecto de definir, sinalizar e documentar um trilho pedestre em toda a extensão do Rio Zêzere, da nascente até à foz, a que já me referi aqui, está em marcha. No passado dia 16 uma segunda reunião reforçou a adesão de autarquias e associações de desenvolvimento à ideia, tendo-se discutido os detalhes da organização para a implementação do projecto.

Participaram nesta segunda reunião representantes das câmaras municipais de Abrantes, Castanheira de Pera, Constância, Ferreira do Zêzere, Figueiró dos Vinhos, Fundão, Guarda, Manteigas, Oleiros, Pampilhosa da Serra, Pedrogão Grande, Sertã, Tomar, Vila Nova da Barquinha, Vila de Rei, as AIBT Serra da Estrela e Pinhal Interior, as Regiões de Turismo do Centro, do Ribatejo e dos Templários, a Universidade da Beira Interior, a Federação Portuguesa de Montanhismo e Escalada, o Clube de Actividades de Ar Livre,a ADXTUR—Agência para o Desenvolvimento Turístico das Aldeias do Xisto, a Pinhais do Zêzere—Associação para o Desenvolvimento, a Pinhal Maior—Associação de Desenvolvimento do Pinhas Interior Sul, a TAGUS—Associação para o Desenvolvimento Integrado do Ribatejo Interior, a ADRIN—Associação de Desenvolvimento Integrado do Ribatejo Norte, a Pró-Raia—Associação de Desenvolvimento Integrado da Raia Centro, a ADRUSE—Associação de Desenvolvimento Rural da Serra da Estrela e ainda a proponente do projecto, a ASE— Associação Cultural Amigos da Serra da Estrela.

sexta-feira, janeiro 18, 2008

Forum Económico Social

Estratégias para o Desenvolvimento Sustentável
investimento, empreendorismo e inovação.

Centro Cívico de Manteigas, 19 de Janeiro de 2008.

Programa disponível no Blog de Manteigas.

(Des)Preocupações paisagísticas

Um amigo enviou-me estas fotografias de um poste de telecomunicações com que se cruzou, durante uma caminhada na Galiza.

Na primeira (acima) mostra-se como se tenta minimizar o impacto visual dos equipamentos, instalando numa mesma torre diversos elementos. Outro aspecto (que não se pode comprovar na fotografia) é a não utilização de linhas aéreas para a alimentação eléctrica. Na segunda fotografia, vê-se como a mesma preocupação com o aspecto visual da estrutura foi levada ao ponto de camuflar a caixa de equipamentos com rochas.

Não sei se estas fotografias foram tiradas numa área protegida galega, se não. Seja como for, parecem-me muito louváveis estas preocupações com a paisagem. Acho muito bem que se tente preservar o carácter "natural" de uma zona, minimizando o número de equipamentos que nela se instalam e a alteração visual que acarretam. Estarei a ser muito eco-fundamentalista, radical ou original com estas minhas considerações? Acho que não.

Mas, então, o que há a dizer do "parque de antenas" no Alto das Piçarrinhas, perto do posto de vigia de incêndios situado atrás do edifício do Sanatório dos Ferroviários? Outro caso, o que há dizer sobre esta antena para comunicações móveis, recentemente instalada perto do Centro de Limpeza de Neve, onde não serve moradores (que não os há) nem turistas (que vêm quando vêm, e quando vêm não é para aqui)?

Se são razoáveis os cuidados demonstrados nas duas primeiras fotografias, é razoável o que se mostra nestas duas? Se não não se considera eco-fundamentalismo apoiar aqueles cuidados, pode considerar-se aceitável o que aqui se fez, ainda por cima numa área supostamente de paisagem protegida? No fundo, o que quero perguntar é: pode uma pessoa declarar-se favorável à protecção da natureza e da paisagem em abstracto, e considerar aceitável esta construção em concreto?

Esta antena tem outra particularidade. A caixa branca e azul no exterior da área cercada (no lado esquerdo) é um gerador a diesel. Ou seja, esta antena não só se vê à distância como se pode ouvir e cheirar, também. Tem que ser alimentada periodicamente, pelo que é necessário manter circulável um acesso com algumas centenas de metros até à estrada nacional.

Tudo isto era mesmo necessário? Tudo isto tinha mesmo que ser feito assim? Tudo isto, e assim feito, é aceitável numa área protegida? Tudo isto, e assim feito, faz sentido numa zona que se pretende turística?

quarta-feira, janeiro 16, 2008

As "pré-existências" do vizinho...

... São menos sagradas que as minhas?

Segundo podemos ler no site da revista Desnível, a Comunidad de Madrid vai investir 375000 euros para reconstruir o perfil natural de uma secção do Rio Manzanares situada no Parque Regional de la Cuenca Alta del Manzanares, depois de ter desmantelado uma barragem que aí estava construída. A demolição da barragem fez-se com explosivos, tendo os restos sido retirados com recurso a helicópteros para evitar os impactos associados à abertura de acessos ao local para camiões pesados que, de outro modo, teriam sido necessários. A intervenção planeada inclui a plantação de mil árvores nas margens do rio e a estabilização dos terrenos.

Bem sei que nem só bons exemplos nos chegam de Espanha. Mas não resisto a contrastar este cuidado na renaturalização de um espaço anteriormente intervencionado, com os enlevos que muitos dos nossos autarcas e demais forças vivaças demonstram por qualquer espelho de água (mesmo vedados ao público, é ouvi-los falar da sua grande importância para o turismo); com o à-vontade com que rasgam acessos em sítios onde esses acessos têm impactos dramáticos; e com o horror que essas mesmas forças vivaças e esses mesmos autarcas sentem relativamente a demolições de barbaridades que nunca deveriam ter sido construídas (em espaços naturais, que nos centros históricos urbanos a história é outra).

Trata-se de um parque regional, apenas. Não é um parque nacional (como o do Gerês, por cá) nem sequer um parque natural (como a Estrela ou a Arrábida). Apesar desta posição relativamente humilde na hierarquia das áreas protegidas espanholas, houve vontade para tomar esta decisão e para levá-la adiante. Tenho a impressão que tal não seria possível cá em Portugal. Que logo apareceriam as vozes afirmando a importância de "requalificar" um "espaço de excelência que tem estado ao abandono"; exigindo ao estado investimentos para a rentabilização do aproveitamento turístico do espelho de água; reclamando com os enoooormes custos das medidas de protecção ambiental; acusando de eco-fundamentalismo todos os que defendessem uma tal intervenção...

Espanha... Tão perto e, ao mesmo tempo, tão longe...

sábado, janeiro 12, 2008

Covilhã Turística

Um blog sobre turismo na Covilhã, ou seja, também, sobre a Serra. Consciente de que muito mais há na Serra do que a neve, questiona porque é que pouco mais há, na Serra, do que o turismo da neve.

Covilhã Turística

terça-feira, janeiro 08, 2008

Eólicas, ambiente e isso tudo...

Parque eólico da Alvoaça, serra da Estrela.
(Imagem "roubada" no blogue Oceano das Palavras.)

Pedro Almeida Vieira, escritor e jornalista, colocou no seu blog Reportagens Ambientais uma entrevista com o Prof. Delgado Domingos, jubilado do Instituto Superior Técnico, da qual quero salientar o seguinte excerto (mas recomendo vivamente a leitura integral):

Pergunta – Em 2007 falou-se bastante em energia em Portugal. Ao longo de 2008 está prevista a aprovação do Plano Nacional de Barragens e será anunciado o resultado do concurso para a ampliação dos parques eólicos. Será 2008 o ano da energia?
Resposta – Talvez sim, mas espero que não seja pelas más razões. Em Portugal estamos a viver numa realidade virtual no campo da produção energética. E acho serem necessárias algumas advertências muito sérias. Por exemplo, penso que não se devem espalhar parques eólicos sem nexo. Eu sou defensor da energia eólica, mas não de qualquer maneira, sem disciplina. E aquilo a que estamos a assistir é um negócio puramente financeiro, só com vista para o lucro imediato. Em Portugal, os produtores de energia eólica beneficiam de uma situação económica altamente favorável, protegida e sem contrapartidas. E depois não existem estudos aprofundados do potencial eólico e das localizações mais adequadas, que salvaguardem algumas serras e apostem na hipótese dos parques off-shore.

P – O concurso está feito, de facto, de modo esquisito: os candidatos propõem locais e o que for vencedor quase automaticamente terá aprovadas todas as localizações, independentemente dos impactes…
R – Esse concurso foi feito para dar as regalias aos grandes monopólios. A energia eólica, que tem grandes méritos se for descentralizada e feita numa escala disseminada, acaba por ser concebida em concentrações, sem contrapartidas. A energia eólica é paga em Portugal de um forma exageradamente favorável às empresas, pois tem prioridade absoluta de entrada na rede e garantia de compra pela REN sem qualquer obrigatoriedade de previsibilidade do fornecimento dessa energia e sem penalizações previstas. Isto é chocante, porque afecta todo o sistema eléctrico nacional, obrigando a ter centrais em stand-by, com custos enormes. Nos países em que a eólica não é um puro negócio financeiro, o preço da electricidade eólica está ligado às previsões de produção e do respectivo cumprimento. Isto estimula o sistema de previsão e a gestão do sistema eléctrico. Faz-se assim na Espanha e nos países nórdicos, por exemplo.

Se o prof. Delgado Domingos tem razão, a instalação desenfreada de eólicas nas cristas das regiões centro e norte, mesmo em áreas protegidas, deve mais a operações financeiras e aproveitamento de apoios e subsídios (directos ou indirectos) estatais, do que a verdadeiras preocupações ambientais, ao protocolo de Quioto, ao interesse nacional ou mesmo à expectativa a longo prazo de lucros com a venda de energia. Será ou não verdade. Mas, se o for, não seria propriamente nada que nos espantasse por aí além. Seria até mais um daqueles casos tipicamente típicos, quer-me parecer...

segunda-feira, janeiro 07, 2008

As coisas são como são

Segunda feira, dia 7 de Janeiro de 2008, 12:00, a 1600 m de altitude, perto da Nave de Santo António. Poucos dias depois de um grande nevão que cobriu toda esta zona. O termómetro do carro marca 9oC (positivos!) e a zona da Torre está envolta numa nuvem de nevoeiro que derrete a neve com mais eficiência ainda do que o calor do sol. O relvão da Nave está a descoberto, as encostas mantêm a neve apenas nas fendas e corredores.

Não me alegram nada estas condições. Mas é assim que as coisas são, é assim que a neve é aqui na Serra da Estrela. Quem disser o contrário, ou é um sonhador, ou está a fazer publicidade enganosa (como esta) ou está a tentar convencer algum organismo público a alargar os cordões à bolsa dos subsídios ou das declaraçõe PIN.

quinta-feira, janeiro 03, 2008

Minhoquices

Seia está a cerca de uma hora de passeio rodoviário, panorâmico e descontraído, da Covilhã; Gouveia está a quarenta minutos de Manteigas; Manteigas está a vinte e cinco minutos da Covilhã e pouco mais do que isso da Guarda; de Seia para Manteigas serão outros quarenta minutos; de Manteigas para Belmonte vão vinte minutos de agradável viagem, ao longo do Zêzere. Demora-se frequentemente mais do que isso para chegar, de carro, do Parque das Nações ao Mosteiro dos Jerónimos.

Para um turista que venha do litoral ou de Espanha, é perfeitamente razoável (e aposto que muitos o farão) almoçar em Seia e lanchar em Manteigas, na Guarda, em Belmonte ou na Covilhã. Fosse eu de fora, e imagino que planearia um visita à nossa região que incluisse uma passagem pela Covilhã (Museu dos Lanifícios, Bouça, Unhais da Serra), Fundão (Museu Arqueológico, Castelo Novo, Alpedrinha), Belmonte (Museu Judaico), Seia (Museu do Pão, Loriga, CISE), Gouveia (parque zoológico, Linhares), Manteigas (Covão d'Ametade e da Ponte, Vale do Zêzere, Poço do Inferno). Tentaria ainda aproveitar algum espectáculo no Teatro Municipal da Guarda (que os há frequentemente imperdíveis — Mesmo se frequentemente os perco).

Onde quero chegar é que me parece cristalinamente óbvio que todos os concelhos têm tudo a ganhar com o desenvolvimento de ofertas turísticas e culturais de qualidade em todos os concelhos. Por isso estranho quando oiço pessoas numa terra lamentarem-se pelos empreendimentos que surgem noutra, quase como se cada milhão ali investido fosse um milhão aqui roubado.
Ao contrário, todos os concelhos têm a perder com a falta de qualidade massificada em que certas forças vivaças (principalmente da Covilhã) têm apostado para o turismo especificamente de montanha. A massificação a que se tem assistido permite (até ver) umas enchentes nalguns fins de semana, mas conduzem a Serra a uma degradação (paisagística, ambiental, social) tal que a torna repelente para todos os visitantes que procuram algo mais do que um pouquinho de esqui triste ou de triste sku.

Queiramos ou não, estamos todos juntos. Uma certa dose de bairrismo tem o seu charme. Mas quando, ultrapassando essa dose, se confunde com parolice, com atavismo, com pequenez de vistas, torna-se um enorme empecilho ao desenvolvimento. Ao desenvolvimento de todos.

Algarvear a Serra da Estrela? Não, obrigado!