domingo, outubro 28, 2007

Ça ira!

No sábado à tarde, fui para a encosta sob os Poios Brancos semear bolotas, a cerca de 1500m de altitude. Deitei na terra três quilogramas, ou seja, qualquer coisa como trezentas bolotas (mais para mais do que isso do que para menos). Quando regressava ao carro, resolvi dar uma volta mais abaixo, para os lados da Lagoa Seca, ali perto. Qual não foi o meu espanto quando dei no chão com dezenas de carvalhos bebé como o que mostro na figura!

Parece-me que se trata de árvores semeadas no ano passado (não sei se em esforços enquadrados pelo programa Um milhão de carvalhos para a Serra da Estrela). No próximo Outono, veremos os resultados do que fizermos neste!

sexta-feira, outubro 26, 2007

Liberdade e responsabilidade?

O Pico, fotografado por Emmanuel Arand (imagem encontrada pelo Google)
Li no Público de ontem que
Os turistas que queiram escalar a montanha do Pico, o ponto mais alto de Portugal (2351 metros), localizado no arquipélago dos Açores, vão ser obrigados a utilizar uma pulseira de geolocalização, por motivos de segurança.

Mais do que as belas paisagens, mais do que a necessidade de aplacar qualquer vício de adrenalina, mais do que a satisfação de atingir objectivos que acreditava não estarem ao meu alcance, mais do que a tentativa de incorporar em mim a imagem cool do velho alpinista ou a do miúdo radical, aquilo que realmente me atrai no montanhismo (em todas as suas vertentes, desde a escalada ao esqui de randonné) é a possibilidade de ser verdadeiramente livre para decidir o que fazer e como fazer. Com essa liberdade vem uma grande responsabilidade, que não quero partilhar com ninguém que não esteja na aventura comigo, que não esteja preso na outra ponta da corda. Há a possibilidade de as coisas correrem mal? Claro. Às vezes as coisas podem correr mesmo muito mal. Às vezes tem-se a impressão de que se escapou por pouco. Mas são essas as regras do jogo, e são elas que tornam o jogo interessante.

Dito isto, é óbvio que tenho para mim que, se me ocorrer algum azar (que, quase sempre, resultam de erros de apreciação ou, pura e simplesmente, de disparates grosseiros), o único responsável sou eu. Claro que agradeço que me ajudem se chegarmos a tanto, mas não considero que isso seja obrigação de ninguém.

Os dirigentes da Secretaria Regional do Ambiente e do Mar, ao contrário, parecem achar são os responsáveis pela segurança de quem pretende subir até ao topo do Pico, porventura ainda mais do que os próprios. Por agora ficam-se com a exigência da pulseirinha, mas daí até regulamentarem (com os costumeiros requintes burocráticos, que com isto da segurança não se brinca) as condições em que alguém pode ser autorizado a tentar a ascenção, vai um passo muito pequenino. Não perceberam nada de nada, parece-me.

quinta-feira, outubro 25, 2007

Tem mesmo que ser?

Os plátanos de Unhais da Serra (fotografia do A Sombra Verde).

Pelo A Sombra Verde fiquei a saber que parece ter-se decidido o corte de vinte e cinco plátanos na Vila de Unhais da Serra. Trata-se de plátanos de grandes dimensões, imponentes, majestosos, fantásticos.

Para alguém que nada conheça de Unhais e que por lá passe, constituem talvez o aspecto mais impressionante da vila (outros são a imensa mole do Terroeiro, subindo dali directamente para o planalto da Torre, ou o vale ameno e fértil da ribeira de Unhais). Mesmo que não se concorde com o que acabo de dizer, dificilmente se nega a evidência de que aqueles plátanos são efectivamente um (senão o) ex-libris de Unhais. Não se trata de uma questão menor, sobretudo sabendo-se que se está a desenvolver na vila um empreendimento turístico ambicioso, que pretende marcar pela qualidade, pela diferença, pela modernidade, pela ruptura com uma certa (e triste) tradição muito cá da serra.

Por estas e outras razões, o corte dos plátanos é, a meu ver, um enorme prejuízo para a vila. Pode ser um prejuízo necessário, para evitar males maiores. Mas só se compreenderá a decisão se forem explicadas as suas razões, se forem descritos os males maiores que se pretendem evitar. E, claro, se essas razões forem mesmo válidas, se esses males forem mesmo maiores. Ainda assim, o dia do corte será um dia muito triste para a vila de Unhais da Serra.

segunda-feira, outubro 22, 2007

20 de Outubro

200 participantes, com idades entre os 4 e os 88 anos; 8.000 carvalhos-negral jovens (dos quais três mil foram oferecidos pelo Parque Natural da Serra da Estrela) transportados para locais de difícil acesso por um helicóptero da Força Aérea; 7.000 efectivamente plantados (os mil restantes serão plantados brevemente); 5.000.000 sementes de bétula lançadas ao solo; jantar para todos no final do dia. Foi mais uma iniciativa integrada no programa "Um milhão de carvalhos para a Serra da Estrela", promovido pela Associação Amigos da Serra da Estrela (ASE). Por terem apoiado, patrocinado, participado ou, apenas, acarinhado, a ASE agradece às seguintes entidades: Força Aérea Portuguesa, Parque Natural da Serra da Estrela, Câmara Municipal de Manteigas, Conselho Directivo dos Baldios de São Pedro, Direcção Geral dos Recursos Florestais, Junta de Freguesia de São Pedro, Junta de Freguesia de Santa Maria, Federação dos Produtores Florestais de Portugal, Federação Portuguesa de Montanhismo e Escalada, Programa Gulbenkian Ambiente, Continente, Visão, Clube de Actividades Ar Livre, Clube de Montanhismo da Guarda, Associação Distrital dos Agricultores do Distrito da Guarda, Unicer Distribuição de Bebidas, SA, Silvapor – Agricultura e Silvicultura, Lda, CAULE – Associação Florestal da Beira Serra, Biosfera – Associação Florestal Caça e Pesca, ADRL / Cooperativa 3 Serras, Associação Florestal de Mortágua, Dão Flora Associação de Produtores Florestais de Penalva do Castelo, Piunus Verde, Associação de Produtores Florestais de Figueira de Castelo Rodrigo, Queiró – Associação para a Floresta, Caça e Pesca, Croflor, Associação de Produtores Florestais viva Fernão Joanes, Piscotávora – Associação de Produtores Florestais. O Cântaro Zangado quer ainda agradecer à ASE.

Veja aqui a notícia que a SIC fez desta autêntica festa.

sexta-feira, outubro 19, 2007

Bom fim de semana

Não vejo esquilos desde o Outono do ano passado, mas alguém me contou que os tinha visto recentemente na zona do Pião. Boa!

Lagoas da Estrela

Novo blog sobre a Serra: Lagoas da Estrela.

Workshp CERVAS

O CERVAS (Centro de Ecologia, Recuperação e Vigilância de Animais Selvagens do Parque Natural da Serra da Estrela) e a Associação ALDEIA realizam a quarta edição do Workshop Prático de Recuperação de Animais Silvestres em Gouveia e Seia, de 30 de Novembro a 2 de Dezembro.

A festa dos carvalhos!

No ano passado foi assim.

No dia vinte, ou seja, amanhã, está planeada uma grande jornada de plantação de árvores na Serra da Estrela, integrada no programa "Um milhão de carvalhos para a Serra da Estrela". O programa ganhou este ano novos apoios ou patrocínios, nomeadamente da Sonae Distribuição, do Programa Ambiente da Fundação Gulbenkian, da revista Visão e da Confederação Portuguesa das Associações de Defesa do Ambiente. Mantém-se o apoio da Força Aérea Portuguesa, que mais uma vez disponibilizou um helicóptero para transportar uma nova "fornada" de árvores (cerca de seis mil no total, da espécie Quercus Pyrenaica) para as vizinhanças dos locais a florestar.

Para além das que já referi, diversas entidades irão apoiar ou participar nesta iniciativa, das quais destaco o Parque Natural da Serra da Estrela, a Câmara Municipal de Manteigas, o Concelho Directivo dos Baldios de S. Pedro, a Direcção Geral dos Recursos Florestais, as Juntas de Freguesia de S. Pedro e de Sta. Maria, a Federação dos Produtores Florestais de Portugal, a Federação Portuguesa de Montanhismo e Escalada e muitas outras, entre clubes desportivos, associações locais de desenvolvimento, associações de produtores florestais e outros.

Esta actividade está aberta a todos os que quiserem participar, bastando para isso aparecer cerca das oito e trinta - nove horas no Covão d'Ametade, com ganas e roupa prática. Esta festa é nossa!

Ver aqui uma nota de imprensa sobre este evento.

quinta-feira, outubro 18, 2007

Protecção ambiental

Vi no Ondas que o governo espanhol rejeitou o projecto de construção do que seria o maior teleférico do mundo, entre a cidade de Granada e a estância de esqui da Sierra Nevada. Esta estrutura iria atravessar o Parque Natural e passaria nos limites do Parque Nacional da Sierra Nevada.

Quero realçar alguns excertos da notícia (traduzidos por mim, "à pressão", do castelhano):

  • A actuação projectada resulta incompatível com o sucesso dos objectivos do Parque Nacional. Trata-se de uma proposta de interesse privado, não responde a uma aspiração social, e não contribui para minorar as tensões ambientais da zona.
  • Existem suficientes incertezas e riscos económicos a médio prazo para pôr em dúvida a coerência de um empreendimento com estas características, com os riscos ambientais e o impacto territorial que acarreta
  • O Ministério do Ambiente adverte de que um Parque Natural "trascende os limites do espaço, projectando-se sobre o seu espaço imediato", tal como traduz o Plano Director da Red de Parques Nacionales, em referência à vizinhança do traçado previsto pelo teleférico.

A estância de Sierra Nevada é uma estância "a sério" (veja-se a lista das pistas ou a dos meios mecânicos instalados, só para se ter uma ideia), sem comparação possível com a nossa instalaçãozinha aqui da Torre. Está situada a uma altitude muito superior, e a sua viabilidade é muito menos incerta que a da nossa. O papel que desempenha na economia da região é significativo. Os interesses económicos instalados em Granada são infinitamente mais poderosos e influentes que as "forças vivaças" que se movem aqui pela nossa serrinha. Mesmo assim, foram contrariados.

Se verdadeiramente queremos proteger o ambiente, não basta criar no papel áreas protegidas. É preciso, depois, protegê-las. Os espanhóis dão sinais de já o ter percebido.

terça-feira, outubro 16, 2007

Vrrum, vrumm, o respeito pelo ambiente em marcha!

De acordo com o Plano Sectorial da Rede Natura 2000 para o sítio Serra da Estrela, na parte relativa às Orientações de Gestão, mais especificamente na que refere "Outros usos e actividades", mais especificamente ainda na página 15, pode ler-se que uma dessas Orientações de Gestão é "Interditar a circulação de viaturas fora dos caminhos estabelecidos".
Parece razoável, ou seja, quase que nem é preciso ler isso num documento oficial para se perceber que andar com carros sobre a vegetação é coisa que não é ambientalmente muito correcta, ainda mais se se tratar da vegetação de uma área protegida.

Vejam-se agora as fotografias abaixo, tiradas num evento organizado na Serra da Estrela pelo Clube Escape Livre (da Guarda) este fim de semana (imagens retiradas do site do clube).

Depois do escalavrado que ficou o terreno, está-se mesmo a ver que a Turistrela terá que o regularizar (outra vez!) com tractores e buldozers, de forma a que nele se possa esquiar quando começar a época (se começar a época, deveria antes dizer). Achamos bem?
Imaginemos que aceitamos o argumento de que esta iniciativa não teve importância, porque as pistas de esqui já estão tão degradadas que pouco importa o que nelas fazemos. Agora imaginemos um vulgar dono de jipe, que goste de passeios todo o terreno (nada de mal até aqui). Entusiasmado com o que vê nestas apelativas imagens, como o poderemos convencer a não tentar fazer o mesmo na Nave de Santo António ou noutras paragens da Serra? Continuamos a achar bem?
Com tantas e tão entusiasmantes picadas e cortafogos por essa serra fora (como mostram outras fotos deste evento), que necessidade havia disto?

Continuamos a achar que não há, neste particular item do programa desta realização (que me parece mais publicitária que estrictamente recreativa, diga-se de passagem, mas cada um é livre de se prestar ao que entender), nada, nadinha a criticar? E o Parque Natural da Serra da Estrela, também acha?

segunda-feira, outubro 15, 2007

Veja-se o que deu

Aqui está o meu viveiro. Além das duas cuvetes com bolotas de carvalho-negral e do vaso pequeno (branco) com sementes de bétula, semeados já nesta época e portanto ainda sem nada que se veja, mostro na figura seis carvalhos-alvarinho (dois por vaso) e um castanheiro que semeei no ano passado e que estão agora prontos para "desenformar". Das duas castanhas que semeei, houve uma que não pegou; das oito bolotas, duas ficaram pelo caminho.

A taxa de sucesso das bolotas semeadas em casa parece ser muito superior à das que se semeiam na Serra. Mesmo assim, falando por mim, não dou nada por perdidos o tempo e a energia que gastei a meter na terra uns poucos milhares de bolotas, mesmo que delas só peguem algumas centenas ou dezenas.

A ver o que dá

Bolotas de carvalho-negral semeadas numa das minhas recém chegadas, novinhas em folha e absolutamente fantásticas cuvetes.
Cobrir e deixar a apurar em lume muito, muito brando. Ir juntando água qb. Desenformar no próximo Outono.

sexta-feira, outubro 12, 2007

O Nobel da Paz para o ambiente

Prémio pela luta contra as alterações climáticas
Nobel da Paz para Al Gore e Painel Intergovernamental para as Alterações Climáticas

Pode haver muito a dizer a favor e contra Al Gore mas fico muito contente pela enorme distinção (e destaque) que este prémio deu às preocupação com as alterações climáticas.

quinta-feira, outubro 11, 2007

Uma sugestão

Numa organização conjunta da CP e da LPN, com o apoio do PNSE e das câmaras Municipais da Covilhã, da Guarda e de Manteigas. Toda a informação aqui.

E o transporte da bicicleta nos comboios regionais é gratuito!

A quem servir a carapuça...

Cartuchos vazios, fotografados perto do Alto dos Livros, Covilhã.

Já que têm mesmo que caçar no interior de uma área (que devia ser) protegida, podiam ao menos fazer o favor de não deixar ficar o vosso lixo? Obrigado.

Também aqui, apanhando a cumeada do Alto dos Livros, foi definida uma zona de caça, uns dois quilómetros a sudoeste da que referi aqui. Acho bem, não são convenientes espaços "por ordenar", pois não?

quarta-feira, outubro 10, 2007

Por falar em direitos adquiridos...

... E em protecção ambiental, vi no Ondas que
Na Inglaterra, uma enorme zona húmida costeira de Essex vai ser devolvida à natureza após quinhentos anos de utilização agrícola.
Imagem retirada do site da notícia, no Guardian-online.

Bem sei que esta é uma decisão muuuuuito mais simples do que, por exemplo, a de limitar o número de viaturas automóveis que tentam subir à Torre em certos fins de semana de Inverno, ou a de demolir horríveis monos em ruínas na Serra (que, aliás, nunca deveriam ter sido construídos). Ah, mas os ingleses têm sorte, ficaram com os problemas mais fáceis! (Ou isso, ou com a vontade de os resolver...)

terça-feira, outubro 09, 2007

Uma verdade evidente

Encontrei este vídeo no Menos um carro.
Esta evidente verdade, aqui ilustrada num contexto urbano, é relevante na discussão sobre os engarrafamentos que ocorrem no maciço central nalguns fins de semana de Inverno.
Podemos aumentar o número de estradas que permitem o acesso à serra, como por vezes ouvimos alguns autarcas e outros responsáveis sugerir. Isso só tornará a verdade ainda mais evidente, e o problema ainda mais grave.
Outra possibilidade é limitar o número de carros autorizados a subir ao alto da serra. Claro que se pode sempre adiar essa decisão esperando os túneis, as IP's, os teleféricos ou o regresso de D. Sebastião...

Como distinguir as bolotas de alguns carvalhos

Bolota de carvalho negral, ainda verde (imagem retirada d'A sombra verde).
A sombra verde dá-nos mais umas luzes sobre os carvalhos da nossa região e como os distinguir. Obrigado!

segunda-feira, outubro 08, 2007

Biodiversidade-Encontro Micológico

Este cogumelo que infelizmente não faço a pequena ideia que tipo é, faz parte da rica Biodiversidade que ainda existe na Serra da Estrela. Montanhas como a Serra da Estrela propiciam a existência de biodiversidade devido aos múltiplos ambientes que nela se podem encontrar. Características como a altitude, a orientação solar, a humidade, exposição aos ventos, tipo de solo etc podem ser dramaticamente diferentes mesmo em pequenas distancias, daí que tambem diferentes ecossistemas subsistam em cada um destes microambientes.
Volto a dizer que pouco percebo da biodiversidade micológica da Serra da Estrela. Sei que é rica e se como eu quiserem saber um pouco mais atentem neste encontro promovido pela URZE a realizar nos próximos dias 19 e 20 de Outubro em Gouveia.
Vamos lá ver se alguém depois me saberá dizer algo mais sobre o espécimen que apresento na fotografia!

sexta-feira, outubro 05, 2007

Bom fim de semana

Libertação de Fuinha (Martes foina)
Mangualde, 04 de Outubro de 2007

Na passada quinta-feira, dia 04 de Outubro de 2007, dia Mundial do Animal, foi libertada uma Fuinha (Martes foina) em Mangualde. A libertação foi precedida de uma palestra sobre generalidades dos mamíferos carnivoros de Portugal, que decorreu na Escola Secundária Felismina Alcântara (ESFA). A Fuinha ou Papalva, como é chamada em certas localidades, foi libertada no terreno das futuras instalações da Associação Grumapa. Este animal tinha sido recolhido muito debilitado pelos Bombeiros e encaminhado para o Centro de Ecologia, Recuperação e Vigilância de Animais Selvagens (CERVAS), pelos elementos do Serviço de Protecção da Natureza e do Ambiente (SEPNA) da GNR. A tímida Fuinha foi baptizada de “Felismina” pelos alunos que assistiram à libertação e que desejaram dessa forma homenagear a sua escola. Esta libertação foi organizada em parceria com a Câmara Municipal de Mangualde e com a ESFA.
Qualquer animal selvagem que seja encontrado ferido ou debilitado deverá ser encaminhado para o CERVAS, estrutura pertencente ao Parque Natural da Serra da Estrela, situado em Gouveia, onde será imediatamente assistido e tratado por um veterinário da fauna selvagem.

quinta-feira, outubro 04, 2007

Nuances

Nos Açores, a preservação da paisagem é a chave para o sucesso.
É o que se afirma logo ao início de um longo artigo publicado hoje pela Visão sobre os Açores.

Aqui na Serra da Estrela, o que se tem feito e o que se planeia fazer, entre barragens, estradas nacionais (ditas Verdes ou com outros nomes), aldeias, aldeamentos ou minicidades (de montanha, claro), telecabines, ampliações da estância de esqui (chamemos assim aquilo), pistas de esqui artificial, reservas de caça, parques temáticos, funiculares, spas, centros de estágio desportivos, casino e mais um longo etc, tudo isto que se fez, se faz ou se planeia fazer é a chave para quê? Tem sido a chave de quê?

PS: Fiz uma espécie de comparação entre o turismo dos Açores e o da Serra da Estrela neste post.

quarta-feira, outubro 03, 2007

A primeira mão cheia do ano

Bolotas de carvalho negral, ainda não completamente maduras.

segunda-feira, outubro 01, 2007

Dia Nacional da Água

Hoje, dia 1 de Outubro celebra-se o dia Nacional da Água embora não pareça! Uma breve pesquisa pelos sítios de internet institucionais do governo mostra zero referências a esta celebração. Segundo informações da Liga para a Protecção da Natureza (LPN), Portugal encontra-se em risco de não conseguir cumprir os objectivos definidos na Directiva-Quadro da Água. O desperdício de água na rede pública atinge ainda niveis preocupantes. No entanto, continua-se a investir na construção de represas e mais fontes de captação em vez de se apostar na melhoria do transporte da água, desde o local onde é captada até ao destino final.
As montanhas são captadores por excelência da água que circula na atmosfera. Na verdade, os cursos de água que delas originam abastecem metade da população mundial. No caso particular da Serra da Estrela, esta é responsável não só pelo "nascimento" do maior rio em território português como também de inúmeros outros de dimensão considerável. De relevância, temos também o rio Zêzere que é responsável pelo abastecimento de água de grande parte da população de Lisboa mas também de várias regiões da Beira como a própria Covilhã. Se não fosse por mais nada, aqui se veria a importância de mantermos as nossas montanhas despoluidas e protegidas. É fundamental proteger os cursos de água nas suas nascentes pois todo o dano que façamos aqui reflectir-se-á a jusante! A protecção das montanhas e das suas nascentes é por isso uma questão que nos deve preocupar a todos e que nos deve motivar a intervir para que se efective uma verdadeira protecção.
A existência de esgotos no alto da Serra, a perda de vegetação por incêndios, o intenso tráfego automóvel em altitude,ou o abandono de lixo são tudo realidades que não podem existir em zonas de montanha responsáveis pela geração dos cursos de água que nos sustentam. É preciso dizer basta, é preciso protegermos a água que bebemos! É preciso intervir sem esperar, como é nosso hábito, que outros o façam!

Para que servem todas estas limpezas?

Desde que o Cântaro Zangado começou, em Dezembro de 2005, já se organizaram, parece-me, sete operações de limpeza de lixo disperso na Serra da Estrela. Dessas sete, cinco (pelo menos) focaram-se na zona da Torre. Em cada uma destas operações foram recolhidas várias centenas de quilogramas de lixo.

Na semana passada, o CAAL e a ASE estiveram a limpar o Corredor do Inferno. Esta iniciativa foi talvez a que contou com mais participantes, tendo-se limitado à zona minúscula que assinalo na figura que ilustra este post. Recolheram-se duzentos sacos, encheu-se de lixo um camião e a caixa de uma carrinha pickup. Mesmo assim, e segundo me contou um participante, não foi possível limpar uma parte do corredor.

É óbvio que nem com uma operação por semana se consegue retirar todo o lixo deixado pelos turistas numa única época de Inverno. Ainda assim, estas operações são coisas boas, porque revelam a pouca vergonha em que a zona da Torre está transformada. E mostram a todos que não se pode ter sol na eira e chuva no nabal. As multidões de visitantes que Turistrela e Região de Turismo celebram (com números que são muito suspeitos, como mostrou no Inverno passado o responsável do maior grupo hoteleiro da região) e o lixo que fica na Torre são dois aspectos de uma mesma realidade. A um turismo cada vez mais massificado, corresponde, inevitavelmente, uma serra cada vez mais suja. Isto está certo? É isto que desejamos? É isto o desenvolvimento?

Estas iniciativas têm também mostrado um PNSE que, mesmo quando colabora, quase parece querer alhear-se delas. É pena.

Algarvear a Serra da Estrela? Não, obrigado!