sexta-feira, junho 29, 2007

Bom fim de semana!

Coruja-das-torres (Tyto alba), libertada a 12 de Junho de 2007 em S. Romão, Seia.

Coruja-das-torres (Tyto alba), libertada a 19 de Junho na Escola Dr. Abranches Ferrão, Arrifana, Seia.

Coruja-do-mato (Strix aluco), libertada a 27 de Junho de 2006 na Quinta da Maunça, Guarda.

Mostro acima fotografias da libertação de animais selvagens recuperados e tratados pelo CERVAS — Centro de Ecologia, Recuperação e Vigilância de Animais Selvagens (Gouveia). O CERVAS é uma estrutura do Parque Natural da Serra da Estrela a que já me referi aqui. Pode apoiar o trabalho deste centro seguindo as instruções que divulguei aqui.

Bom fim de semana!

quinta-feira, junho 28, 2007

À primeira qualquer um cai

Há quarenta anos entendeu-se que era necessário um teleférico entre os Piornos e a Torre. Decidiu-se que iria ser construido. Atribuiu-se à Turistrela (criada em 1971, já como concessionária exclusiva, mas então empresa maioritariamente pública) essa tarefa. Ter-se-ão feito estudos, iniciou-se a obra e os trabalhos andaram. Terá havido vozes discordantes? Não sei. Veteranos de outra geração disseram-me que sim, mas a verdade é que os tempos eram outros e falar contra os "grandes desígnios da nação" era um pouco complicado. A obra foi quase, quase acabada, já no novo regime, penso que por volta de 1975. Quem pagou a construção desta infraestrutura tão indispensável foi o estado, ou seja, fomos nós.
Porque é que não a acabaram? Já com as infraestruturas completas, com os terminais construídos e os cabos estendidos, descobriu-se que os ventos do alinhamento dos grandes vales glaciários do Zêzere e da Alforfa eram demasiado intensos para permitir o funcionamento do teleférico em condições mínimas de segurança. Aparentemente, ninguém estranhou que os estudos tão profundos com que se tinha planeado esta obra não tivessem previsto esta pequena contrariedade.

Durante quase trinta anos, as estruturas deste monumento à nossa monumental estupidez estiveram suspensas sobre a Nave de Santo António, até que, no final dos anos 90 (ou talvez já no início da presente década) decidiu-se o óbvio: era preciso demolir aquela vergonha. E assim se fez, gastando-se para o efeito uma verba muito superior à dispendida na sua construção. Quem pagou foi o estado, ou seja, fomos nós.
Não se completou o serviço. O bonito edifício do terminal inferior do teleférico (com que ilusto este post) continua a emprestar um toque de discreta qualidade à zona da Nave de Santo António. Porque se poupou este mamarracho? Responda quem sabe(1).

Pois bem, passados que estão alguns anos da onerosa demolição daquele elefante branco cuja construção tão onerosa foi, o que aparece? Nada mais, nada menos do que a onerosa decisão de construir, novamente, o elefante branco. Quem vai pagar? O estado (ou seja, nós): é um projecto âncora integrado no PITER "Serra da Estrela Dinâmica".

Claro que nesta nova tentativa tudo será diferente, novos estudos (quais?) provam que que o teleférico será seguro e viável usando novas tecnologias (quais?)...
Assim juram os que ressuscitaram este projecto. Mas alguém acredita que, aquando da primeira tentativa, o discurso fosse diferente?

(1) O que eu sei é que a Turistrela anunciou a intenção de transformar esta ruína numa vergonha ainda mais vergonhosa: um spa/piscina do tipo da Caldeia (complexo de piscinas cobertas no centro de Andorra a Velha). Ali, longe de núcleos urbanos ou de aldeamentos, em pleno Parque Natural da Serra da Estrela (PNSE), numa zona onde têm sido feitos esforços de renaturalização (refiro-me à demolição das barracas da Nave de Santo António e à plantação de carvalhos pela Associação dos Produtores Florestais do Paúl, em colaboração com os serviços do PNSE). Terá esta intenção da Turistrela estado por trás da não demolição do mamarracho? Não sei.

terça-feira, junho 26, 2007

Libertação de Animais de Centros de Recuperação

Mais informações aqui.

Só nós dois é que sabemos...

Galciar Aletsch, Suiça (imagem da Wikipédia).

O assunto das alterações climáticas não é novo. Já há muito tempo que se discute, já há muito tempo que o foco da discussão deixou de ser o facto em si (o aquecimento global é ou não real?) para passar a ser o que o causa (é causado pela actividade humana ou tem causas naturais?). É cada vez mais claro que a opinião dominante entre cientistas do clima e decisores de topo está a pender para a primeira hipótese, a de que é a actividade humana (mais concretamente, a emissão de gases com efeito de estufa pela actividade industrial e agro-pecuária e pelos transportes) a principal causadora do aquecimento do planeta. Esta opinião é de tal forma generalizada que até o presidente dos Estados Unidos parece já ter sido convencido.

Mas resiste ainda uma minúscula bolsa de (dois) irredutíveis, entrincheirada numa pequena cidade da Beira Baixa. Munidos de estudos nenhuns, do alto de currículos nenhuns, estas duas climatológicas nulidades afirmam, contra ventos e marés, que não, que o aquecimento global ainda não está demonstrado, que ainda não se faz sentir na Serra da Estrela, até porque "no ano passado só foi necessário produzir neve artificialmente durante quatro dias" (veja aqui e aqui).
Volto a fazer a pergunta do costume: que crédito merecem estas originalíssimas considerações?

Ironias à parte, aceitemos por um momento a tese dos senhores Artur Costa Pais e Jorge Patrão (são estes os nomes dos dois desalinhados analistas do clima da Estrela, o primeiro administrador da empresa que gere a estância de esqui, o segundo presidente da Região de Turismo). Imaginemos que a queda de neve na Serra da Estrela se mantém nos próximos vinte anos igual à que se verificou no anno alegadamente mirabilis de 2005-2006, o tal em que só foi preciso ligar os canhões de neve em quatro dias. A pista da estância que classificaram como negra (mas que não é mais do que vermelha) esteve aberta três dias, se tanto, e a estância esteve reduzidas às duas ou três pistas mais pequenas durante o primeiro mês da época. Durante a maior parte da época, a estância apresentou uma fina camada de neve, apenas nas pistas; no resto, via-se cervum e rochas a descoberto. A pouca neve que cobre as pistas derrete durante o dia, transformando-se numa papa desagradável a partir do meio dia, e à noite congela, transformando-se num vidro perigoso até meio da manhã. Descemos as pistas em apenas meio minuto, mas subimo-las, sentados nas telecadeiras, em sete (isto, durante a semana, quando quase não há esquiadores e se apanha a telecadeira assim que se chega ao fim da descida, sem se ter que aguardar em bichas).
Esqui de fraquíssima qualidade, em suma. Este é o esqui que temos na Serra da Estrela, nos anos considerados bons.
E é acreditando (contra toda a evidência e contra a opinião dominante) que esta tristeza é viável apesar do aquecimento global, que Artur Costa Pais e Jorge Patrão planeiam o futuro do turismo na Serra da Estrela, defendendo investimentos públicos na estância, defendendo a suburbanização das Penhas da Saúde como pólo de après-ski, defendendo a ampliação da estância para altitudes ainda menores, logo, com ainda menos neve.
Francamente, isto é sério?

Está a decorrer na Guarda, até amanhã, o primeiro Congresso Ibérico da International Permafrost Association, com o tema "Ambientes periglaciários e variações climáticas: das montanhas às altas latitudes", em que se discutem projectos internacionais para avaliar e perspectivar as alterações climáticas regionais e globais. É interessante contrastar a opinião de Gonçalo Vieira (investigador do Centro de Estudos Geográficos da Universidade de Lisboa) com o iluminado (ou alucinado?) optimismo de Jorge Patrão e de Artur Costa Pais.

PS1: O contraste de opiniões que sugiro é feito, e bem, pelo Estrela no seu melhor.

PS2: Gosto muito de esquiar e esquio por vezes na estância da Turistrela. Tenho pena que a realidade da Serra da Estrela seja a que acabei de descrever. Mas as coisas são como são.

segunda-feira, junho 25, 2007

Se eles podem...

Mais um bom exemplo que nos mostra o Pedestrianismo:
Alentejo poderá ter 500 kms de ecopistas até final de 2013, assim o anuncia Francisco Sabino, da Comissão de Coordenação e Desenvolvimento Regional do Alentejo.
Porque é que querem ecopistas no Alentejo? Coitados, não saberão eles que o que é preciso para o turismo é estradas de asfalto, telecabines e funiculares?

Limpeza do Rio Zêzere

Acção de voluntariado ambiental, promovida pelo Município de Manteigas, a Associação Manteigas Solidária, os agrupamentos de Escuteiros do Concelho e a Freguesia do Sameiro, no dia 30 de Junho, às 14 horas, com encontro frente à Câmara Municipal de Manteigas. Os interessados deverão enviar a ficha de inscrição para os contactos da Associação Manteigas Solidária ou da Câmara Municipal de Manteigas por fax, correio ou email, até ao dia anterior.

Soube disto pelo blog Manteigas.

Assim, sim

Como tinha dito, participei ontem na corrida de montanha "Circuito dos três cântaros". Fiquei feliz por ter acabado a prova sem me ter magoado muito. A minha classificação, ainda não sei qual é, mas imagino que não será nada que me encha de manias. É melhor manter um low profile neste aspecto...

Falo desta corrida porque o trajecto da prova estava todo assinalado com as malditas fitinhas de plástico tão costumeiras em actividades deste género. (Veja aqui, aqui e aqui algumas reacções do Cântaro Zangado a estas fitinhas.) Durante a corrida, fui encontrando vestígios de lixo deixado por outros corredores, apesar de todos termos sido alertados para a importância de deixarmos o lixo nas vizinhanças dos pontos de abastecimento. De facto, ia correndo e pensando:

Não volto a meter-me numa coisa destas. Estes gajos não são melhores que os turistas do sku e do saco de plástico. Vale tudo para tentarem ganhar uma porcaria de uma corrida. Mas a verdade desportiva está ligada à ética desportiva e a ética desportiva, numa prova como esta, tem de incluir um enorme respeito pelo meio ambiente. Não volto a participar numa actividade onde outros participantes revelam esta falta de civismo. Não sou como eles, não quero que me confundam com eles.

Pois bem, hoje tive que ir a Manteigas e aproveitei para tirar umas fotos de uma parte do trajecto de que gostei particularmente. Estava tudo limpo, a organização tinha recolhido todas as fitinhas, todas as garrafas, todas as embalagens. Àparte o solo mais revolvido do trilho estreito que ontem percorremos, não se notavam quaisquer vestígios da prova. No próximo ano, voltarei a inscrever-me.

Deveria ser assim a rampa automóvel Covilhã-Sanatório, deveria ser assim a passagem da volta a Portugal em bicicleta, deveriam ser assim as concentrações de motards, de jipes, de BTT e de moto4, deveriam ser assim todos os eventos autorizados na Serra da Estrela. Se todos estamos de acordo que é assim que as coisas deveriam ser, porque é que não é assim que as coisas são?

Post Scriptum

O blog Manteigas republicou o meu post Florestas de encantar, coisa que me encheu de alegria. Ainda mais porque se gerou aí uma discussão muito maior do que aqui no Cântaro Zangado. Como é normal nestas discussões na blogoesfera, a coisa nem sempre se pautou pelos mais elevados padrões da civilidade (se eu não me enterrei muito neste aspecto, aposto que foi apenas porque estive offline todo o fim de semana e portanto, no essencial, não participei na discussão), mas uma discussão é uma discussão. Bem educada, óptimo; mais à peixeirada, paciência mas, mesmo assim, ainda é melhor que nada! Muito obrigado ao Jota do Manteigas.
Para tornar claro que não tenho nenhuma sanha contra o desenvolvimento de Manteigas, deixei lá este comentário:
Jota, obrigado pela divulgação dada ao Cântaro Zangado.
Gostava de tornar claro que nada teria a opôr aos projectos do presidente da Câmara de Manteigas, caso ele os pretendesse levar adiante dentro de Manteigas ou nas imediações. Acho muito bem que se construa uma casa do pai natal dentro da localidade, ou um jardim tipo espaço de sentidos ou floresta encantada, por exemplo entre a zona do viveiro das trutas e a do colégio de N. Sra. de Fátima, onde ainda há espaços aprentemente desocupados. A animação que estes empreendimentos eventualmente viessem a gerar traria dividendos ao comércio e aos estabelecimentos de restauração e hotelaria de Manteigas, muito mais do que o que se pode perspectivar com a sua implementação nas Penhas Douradas. A viabilidade económica dos empreendimentos seria também menos duvidosa. E os impactos ambientais seriam menores.
Veja-se o exempo do museu do pão em Seia. É razoável acreditar que teria tido mais sucesso se se tivesse construido na Sra do Espinheiro ou na Lagoa Comprida? É razoável acreditar que, construido nesses locais, contribuiria, como contribui onde está implantado, para o turismo e o comércio do concelho de Seia?
A minha questão é esta: há um espaço natural que tem um alto valor ambiental e que pode servir de grande atractivo turístico. Para isso há que protegê-lo. Logo, tanto quanto possível, devem evitar-se as construções em altitude. Por razões ambientais, claro, mas também por razões socio-económicas: não é preciso revitalizar as localidades, onde os habitantes moram? Então porquê atirar todas as ideias que se nos ocorrem para as zonas altas e despovoadas?

sábado, junho 23, 2007

terça-feira, junho 19, 2007

A RTSE no Já Agora

Jorge Patrão, presidente da Região de Turismo da Serra da Estrela (RTSE) foi entrevistado pelo jornal de distribuição gratuita Já Agora, entrevista que podemos ler na página 3 da edição de 13 de Junho de 2007 (ainda não disponível online enquanto escrevo este post). Note-se o seguinte excerto:
Pergunta: Actualmente há cada vez menos neve. Ainda faz sentido insistir na neve como cartaz turístico?
Resposta: Não devemos enveredar por esse tipo de pensamento, até porque não está demonstrado. No ano passado houve 127 dias de neve para esquiar e os canhões de neve trabalharam apenas quatro dias em toda a época de Inverno. Em 2004 e em 2005 houve 107 dias de neve em cada ano. De facto, no último Inverno o cenário foi diferente, mas isso pode acontecer uma vez em cada dez anos. Não é verdade que exista uma curva descendente de neve. A longo prazo isso pode acontecer, mas não nas próximas décadas.

Não questiono que habilitações académicas de Jorge Patrão lhe permitem afirmar tão categoricamente que "não é verdade que exista uma curva descendente de neve", porque não as tem. Nem pergunto em que estudos científicos se baseou para dizer que um Inverno como o deste ano "pode acontecer uma vez em cada dez anos", porque sei que não existem. Não me pergunto se haverá mais alguém que ache que "a longo prazo isso pode acontecer, mas não nas próximas décadas", porque o normal é ouvir as pessoas falar dos nevões de antigamente. Noto é o seguinte: para Jorge Patrão, o aquecimento global ainda não começou! Continua a nevar como sempre!

Sem currículo académico que o apoie nem estudos minimamente sérios (já nem peço que sejam independentes) que o informem, que crédito podemos dar às originalíssimas considerações de Jorge Patrão? É razoável basearmo-nos nelas para justificar investimentos públicos?

segunda-feira, junho 18, 2007

Quando os barcos se Afundam!

Hoje, 19/06/07, o Diario XXI publica uma noticia com declarações de Artur Costa Pais em reacção às declarações de Carlos Pinto! Isto faz-me lembrar as Caravelas quando se afundavam: cada homem por si e os ratos são os primeiros a abandonar o navio!
Carlos Pinto sacode a água do capote pensando que desviava as atenções, e diz que das irregularidades investigadas pelo IGAT, 63 estão relacionadas com os chalés das Penhas da Saúde! Irónicamente, põem a nu aquilo que apenas alguns sabiam: a estratégia de acto consumado da Turistrela! Construir sem autorização, pagar os autos e confiar na eficácia dos serviços Camarários Portugueses para lucrar no final! Carlos Pinto refere também que tais irregularidades foram herdadas do anterior executivo e que lhe coube a ele resolver a situação! Ora como foi referido aqui no CZ e como muita gente sabia, na altura da herança de Carlos Pinto apenas existiam cerca de uma duzia de chalés nas Penhas em frente ao Hotel Serra da Estrela!
Ora, Carlos Pinto sobre esses 12 Cháles tem a dizer o seguinte:
"O que íamos fazer? Deitar tudo abaixo?"
Pois, isto seria uma hipótese...ainda assim podiamos simpatizar com o "drama" que estava sob decisão de Carlos Pinto e concordar com os 12 chalés. Mas, caros amigos, hoje não encontramos 12 mas sim 63 CHALÉS que estiveram ilegais até há bem pouco tempo! Carlos Pinto aprovou a construção de 51 Chalés antes de estes estarem legalizados! Ou seja, mais de 75% das irregularidades são da responsabilidade do edil Carlos Pinto! Será que o executivo não tem capacidade para manter a ordem no seu território? Ou simplesmente nã está interessado? A estratégia será, construa-se antes e legalize-se depois o que já esta´feito!
Na minha opinião, é evidente que se devia ter deitado abaixo os 12 Chalés iniciais que estavam ilegais. Era uma questão de igualdade social!Qual era o problema? Alguem vivia lá? Até são de facil remoção os barracos!! E quantos anexos de agricultores já foram deitados abaixo? Ou quantas extensões a casas já foram negadas? Ou as placas que Loriga colocou na nova estrada, não foram retiradas?
Os chalés das Penhas foram construidos em terrenos de protecção ao Hotel Serra da Estrela. Terrenos reservados para preservar o enquadramenteo deste edificio com história...e agora...que enquadramento têm os turistas que vislumbram as paisagens de dentro deste Hotel? Mais, estes chalés foram cosntruidos em terrenos baldios e em zona de cheia da ribeira de Cortes! Porque é que parece que o IGAT é sempre o último a saber, quando sabe?
Será que por a Camara da Covilhã dizer que determinado processo é legal significa que isto seja ponto assente? Deve o Municipio reger-se pelo que o seu edil considera ser adequado na Lei de ordenamento? Costa Pais diz que "neste momento, está tudo no cumprimento da lei, até porque não há outra forma de estar na vida" (quer dizer que em tempos não esteve!). Esta frase por si só é autoincriminatória, assim com as de Carlos Pinto. Até aqui estes dois parecem esta em unissono!
Tem que deixar de haver de uma vez por todas regras "à la Carte"! Estas tem de estar definidas à partida e ser iguais para todos. Só assim, haverá oportunidades para desenvolvermos a economia local de forma equilibrada.

Florestas de encantar

Pode ler-se na Kaminhos que José Manuel Biscaia, o presidente da Câmara Municipal de Manteigas,revelou que, para revitalizar a zona das Penhas Douradas, pondera a criação, nesse local que considera a "pérola da Estrela", de um centro de "treinos e competição de alto rendimento", a construção de uma "casa do Pai Natal" e de um "espaço de sentidos, uma espécie de «floresta encantada»". Podem ler-se na mesma notícia outras ideias para construções: "espaços museológicos" e "adaptação do centro de meteorologia para equipamento multiusos que possa servir também como planetário".

Eu acho que Manteigas já tem florestas encantadas. Aliás, para mim, são a imagem de marca de Manteigas. Por exemplo, esta que mostro acima, entre as Penhas Douradas e Manteigas; a do Souto do Conselho, outra; a do Sameiro, mais uma. Isto, já para não falar da maravilha do Covão d'Ametade (actualmente em curso de se transformar num maravilhoso parque de grelhados). Em vez de aproveitar estas maravilhas definindo, documentando e divulgando trilhos pedestres que as percorram, ou apoiando e promovendo empresas que as façam viver (através de passeios a cavalo e de burro, por exemplo), o autarca defende mais construções nas Penhas Douradas e "florestas encantadas" artificiais...

E é estranho. O presidente da Câmara de Manteigas considera que "As Penhas Douradas são a 'pérola' da serra da Estrela e a única aldeia de montanha que existe, na medida em que as Penhas da Saúde [na Covilhã] estão descaracterizadas devido à quantidade de construções ali existentes". Aqui, concordo no essencial com ele: acho que as Penhas Douradas merecem mais o título de 'pérola da Serra' do que as Penhas da Saúde, porque estas têm demasiadas construções (mas também pela sua qualidade e arquitectura, e não estou a pensar apenas nas barracas de zinco). Mas voltemos ao primeiro parágrafo deste post. Se se construir tudo o que José Manuel Biscaia sugere para as Penhas Douradas, em que estado ficará esta pérola? Bastante mais parecida com as descaracterizadas Penhas da Saúde, quer-me parecer...

sábado, junho 16, 2007

Os bungalows nórdicos

Segundo se pode ler na Kaminhos, e de acordo com uma intervenção feita ontem pelo presidente da Câmara da Covilhã na Assembleia Municipal, de entre as alegadas violações pela Câmara de leis urbanísticas e instrumentos de ordenamento do território detectadas pela IGAT, contam-se 63 casos relacionados com os bungalows nórdicos instalados pela Turistrela nas Penhas da Saúde, perto do hotel. O autarca responsabilizou a câmara anterior por esses casos, e afirmou que ele os tinha "resolvido depois de levantadas contra-ordenações e embargos às obras" (excerto da notícia da Kaminhos).

A minha memória poderá estar a trair-me, mas diria que quando Carlos Pinto ganhou as eleições substituindo o anterior autarca (o tal que responsabilizou pelo problema), o número de bungalows era muito, muito menor. Além disso, de que forma é que estes casos terão sido resolvidos "depois de levantadas as contra-ordenações e embargos"? Faço esta pergunta porque, a 15 de Dezembro de 2006 (depois de cumprido mais do que um mandato deste executivo autárquico liderado por Carlos Pinto, e depois, bem depois, de todos estes bungalows terem sido construídos), foi levada à Assembleia Municipal a discussão e aprovação do Plano de Pormenor das Penhas da Saúde — Zona Sul, justamente a zona onde se implantam estes bungalows. Nesse plano figuravam estes bungalows. Terá esta sessão da Assembleia Municipal sido parte do processo de levantamento de contra-ordenações? Não sei.
Parece-me é um modo muito sui generis de planear o urbanismo e de ordenar o território, este de se fazerem, discutirem e aprovarem planos de pormenor, muito depois de os "pormenores" que nele constam estarem construídos e a ser utilizados...

sexta-feira, junho 15, 2007

Bom fim de semana!

Os desportos de natureza no PNSE

Via das chaminés estreitas, Cântaro Magro.

Na palestra de quarta feira no Serra Shopping, responsáveis do Instituto da Conservação da Natureza com autoridade sobre o Parque Natural da Serra da Estrela (PNSE) declararam que pretendem redigir uma "Carta de Desportos que especifique os eventos desportivos que se realizem na Serra e na área protegida," que permita "«estabelecer regras» para os eventos desportivos, nomeadamente «saber que tipo de eventos serão realizados, quando, onde e de que forma»" (citação retirada da revista online Kaminhos).

Por mim, nada tenho a opôr. Ou melhor...

Eu acho que todas as nossas actividades têm impactos negativos e aceito que se estabeleçam regulamentos para os minimizar. Mas, com este enfoque nas actividades desportivas, o PNSE está a deixar de fora outras actividades que têm um impacto muito mais grave do que as actividades desportivas. Estou a pensar no sku e nas voltinhas de carro (incluindo tudo o que é necessário para permitir estas actividades, entre estradas, cafeterias, restaurantes, lojas de souvenirs, parques de estacionamento, serviços de limpeza de de estradas, etc, etc, etc).

Por outro lado, é preciso ver que as actividades desportivas que se podem praticar na Serra da Estrela são muito variadas, desde o pedestrianismo à caça e pesca, passando pela escalada, o BTT, os passeios todo-o-terreno, o esqui e, convem não esquecer, a passagem da volta a Portugal em bicicleta e a rampa automóvel. Algumas modalidades têm, obviamente, maior impacto do que outras. Ao falar de "actividades desportivas" em geral, é bom não esquecer que se está a falar não de uma realidade, mas de várias, e que não faz sentido colocar todas essas realidades "no mesmo saco".

Apadrinhamento de Animais em Recuperação no CERVAS

Cria de Coruja-do-mato (Strix aluco)—CERVAS. (Foto retirada de http://cenas-renas.blogspot.com)

Chegou-me pela lista de correio electrónico Ambio a seguinte mensagem, relativa a uma iniciativa que me parece muito louvável.

O CERVAS – Centro de Ecologia, Recuperação e Vigilância de Animais Selvagens (Gouveia) lançou uma campanha de apadrinhamento de animais selvagens em recuperação, em colaboração com a ALDEIA.
Se desejar apadrinhar um animal poderá fazê-lo através de uma contribuição financeira ou através da angariação e cedência de material de diversos tipos.
De seguida são indicados alguns indivíduos de diferentes espécies que se encontram neste momento em recuperação no CERVAS e que podem ser apadrinhados :

  • Coruja-das-torres (Tyto alba) – contribuição mínima: 10€
  • Coruja-do-mato (Strix aluco) – contribuição mínima: 10€
  • Mocho-galego (Athene noctua) – contribuição mínima: 10€
  • Águia-de-asa-redonda (Buteo buteo) – contribuição mínima: 10€
  • Cegonha-branca (Ciconia ciconia) – contribuição mínima: 10€
  • Raposa (Vulpes vulpes) – contribuição mínima: 10€
  • Corvo (Corvus corax) – contribuição mínima: 10€
  • Águia-calçada (Hieraaetus pennatus) – contribuição mínima: 15€
  • Águia-cobreira (Circaetus gallicus) – contribuição mínima: 15€
  • Açor (Accipiter gentilis) – contribuição mínima: 15€

(Nota: os valores indicados referem-se a apadrinhamento individual. Caso pretenda ceder apoios através de uma instituição, os valores mínimos serão de 50€ para qualquer espécie indicada anteriormente).
Material necessário (que pode ser cedido como alternativa ao apoio financeiro)

  • Medicamentos e outros materiais de uso clínico
  • Material de limpeza (panos, toalhas, detergentes, esfregões, escovas, bacias, etc)
  • Estantes, Mesas e material de escritório (resmas de papel reciclado, tinteiros, dossiers, etc)
  • Outros materiais diversos (rede de sombra, ferramentas, tesouras, sacos de plástico, etc)
  • Materiais de construção (para apoio à construção de novas jaulas de recuperação)

Ao apadrinhar um animal receberá um certificado de apadrinhamento e terá a possibilidade de assistir à sua libertação (se assim o desejar). Receberá também informações sobre as actividades do CERVAS bem como sobre a possibilidade de apadrinhar outros animais no futuro, tornando-se desta forma um membro activo na dinamização da recuperação de animais selvagens em Portugal.

Para proceder ao apadrinhamento, basta preencher e enviar os seus dados para aldeiamail@gmail.com:
Nome:
Morada:
Telefone:
Correio electrónico:
Nº contribuinte:
Animais que deseja apadrinhar:
Quantia com que deseja contribuir:
Material com que deseja contribuir:

Modo de pagamento:

  • CHEQUE: Em nome de Associação ALDEIA para: CERVAS / Parque Natural da Serra da Estrela. Av. Bombeiros Voluntários, 8. 6290-520 Gouveia
  • TRANSFERÊNCIA(*): NIB: 003504710001216793071 (Caixa Geral de Depósitos de Miranda do Douro)
    * Enviar comprovativo de transferência por correio para a morada acima indicada, ou por correio electrónico para aldeiamail@gmail.com

Contactos :
CERVAS
Correio electrónico: cervas.pnse@gmail.com
Tel: 962255827 / 919457984

quinta-feira, junho 14, 2007

O Regresso das Fitas- take 2!

Lá voltamos a esta questão das fitas sinalizadoras utilizadas em provas de sabe-se lá o quê!! Desta vez foi na zona da Lagoa Comprida e as ditas fitas não se encontravam identificadas ao contrário do que aconteceu com as anteriores da Vodafone! Eu já não quero saber se se devia usar as fitas ou não, eu só queria mesmo que os responsaveis pela sua colocação fizessem o trabalho de remoção com o mesmo brio!! Mas que pessoas são estas que não compreendem o alcance destes actos? Será que não tem noção que todo o plástico que ali colocaram ficará por lá durante os próximos 400 ANOS?!! E não foi pouco plástico!!Vejam lá
 
 
"Infelizmente" não tive coragem de deixar lá o material para que no "pouco" tempo que resta até que os plasticos se degradem os responsáveis pela sua colocação, lá fossem retira-los! Vislumbrei-os pela primeira vez a 12 de Maio e retirei-os FINALMENTE a 2 de Junho!!Não se preocupem no entanto estes responsáveis que fiz o favor de guardar toda a mercadoria recolhida e terei todo o gosto em remete-la por correio para suas excelencias!
Até agora não me foi possivel apurar quem são os "donos" das lindas fitinhas, mas deixo aqui algumas informações para ver se algum dos leitores consiguirá dar uma ajuda!
1- O evento para o qual estas fitas serviram ter-se-á realizado no primeiro fim de semana de Maio ou ultimo de Abril.
2- O alegado evento estava sinalizado, pelo menos, desde a barragem da Lagoa Comprida, continuava pelo estradão que segue ao lado da Lagoa e em direcção aos "tuneis" situados no extremo oriental desta.
3- A cerca de 50 metros da água havia uma zona delimitada em forma de quadrado semelhante a um "ponto de controlo". Desde este ponto havia uma tira de plástico praticamente continua até à água entrando por ela a dentro....
Se com esta informação alguem conseguir identificar os responsáveis pela organisação deste evento agradecia que me informassem para fazer a gentileza de devolver o material recuperado!!
Posted by Picasa

A Tradição continua a ser o que era

Constança Cunha e Sá no Público de hoje, sobre o novo aeroporto:
Tanto na Ota como em Alcochete, o país está condenado a uma obra megalómana e que passa pela destruição da Portela e se insere numa velha tradição nacional que se alimenta das grandes obras de regime e se distingue por um indisfarçável provincianismo.
Caramba, se não é esta mesma "velha tradição nacional que se alimenta das grandes obras" a manifestar-se nos projectos PITER "Serra da Estrela Dinâmica" para a Serra da Estrela propriamente dita (ou melhor, no que deles se vai sabendo pela comunicação social, já que ninguém parece querer divulgar pormenores), no anúncio do projecto de requalificação urbana das Penhas Douradas com instalação de um funicular, na estrada de S. Bento ou na desejada (por alguns) "Estrada Verde" (entre a Guarda e o maciço central), em tantos "indispensáveis" projectos com que as forças vivaças regionais vão entretendo a comunicação social... Se não é, parece. Muito.

PNSE no Serra Shopping

Por azar, não pude ir à palestra do PNSE no Serra Shopping. O tema de hoje era educação ambiental, novos trilhos pedestres e já não sei mais o quê. Confesso que era a palestra que mais me interessava das três previstas.
Se algum leitor do Cântaro Zangado esteve por acaso presente, agradeço que me faça chegar informações sobre o que lá se disse. Obrigado.

terça-feira, junho 12, 2007

Blog com tomates

O Máfia da Cova, que é o grande blog do extremo oriente português (aquela "estreita" faixa do território nacional situda a mais do que 60km da costa) entendeu nomear o Cântaro Zangado como "Blog com Tomates". Em si, a distinção já é lisonjeira. Mas o que nos deixou verdadeiramente honrados foi aparecermos misturados com as restantes nomeações da Máfia:
  • Coalition for Darfur (Um blog sobre Darfur)
  • Tupiniquim (Um blog sobre os povos indígenas e considerado o melhor blogue do ano nos Prémios Internacionais Weblog da Deutsche Welle 2005, mais conhecidos como prémios BOBs)
  • Baghdad Burning (Blog anónimo de uma iraquiana nomeado para um prémio literário britânico atribuído pela BBC. «Baghdad Burning» é um relato escrito sob o pseudónimo Riverbend e foi um dos 19 finalistas ao prémio Samuel Johnson para não-ficção em 2006)
  • Do Portugal Profundo (Um blog de António Balbino Caldeira sempre com "novidades" sobre os casos mais escaldantes no nosso cantinho que é Portugal!)

Como é que o Cântaro Zangado aparece aqui, nesta selecção de pesos pesados? Com muita honra, pois claro!

Cabe-nos agora a nós, no Cântaro Zangado, nomear mais blogs com tomates. Parece-me que são blogs com tomates todos os que falam das aldeias (ou de outras localidades maiores) da nossa região, informam sobre o que se passa, mantêm os vínculos com os naturais da "terra" que emigraram, dinamizam ou divulgam actividades, e, tantas vezes, gritam que o "rei vai nu" quando, de facto, assim é. É preciso tomates para ver uma terra perder empregos, perder juventude, perder capacidade de iniciativa e, mesmo assim, não desistir. A esses blogs e a esses autores, ânimo! A força de uma terra, a modernidade de uma terra, o progresso de uma terra, são coisas construidas pelos seus habitantes, não caem do céu enquanto se espera pelos "indispensáveis" apoios do governo ou enquanto nos lamentamos por ele se ter esquecido de nós.
Com a certeza absoluta de me estar a esquecer de muitos, cá vai

E tantos outros...

sábado, junho 09, 2007

Responsabilidades e prioridades

Volto a transcrever apelo ao respeito pelo ambiente e à responsabilidade feito pela empresa Terras de Aventura a que me referi no post anterior:

O CIRCUITO DOS 3 CÂNTAROS DESENROLA-SE NO CENÁRIO DE EXCEPCIONAL BELEZA NATURAL DO PARQUE NATURAL DA SERRA DA ESTRELA, PELO QUE SERÁ OBRIGAÇÃO DE TODOS PRESERVAR O MEIO AMBIENTE EVITANDO ABANDONAR DESPERDÍCIOS FORA DAS ÁREAS DE CONTROLO. DO NOSSO COMPORTAMENTO (ORGANIZAÇÃO E PARTICIPANTES) DEPENDERÁ O FUTURO DA PROVA.
Este texto agrada-me tanto porque coloca na esfera de cada um a opção (e a responsabilidade) de se fazer o que é correcto. Além disso, são os próprios organizadores que afirmam que também eles partilham essa responsabilidade. Por fim, porque se condiciona a continuidade do evento ao seu respeito pelo meio ambiente onde se desenrola.

Deixe-me repetir, caro leitor. Com este apelo, os promotores do evento mostram que se consideram co-responsáveis pelo seu impacto ambiental e que aceitam que a sua continuidade pode ser posta em causa se se considerar que esse impacto ambiental é demasiado elevado.

Nunca vi os promotores da rampa automóvel, da passagem pela Serra da volta a Portugal em bicicleta, os das concentrações de jipes ou de motas demonstrarem, mesmo que só por palavras, um tamanho nível de respeito para com o meio ambiente.

Mais, relativamente à co-responsabilização dos empresários e promotores de eventos, compare o leitor aquelas palavras da Terras de Aventura com as declarações de Artur Costa Pais (administrador da Turistrela) sobre o problema do lixo na Torre e da sua limpeza: "Isso é uma preocupação mas não é uma obrigação. Não podemos assumir essa responsabilidade, é uma responsabilidade de todos"(1).
Relativamente à prioridade dada ao meio ambiente, compare-as com a exigência feita por Jorge Patrão (presidente da Região de Turismo da Serra da Estrela) sobre os projectos do PITER Serra da Estrela Dinâmica: "há diversos interessados em investir na serra da Estrela e é importante que os projectos não esbarrem em impedimentos ambientais"(2).

São comparações que considero esclarecedoras sobre a importância que estes responsáveis dão ao ambiente, à paisagem, à Serra, à própria matéria prima de que supostamente é feito o seu negócio...

(1) Recolhi estas declarações numa notícia publicada numa edição de Maio de 2006 do jornal Notícias da Covilhã. Referi-me a essa notícia neste e neste artigos do Cântaro Zangado. Infelizmente a link que incluí para a notícia já não está activa. Se algum leitor me puder fazer chegar os dados da edição em causa, agradeço.
(2) Ver o suplemento Local (Centro) do Público de 31 de Março de 2006.

Que brutidade!

Dia vinte e quatro de Junho terá lugar uma corrida de loucos: o Circuito dos Três Cantaros. Os atletas começam no Vale do Zêzere, nas vizinhanças da casa abrigo da ASE, subirão daí até à Nave de Santo António, treparão o trilho do Espinhaço do Cão até à Santa e daí para a Torre. Para a descida, passarão pelo Terroeiro, pelo Covão do Ferro, pela Nave de Santo António e daí regressarão ao ponto de partida. São vinte e um quilómetros, e mais de mil metros de desnível acumulado (ainda não vi isto ao certo), por trilhos pedestres... 'Tá tudo doido!

É claro que já estou inscrito.

Esta corrida, que integra o campeonato de Portugal de Corridas de Montanha, é organizada pela Federação Portuguesa de Montanhismo e Escalada, a Associação Cultural Amigos da Serra da Estrela (ASE) e o Clube de Montanhismo da Guarda, com o apoio da Câmara Municipal de Manteigas. Além da corrida terá lugar um passeio pedestre, de menor extensão.

Como noutros eventos na Serra da Estrela a que a empresa Terras de Aventura se associa, recebemos o aviso do costume:

O CIRCUITO DOS 3 CÂNTAROS DESENROLA-SE NO CENÁRIO DE EXCEPCIONAL BELEZA NATURAL DO PARQUE NATURAL DA SERRA DA ESTRELA, PELO QUE SERÁ OBRIGAÇÃO DE TODOS PRESERVAR O MEIO AMBIENTE EVITANDO ABANDONAR DESPERDÍCIOS FORA DAS ÁREAS DE CONTROLO. DO NOSSO COMPORTAMENTO (ORGANIZAÇÃO E PARTICIPANTES) DEPENDERÁ O FUTURO DA PROVA.

Já que mais não fosse, só por este apelo ao respeito e à responsabilidade dos participantes e da organização, estas corridas fazem o meu género.

Nota posterior: Noto com agrado que a Região de Turismo da Serra da Estrela (que normalmente refiro para a criticar) apoia este evento. Desta vez, está de parabéns! Que se repita muito frequentemente!

sexta-feira, junho 08, 2007

Bom fim de semana!

Amanhã, dia 9, às 18:30, na FNAC do Chiado, Lisboa, debate com o tema "Que modelo de desenvolvimento para a Serra da Estrela?"

O PNSE no Serra Shopping

Fui há pouco ao Serra Shopping e dei com uma agradável surpresa: uma exposição do Parque Natural da Serra da Estrela, que decorre entre os dias quatro e vinte e quatro de Junho!
A exposição inclui as três palestras seguintes
  • 13 de Junho — Educação ambiental
  • 20 de Junho — Flora do PNSE e prevenção de incêndios
  • 22 de Junho — Fauna do PNSE

Nesta cidade (Covilhã) que pretende ser a principal porta de entrada na Serra da Estrela, que insiste em ser conhecida como a cidade-neve, mas onde não há um centro de interpretação do ambiente e da natureza, nesta cidade que é a única da Serra que não dispõe sequer de um posto de informações do Parque Natural, onde os responsáveis autárquicos (e não me refiro especificamente a estes que agora ocupam os pelouros) nada sabem nem nada querem saber do parque e da enorme riqueza ambiental que ele gere, esta exposição é uma autêntica lufada de ar fresco!

Que seja um grande sucesso para o Shopping Serra e para o PNSE, são os votos do Cântaro Zangado!

Associação Cultural Mário Gomes Figueira

A Associação Cultural Mário Gomes Figueira (Gouveia) oferece os passeios pedestres seguintes:
  • 9 de Junho, Rota das Maias ‐ Partida da Quinta do Lagar da Moira, passando pelo "Ninho do Corvo", seguindo pelos "Chiqueiros" em direcção à Ponte Nova. Regresso a Vila Franca da Serra.
  • 16 de Junho, Rota Histórica — Visita ao Centro de Interpretação Histórica e Arqueológica de Fornos de Algodres (CIHAFA) com passagem pelos pontos de maior interesse arqueológico.
O custo depende do percurso. Pode obter mais informações pelo email acmgfigueira@gmail.com ou pelos telefones nº 271708601 e 967450961.

Estão abertas ao público na sede da associação (Casa Lagar da Quinta da Moira, em Vila Franca da Serra, Gouveia) as exposições "Simetrias na Natureza" e "Património Geomorfológico do Planalto da Serra da Estrela", até dia 20 de Junho.

quinta-feira, junho 07, 2007

O campismo na Serra da Estrela

Carlos Serra, presidente do Clube de Campismo e Caravanismo da Covilhã (clube que gere o parque de campismo do Pião, a meia encosta da Serra da Estrela), fez ontem, na Kaminhos, críticas à Região de Turismo da Serra da Estrela (RTSE) por ter sido mantido à margem do PITER "Serra da Estrela Dinâmica".

Que a RTSE não presta muita atenção ao campismo na Serra da Estrela pode constatar-se na sua página sobre campismo. Salta imediatamente à vista a ausência do parque do Pião. Mas não é o único. Não aparece também o parque do Vale do Rossim (Manteigas ou Gouveia, não sei bem) nem o do Curral do Negro (Gouveia), para referir apenas as faltas no interior do Parque Natural da Serra da Estrela. Não quis também referir a falta do parque do Clube Nacional de Montanhismo, nas Penhas da Saúde, porque, a bem dizer, aquilo nem é bem um camping.
Outro sintoma dessa falta de atenção da RTSE nota-se num folheto promocional redigido pelo próprio Jorge Patrão (presidente da RTSE) com o título enganador "Serra da Estrela—Onde a natureza vive!" (enganador porque nele praticamente não se refere a natureza). Na secção sobre alojamento na região, não se faz referência ao campismo.

Os três parques cuja ausência na lista da RTSE assinalei são essenciais para o planear de uma rede de percursos pedestres ou em BTT pelas zonas altas da Serra, como a que um turista não motorizado poderia considerar para uns dias de férias na Serra da Estrela. Pois foi logo desses que a RTSE se esqueceu...

quarta-feira, junho 06, 2007

Curso de Iniciação à Escalada Desportiva

A Adriventura (empresa de actividades de ar livre) e a Loja do Mequito (loja de material para montanhismo e escalada) promovem um curso de iniciação à escalada desportiva com sessões em paredes da Serra da Estrela e de Penha Garcia. O folheto de divulgação do curso (clique na imagem para ampliar) refere que

Com este curso pretende-se dotar os formandos das competências técnicas essenciais à prática da escalada desportiva. Este curso é composto por uma sessão teórica, complementada por dois fins-de-semana práticos.
Os locais das duas sessões práticas serão: serra da Estrela (Rua dos Mercadores) e Penha Garcia (Escola de escalada de Penha Garcia).
O curso será enquadrado por dois monitores e terá como principais objectivos os formandos, no final da formação, serem capazes de:
  • Praticar escalada desportiva de forma autónoma e segura;
  • Conhecer as diferentes vertentes da e possuir uma breve noção da sua história;
  • Minimizar os impactos da prática da escalada
Estes objectivos serão sujeitos a uma avaliação por parte dos formadores dando origem, no caso de avaliação positiva, a um diploma de frequência.
Quero destacar o último dos objectivos a atingir, que me parece particularmente louvável.

A escalada desportiva é a que se pratica em paredes previamente equipadadas com material de segurança. Por se praticar em espaços preparados, apresenta menos riscos objectivos do que outras modalidades da escalada, pelo que é, na minha opinião, a melhor maneira de iniciar a sua aprendizagem. No caso dos locais indicados para as duas sessões práticas, as vias, assim como as "reuniões" nos seus topos, estão equipadas (particularmente bem) com plaquetes (chapas de aço inoxidável com um oríficio onde se prendem os mosquetões que seguram a corda), colocadas recentemente, ainda em perfeito estado de conservação. Por outro lado, ambos os locais são de fácil acesso (e evacuação) e apresentam rocha de excelente qualidade, muito dura (granito na Rua dos Mercadores, quartzito em Penha Garcia), pelo que as condições de segurança para a prática da escalada dificilmente poderiam ser melhores.

Para mais informações veja o folheto (clique na imagem).

terça-feira, junho 05, 2007

A PDSSE na FNAC

Debate na Fnac Chiado (Lisboa): Que modelo de desenvolvimento para a Serra da Estrela? Dia 9 Junho às 18h30m. A participação é livre e contamos com a presença de todos para enriquecer este debate!

A Plataforma pelo Desenvolvimento Sustentável na Serra da Estrela (PDSSE) promove uma sessão de discussão sobre o actual modelo de desenvolvimento para a região de montanha da Serra da Estrela, o paradigma da oferta turistica até agora disponibilizada e perspectivas futuras. A sessão iniciar-se-á com uma breve apresentação da Plataforma e seus objectivos bem como as razões que levaram à sua formação. Em seguida serão visionadas imagens do enorme potencial de valores naturais e culturais da Serra da Estrela e ilustrados exemplos que reflectem um modelo medíocre de estratégia de desenvolvimento na zona do Parque Natural da Serra da Estrela. Estas imagens serão comentadas por um grupo de pessoas convidadas pela PDSSE com o objectivo de promover a discussão entre o público presente.
No painel de convidados estarão pessoas de diferentes origens, com percursos de vida distintos mas com conhecimentos profundos da região da Serra da Estrela. Esperamos poder contar com os seguintes elementos no painel de convidados:
  • Gonçalo Teles Vieira, professor auxiliar na Universidade de Lisboa; a sua actividade de investigação concentra-se no estudo da Geomorfologia Glaciária e Periglaciária da Serra da Estrela.
  • Jose Maria Saraiva, funcionário reformado do PNSE e actual vice-presidente da Associação Amigos da Serra da Estrela com sede em Manteigas.
  • Representante da PDSSE
  • José Paulo Pires, biólogo do Parque Natural da Serra da Estrela
  • Representante de uma outra ONG

sexta-feira, junho 01, 2007

Algarvear a Serra da Estrela? Não, obrigado!