quinta-feira, maio 31, 2007

Folhetim interminável

Veja-se esta notícia que apanhei por acaso no Kaminhos, publicada a 15 de Maio deste ano:

Grupo Pestana interessado no Sanatório

Negociações com o Governo e a Turistrela estão em marcha

A própria notícia dá conta dos avanços e recuos do interesse do grupo Pestana no edifício do sanatório. É interessante notar que os que ainda há um ou dois anos bradavam ao governo e aos céus pelo alegado incumprimento de obrigações por parte do grupo Pestana (ver aqui) ou anunciavam que iriam começar em breve a execução das obras sem a ajuda dos alegados incumpridores (ver aqui), são os mesmos que, pouco depois anunciaram com pompa e circunstância terem encontrado um novo parceiro no grupo Sheraton (ver aqui, aqui, e [incrível!] aqui), e os mesmos que agora puseram "em marcha" (imparável? Gloriosa?) novas negociações com os antigos parceiros! Aposto que em breve ouviremos os anúncios do início iminente dos trabalhos... Mais uma vez.

Estes são os considerados expoentes das forças vivas do turismo da nossa região, os potentes motores do desenvolvimento, os que nos vão arrancar da estagnação, os que vão acordar o gigante adormecido, aqueles a quem o governo atribuiu (há trinta e tal anos) uma concessão exclusiva do turismo e dos desportos (supostamente para durar mais trinta e tal anos), um monopólio como não existe mais nenhum na Europa, nestes tempos da hegemonia do pensamento neo-liberal... Perdoem-me mas, face aos factos, eu não concordo. Antes pelo contrário. Acho que a acção e as opções destas pessoas (e das que as antecederam nas posições que ocupam) são a parte principal dos problemas do turismo (e do ambiente) na Serra da Estrela.

Sobre este assunto, e para ver as voltas que o folhetim deu só nos últimos meses, pode ler este, este e mais este artigos aqui deste ainda jovem blog que é o Cântaro Zangado. Sobre a prioridade que dou à necessidade de obras no sanatório, leia este artigo.

Até no Algarve!

Até no Algarve se vão percebendo algumas verdades simples. Digo isto a propósito de um livrinho com 97 páginas divulgando os trilhos pedestres algarvios, editado pela Região de Turismo do Algarve. Este guia foi agora disponibilizado na internet, em formato pdf (10MB).

Soube disto pelo blog Pedestrianismo. Este blog é, aliás, uma leitura que recomendo vivamente aos autarcas e responsáveis pelo turismo na nossa região, na esperança de que possam copiar algumas iniciativas que se vão multiplicando por todo o país e que lá aparecem divulgadas. É que cada vez mais gente percebe que isto da admiração da natureza, isto do pedestrianismo, isto do montanhismo, já não é só meia dúzia de maluquinhos...

PITER—Serra da Estrela Inacessível à PDSSE

A Plataforma pelo Desenvolvimento Sustentável da Serra da Estrela divulgou pela comunicação social um comunicado informando das dificuldades que tem sentido na procura de informação sobre os projectos que integram o programa "Serra da Estrela Dinâmica", a financiar como Projectos Integrados Turísticos de Natureza Estruturante e Base Regional (PITER). Pode ler o comunicado aqui.

Os diários As Beiras e Diário XXI deram eco das nossas preocupações.

Aqui para nós que ninguém nos ouve: dado o historial dos principais promotores dos projectos a financiar na montanha propriamente dita (Turistrela, Região de Turismo e Câmara Municipal da Covilhã), temos ou não razões para ficar preocupados?

PDSSE na imprensa

O comunicado da Plataforma pelo Desenvolvimento Sustentável na Serra da Estrela sobre as obras de requalificação no Covão da Ametade a que fiz referência aqui foi referido pelo diário As Beiras e pelo semanário O Interior.

quarta-feira, maio 30, 2007

Ajude a evitar os Incêncidos

O comparsa Cascalheira do blog Loriga fez recentemente este apêlo que eu acho que merece o empenho de todos e assim reduzir os impactes deste grave problema no ambiente nacional.
É fundamental que os incêndios sejam controlados o mais precocemente possivel. Para isto precisamos da ajuda dos olhos de todos nós.É tão facil, ligue o 117 se detectar indicios de incendios. Não fique à espera que outro o faça ou no pressuposto que alguém já o fez.
Vamos todos contribuir para reduzir este problema.

E turismo de montanha na Serra da Estrela?

A aldeia do do Sabugueiro está situada num local magnífico. Quando a atravesso, pergunto-me sempre porque será que não é um importante centro de turismo de montanha, como os há em tantas serras como a da Estrela por toda a Europa. Com placards indicando trilhos pedestres, com mapas desses mesmos trilhos à venda nos mercados, nas mercearias, nos cafés, nas lojas de recordações. Com empresas oferecendo passeios a cavalo, de aluguer de bicicletas. Com monitores para actividades mais técnicas como a escalada, o canyoning, a canoagem, o parapente. Com turistas pedestres a entrarem e a sairem todos os dias. Em vez disso, o Sabugueiro pouco mais é do que um centro de venda de fancaria e de arquitectura de péssimo gosto. Porque será?

Porque se tem confundido desenvolvimento do turismo com comércio rasca e com multidões a passarem de carro pela estrada, a caminho da Torre. Por isso é que os comerciantes do Sabugueiro são tão militantes quando defendem o alargamento da estrada nacional, chegando ao ponto de exigirem zonas de ultrapassagem com duas faixas em cada sentido.

As consequências destas opções são, por um lado, a conhecida degradação das paisagens e do ambiente na Serra da Estrela; por outro, a comparativamente reduzida afluência de turistas de montanha.

Falo do Sabugueiro como poderia falar de quase todas as localidades em torno da serra. O turismo de montanha na montanha mais alta do continente português está a ser esquecido por todos, ou quase todos. Por isso, não fico nada entusiasmado quando leio na comunicação social anúncios dos projectos a financiar como Programa Integrado Turístico de Natureza Estruturante e Base Regional (PITER) — Dos quais, diga-se de passagem, a Plataforma pelo Desenvolvimento Sustentável da Serra da Estrela (PDSSE) nada conseguiu apurar apesar dos vários pedidos feitos às entidades responsáveis. Mais ainda, fico até preocupado, porque me parece que vão apenas servir para trazer mais entulho e lixo para a Serra, assim diminuindo, ainda mais, o interesse que ela pode ter para os turistas como eu. Desenvolvimento do turismo? Não me parece.

Exactamente pelas mesmas razões, não fico nada (mas mesmo nada) entusiasmado com o recente anúncio da Câmara Municipal de Manteigas de "desenvolver o turismo" nas Penhas Douradas, no qual se inclui a possibilidade da construção de um funicular que permita o acesso não rodoviário a partir de Manteigas (veja aqui). É que os turistas que Manteigas mais facilmente pode atrair são aqueles que gostariam de subir para as Penhas Douradas a pé, e que o prefeririam fazer sem serem incomodados pelo ruido, o cheiro e as estruturas do funicular. Mas desses, nunca ninguém se lembra. Por isso mesmo, eles também pouco se lembram de por cá passear.

Aguaceiro no vale

terça-feira, maio 29, 2007

Fotos da 1ª Caminhada pela Serra da Estrela

A página web da 1ª Caminhada pelo ambiente da Serra da Estrela tem agora links para as fotografias que os participantes tiraram nessa actividade. A página irá crescer à medida que a organização for recebendo mais contribuições. Se participou na caminhada e tem fotografias que queira partilhar, por favor envie-as para padesse[arroba]gmail[ponto]com.

domingo, maio 27, 2007

Ainda as obras no Covão da Ametade

Foi difundida na semana passada pela comunicação social a posição da Plataforma pelo Desenvolvimento Sustentável na Serra da Estrela acerca das obras de "requalificação" do Covão d'Ametade (ainda em curso). Pode ler o texto integral aqui.

sexta-feira, maio 25, 2007

Bom fim de semana!

Vista para o vale do Zêzere, de perto do cruzamento para Seixo Amarelo e Gonçalo. Na direcção oposta, avista-se parte da albufeira do Caldeirão.

Partindo da Guarda, há um acesso à Serra da Estrela de tal modo deslumbrante, que uma pessoa até se pode esquecer que deseja ir ao maciço central, supondo que seja esse o seu plano. Refiro-me à estrada (municipal?) 18-1, entre Vale de Estrela e Valhelhas.

Alguns quilómetros depois de Vale de Estrela, entra-se no vale da Ribeira de Famalicão, logo a seguir ao cruzamento para Fernão Joanes e Trinta. O meu conselho aqui é: largue o carro e meta-se a pé pelo bosque a dentro!

Carvalhos jovens no meio dos castanheiros

Castanheiros, carvalhos, freixos, cerejeiras. Uma frescura como já não estamos habituados a sentir... Vida por todo o lado. O som dos regatos, o cantar das folhas das árvores ao vento (e cada espécie tem o seu canto). As manchas de luz na penumbra reinante. Os líquenes e o musgo nos troncos... E este ar, este ar como não se encontra em mais lado nenhum...

Preste atenção aos detalhes.
O que mais nos marca numa floresta assim não se pode captar com uma câmara (eu não o consigo, pelo menos). É a atmosfera, o silêncio quase palpável, que não é silêncio, porque se ouvem os pássaros e o vento nas folhas das árvores. Talvez sejam os sons, alterados que ficam pela reverberação nos troncos, de um modo que tem que se ouvir, para se saber do que estou a falar.
Castanheiros que, se calhar, já por aqui "andavam" no tempo do Napoleão.

Uma floresta assim é um direito fundamental, uma necessidade básica. Tão básica que, por vezes, até nos esquecemos da falta que nos faz satisfazê-la.

Bom fim de semana!

quinta-feira, maio 24, 2007

quarta-feira, maio 23, 2007

Como é?

O blog Montanha faz uma análise de alguns aspectos do Plano Sectorial da Rede Natura 2000. Este plano, que não é uma criação de uns fanáticos eco-fundamentalistas mas sim do ICN, que é um instituto do Ministério do Ambiente, ou seja, do governo, pode ser consultado aqui. O Montanha chama a atenção para um excerto da pág. 7 da ficha sobre o lobo ibérico, onde se pode ler, textualmente
De referir ainda que, embora o lobo não ocorra actualmente no Parque Natural da Serra da Estrela, deverão ser aplicadas todas as medidas que potenciem uma futura ocupação desta área, dada a proximidade com áreas onde a espécie ocorre.
As medidas a aplicar são indicadas na pág. 5 do mesmo documento. Entre outras, selecciono as seguintes
  • Promover a conservação e o fomento das presas selvagens (nomeadamente corço e veado) do lobo através de:
    • manutenção/recuperação do coberto vegetal autóctone
    • assegurar uma correcta exploração cinegética destas espécies
    • acções de re-introdução/repovoamento de corço, quando necessárias
  • Condicionar a implementação de grandes infra-estruturas
  • Condicionar a abertura/utilização de novos acessos em áreas sensíveis, nomeadamente no âmbito de processos de Avaliação de Impacto Ambiental e no âmbito de Planos de Ordenamento do Território. Fiscalizar acessos e circulação de veículos motorizados. Nas áreas mais sensíveis, interditar circulação de viaturas fora dos caminhos estabelecidos.

Ao certo, ao certo, quais destas medidas estão a ser aplicadas no Parque Natural da Serra da Estrela? Ao certo, ao certo, quantas destas medidas serão contrariadas pelos planos de construção de novas estradas, de telecabines, de novas urbanizações (ou, deverei dizer, novos subúrbios), ou ainda pela multiplicação das áreas de caça nas encostas envolventes da Serra da Estrela?

Quais são as opções do governo português? Cumprir os planos de protecção da natureza que ele próprio aprovou, ou satisfazer e financiar os voluntarismos inviáveis e poluidores das forças vivaças do interior?

segunda-feira, maio 21, 2007

Capacidade de iniciativa

Hoje no público, no suplemento P2, uma notícia sobre uma iniciativa da (ou apoiada pela) Câmara Municipal de Borba: passeios de interpretação de flora, com incidência nas propriedades medicinais e gastronómicas das plantas observadas. Ontem, no suplemento Pública do mesmo jornal, um artigo sobre como os ex-guerrilheiros de um país da américa latina (El Salvador? Colômbia? Já não me lembro.) estão a usar as suas antigas bases e hospitais como locais de interesse turístico.

Porque é que falo nisto aqui? Porque são dois exemplos de como conhecimentos locais, meios locais, iniciativas locais, gentes locais são aproveitados em situações de crise, dando a volta a uma realidade que parece desesperada. Estes projectos têm a virtude de oferecer aos visitantes produtos que eles não podem encontrar em mais sítio nenhum do mundo.

O que fazemos nós, aqui na Serra da Estrela? Temos apostado no que é específico da Serra? Para além da neve, que cobre a zona mais alta da serra alguns dias por ano, que mais? Apostamos nas magníficas paisagens da Serra? No seu ambiente natural único? Nas possibilidades ímpares no nosso país para o turismo aventura?

Não. Temos paisagens magníficas, mas pretendemos apoios para "melhorar" as miseráveis pistas de esqui, que não satisfazem ninguém a não ser os principiantes. Achamos que essas mesmas paisagens ficam melhoradas "requalificando" pré-existências (é assim que autarcas e responsáveis do turismo se referem às várias ruinas vergonhosas que encontramos por todo o lado na Serra, quando querem evitar a sua demolição definitiva) e construindo mais algumas... Temos uma natureza única, rica em endemismos, mas nunca a referimos nos folhetos promocionais que produzimos. Temos vales com condições para serem, por si só, grandes cartazes turísticos, mas exigimos investimentos para os estragar com estradas de asfalto (parece que nunca são suficientes). Consideramos estas estradas necessárias para que que os turistas apressados que tentamos cativar cheguem mais rapida e confortavelmente à Torre, e mais rápida e confortavelmente regressem a suas casas. Não, nós por cá queremos é casinos, como os que há por aí em todo o lado. Telecabines como as que há no Parque das Nações. Subúrbios, como os que há (de luxo ou não) no Algarve, na Costa da Caparica, em Sintra. Começa agora a falar-se de outra "especificidade": o golfe. Nada nos projectos da Região de Turismo, da Turistrela, das autarquias ou das forças vivaças vai no sentido de desenvolver o que é específico da Serra da Estrela, os produtos que podemos aqui oferecer e que não se podem encontrar noutros locais. Queremos é esqui, apesar de o haver (e de muito melhor qualidade) noutros locais, muito próximos face às distâncias tipicamente percorridas pelos turistas hoje em dia...

Exigimos ao estado milhões para desenvolver projectos de imitação rasca (e inviável, dadas as nossas condições) de estâncias alpinas ou pirenaicas. Exigimos ao estado milhões para asfaltar caminhos e rasgar novas "acessibilidades". Exigimos ao estado milhões para fazer tunéis. Exigimos ao estado milhões para promover as aberrações que construimos com os milhões que o estado lá nos foi arranjando. Deixamos, entretanto, acumular toneladas de lixo e entulho, mas fazemos de conta que não vemos, ou condicionamos a resolução desse problema à educação das hordas de visitantes que ano após ano celebramos. Chamamos a este circo desclassificado "o grande banquete do turismo". Queixamo-nos, ressentidos, num dado concelho, de que todos os investimentos são canalizados para os restantes e continuamente inventamos protagonismoszinhos, conflitos e guerrinhas entre comarcas. Gritamos que "vamos acordar o gigante adormecido", nos anos em que o governo anuncia planos de investimento, e que a Serra da Estrela está votada ao esquecimento, nos anos em que esses anúncios não se fazem ouvir.

E a tudo isto chamamos desenvolvimento do turismo, em tudo isto vemos provas da capacidade da iniciativa local.

Caramba, nunca, nunca aprenderemos?

Mais da 1ª Caminhada pelo Ambiente

O blog Estrela no seu melhor apresenta aqui as suas impressões sobre a 1ª Caminhada pelo Ambiente da Serra da Estrela, com algumas fotos do percurso com origem no Covão da Ametade.
O blog Pedestrianismo deu também notícia desta actividade, neste artigo.

sexta-feira, maio 18, 2007

Bom fim de semana!

1ª Caminhada pelo ambiente da Serra da Estrela

No dia 12 de Maio (o passado sábado) teve lugar a 1ª Caminhada pelo ambiente da Serra da Estrela. Quatro grupos (ou sete, num certo sentido que já clarificarei) partiram de diferentes locais, e convergiram na Torre por volta da hora de almoço.

De Alvoco da Serra partiram 10 amigos (vindos de Coimbra, Carregal do Sal, Seia e Gouveia), das Penhas da Saúde oito (do Porto e da Covilhã, eu incluído), do Covão da Ametade sairam nove (da Covilhã e de Manteigas) e da Lagoa Comprida perto de treze, vindos de Lisboa, Porto e Viseu. O quinto grupo era constituido pelos participantes de um encontro de todo o terreno da Lousã, que, nos seus jipes, subiram a Serra mais rápida e confortavelmente (mas, cá para mim, com muito menos gozo). Eram cerca de setenta pessoas. Contámos ainda com a adesão de um grupo (o sexto) de uma escola de Santarém (não sei quantos eram ao certo).

Falando por mim, foi um passeio muito agradável. Saindo das Penhas da Saúde, passando por trás da albufeira da barragem das Penhas, seguimos até aos Piornos e descemos até ao entroncamento da estrada para o Covão do Ferro. Aí, um "motim" entre os participantes obrigou-nos a alterar o trajecto. Em vez de descermos até ao Covão, seguir para o Terroeiro e daí para a Torre como estava previsto, decidimos subir pelo trilho do Espinhaço do Cão até à Nª Srª dos Pastorinhos e aí virar para a Torre.

O Grupo das Penhas da Saúde, no trilho do Espinhaço do Cão.
Quando chegámos à Santa, encontrámos o grupo de praticantes de todo o terreno, que ali estavam recolhendo lixo em quantidades astronómicas. Continuámos a subir até um pequeno covão, a cerca de mil metros da Torre, com um ribeiro completamente entupido com plásticos. As fotografias com que ilustrei o post "A serra, como ela também é" foram aí tiradas. Note-se que não se trata de um local frequentado por turistas, nem pouco mais ou menos. O lixo que ali encontrámos tinha sido arrastado da zona da Torre pela corrente do ribeiro.
Linha de água, situada entre a Torre e a Santa. Num local que, simultaneamente, pertence ao Parque Natural da Serra da Estrela, é Reserva Biogenética e sítio Rede Natura 2000.
Recolhemos todo o lixo que pudéssemos transportar e continuámos a subida, carregados com grandes sacos, pedaços de trenós de plástico e até uma câmara de ar, ainda cheia.

Chegados à Torre, demos com o grupo vindo do Covão da Ametade, que já lá estava à espera. Fomos também recebidos pelo pessoal do Rocha podre e pedra dura (sétimo grupo) que, encontrando-se a escalar no Cântaro Magro, quiseram juntar-se à iniciativa. Tinha toda a lógica, até porque tinham recolhido plásticos de uma via de escalada no Cântaro... É espantoso o que a força das correntes, de água ou de ar, consegue, no que respeita à dispersão de plásticos...
Estava um vento frio e desagradável na Torre e, por essa ou outras razões, nem todos tiveram a paciência ou a resistência para esperar a chegada dos amigos vindos de Alvoco e da Lagoa Comprida, tendo então iniciado o regresso mais cedo do que o previsto. Mas o resto do pessoal lá acabou por chegar, carregados como mulas com o lixo que puderam pôr às costas. Comemos as merendas, tirámos umas fotografias do grupo, e iniciámos a descida.

Os participantes na 1ª Caminhada, ou melhor, o que deles restava à hora da tomada da fotografia.

No regresso não houve motim. Viemos pelo Terroeiro, ou seja, pelo caminho que estava previsto para a subida. Chegados às Penhas da Saúde, tive tempo para beber um fino, despedir-me dos meus companheiros e, logo a seguir, pôr-me a caminho de Manteigas, para assistir ao encerramento da exposição de fotografias (ou talvez seja mais apropriado chamar-lhe exposição de emoções) "Olhares Montanheiros" e para participar no debate que se seguiu.

O lixo que apanhámos foi uma gota no oceano. Já sabíamos que, por muito que fizéssemos, imenso continuaria por fazer. Não é por essa razão que não haverá uma 2ª (ou 3ª, 4ª...) Caminhada pelo ambiente da Serra da Estrela. Mais do que limpar a Serra, pretendemos mostrar que há quem queira a Serra limpa, que há quem espere que os diversos organismos com responsabilidades neste assunto (ambientais ou turísticas) comecem a cumprir as suas obrigações, tomando resoluções concretas no sentido de acabar com esta vergonhosa situação.

Falta apenas dizer que, apesar do lixo, a Serra está fantástica nesta altura, com o amarelo das flores da carqueija e da giesta, com o violeta das da urze, com a folhagem fresca dos carvalhos, das tramazeiras e das bétulas, com o melancólico canto do cuco, com os gritos agrestes dos gaios...

Giestas e urze.
Só percorrendo a pé a Serra nos damos conta da maravilha que aqui temos. Só percorrendo a Serra a pé nos damos conta do mal que a temos tratado. Como diz o biólogo holandês Jan Jensen, a Serra da Estrela é a jóia da coroa das áreas protegidas portuguesas. Para que assim continue, para que o seja cada vez mais, temos que protegê-la, mas protegê-la, mesmo. Por isso, comecemos já a preparar uma 2ª Caminhada pelo Ambiente da Serra da Estrela!

Mais fotografias da caminhada podem ver-se aqui. Se tiver fotos da caminhada que queira partilhar faça-mas chegar, ou então indique-me uma link para um repositório on-line onde as tenha armazenado.

Adenda: A realização da caminhada foi divulgada por diversos órgãos de comunicação social, nomeadamente algumas rádios regionais (peço-lhes perdão por não me lembrar quais), o jornal Diário XXI (veja aqui) e O Interior (aqui). Em contrapartida, que eu saiba, só O Interior fez uma notícia cobrindo o evento. Obrigado a todos os que divulgaram a iniciativa e a'O Interior pela atenção que lhe prestou.

quarta-feira, maio 16, 2007

Duas boas notícias

O blog Fauna Ibérica traz-nos notícias muito boas relativamente à evolução do número de aves de rapina na Península Ibérica! Oxalá se mantenha a tendência.

A outra boa notícia é que, no passeio do dia 12 de Maio, descobri um sector (perto da Nave de Santo António) das plantações de árvores a que me referi aqui e aqui, onde, afinal, muitas árvores (muito novas, como a que ilustra este post) resistem ainda. Oxalá se aguentem!
Nos dois posts d'O Cântaro Zangado a que me referi acima, transmiti a ideia de que as árvores estariam todas ou quase todas mortas. Estou agora muito contente por ser obrigado a corrigir essa ideia. Oxalá aconteça mais vezes.

terça-feira, maio 15, 2007

Uma lufada de bom senso,

... Nesta atmosfera alucinada e megalómana em que, há já alguns anos, se anda planear o "futuro do turismo"(1) na Serra da Estrela, foi a opinião de Luís Patrão, presidente do Instituto de Turismo de Portugal, sobre o famigerado projecto de um casino nas Penhas da Saúde. Disse ele:
Nesta região, e nas condições actuais, não há campo para um casino. Falta um fluxo turístico regular para que o casino não se transforme numa sala exclusiva para os habitantes da região.
Claro que a alucinada megalomania ripostou. Por exemplo, Jorge Patrão, presidente da Região de Turismo afirmou que
o equipamento iria reforçar o investimento da ampliação da pista de esqui, oferecendo assim um vasto conjunto de serviços aos turistas com telecabinas, praças de lazer durante o Inverno e o Verão, comércio e alojamento de montanha. «É tudo aquilo que existe noutras estâncias de montanha e é nesse enquadramento que o projecto tem que ser encarado»

O ilustre presidente da Região de Turismo talvez pudesse visitar uma dessas estâncias de montanha de que fala, durante a temporada de esqui. Veria que a Serra da Estrela nunca teve, não tem, nem nunca terá condições comparáveis. Acontece que elas têm o que falta, e faltará cada vez mais, aqui: neve. Se nevasse frequentemente por cá, se houvesse condições óptimas para esquiar durante a maior parte do Inverno (mesmo que recorrendo a canhões de neve), seria, mesmo assim, discutível a artificialização generalizada da Serra que a Região de Turismo/Turistrela propõe. Por isso mesmo noutras montanhas, onde estão implantadas as outras estâncias que o sr. Jorge Patrão refere, as áreas naturais protegidas são respeitadas, não se considerando sequer a possibilidade do esqui de pista nas zonas tampão limítrofes. Mas, caramba, na Serra o esqui é tão esporádico, tão limitado temporal e espaciamente... Vale a pena sujar mais ainda, construir mais ainda, artificializar e urbanizar mais ainda?

Por favor, sr. Jorge Patrão, deixe de ser parte do problema. Quer desenvolver a região e o seu turismo? Patrocine projectos de alojamento turístico (pode chamar-lhe de montanha, se quiser) nas localidades à volta da Serra. Promova a reabilitação urbanística e arquitectónica dessas mesmas localidades. Apoie quem está empenhado no turismo de natureza. Já vai havendo alguns, mas não são aqueles com quem costuma emparceirar. Ajude a divulgar as maravilhas naturais e paisagísticas da nossa região (mas, por favor, poupe-nos à foleirice de folhetos como o "Onde a natureza vive"). Saiba que é assim que se faz nessas outras estâncias que refere. E esqueça a neve, homem! Estamos na Serra da Estrela, não nos Pirinéus. Por muitos mamarrachos que façam construir (ou que não deixem demolir) o sr., o sr. Artur Costa Pais e o sr. Carlos Pinto, esta realidade não se alterará.

(1) Coloquei a expressão "futuro do turismo" entre aspas, porque não é de um futuro que se trata. São as mais que gastas apostas falhadas do passado, e mal recauchutadas. E também não é turismo. É construção civil e negócios imobiliários.

segunda-feira, maio 14, 2007

Patetices

Hoje no Público, na páginas 8 e 9 do suplemento P2, um artigo extraordinário:

Se cá nevasse fazia-se cá ski

O centro do Porto pintou-se de branco para receber o primeiro slalon gigante urbano do mundo. 75 participantes nacionais federados desfilaram perante os olhares da cidade.

Vale a pena comentar a parolice deste evento? Ou a enorme pegada ecológica associada? O seu novo-riquismo evidente? Mostrar espanto perante o esbanjar de riqueza num sítio onde também se ouvem queixas de falta de investimento por parte do estado central? Constatar o absurdo de ver este luxo faraónico lado a lado com problemas sociais gravíssimos?

Talvez. Mas quero antes notar que, pela sua extensão (200 m), esta pista ultrapassou o conjunto das que estiveram abertas na estância Vodafone, na Torre, durante a quase totalidade da temporada de Inverno que agora acabou.

Face a isto, ainda alguém tem coragem de afirmar publicamente que o futuro do desenvolvimento do turismo na Serra da Estrela passa pela estância de esqui?!

Isso sim, é verdadeiramente espantoso!

domingo, maio 13, 2007

A serra, como ela também é

Este post ainda não é o "relatório" da 1ª Caminhada pelo Ambiente da Serra da Estrela. Isso fica para mais tarde. Quero só mostrar algumas fotografias (tiradas ontem) de uma linha de água, já perto da Torre, na vertente que dá para o Covão do Ferro, por onde passou o grupo onde estive integrado. Este local situa-se a cerca de um quilómetro da Torre.

Vistas as imagens, note que outras em tudo semelhantes se podem admirar em todas as linhas de água que escorrem da Torre, bem como nas lagoas e charcos irrigados por elas.

Pense agora na satisfação com que os figurões do turismo da nossa região se congratulam quando anunciam, em certos fins de semana de neve, que a zona da Torre recebeu dezenas de milhares de visitantes. Não serão esses números motivo para algo mais do que satisfação?

sexta-feira, maio 11, 2007

Bom fim de semana!

Previsões Meteo para o dia da Caminhada

Apresento aqui uma previsão retirada de uma página da internet, para a meteorologia do dia da 1ªCaminhada. Atenção que não tenho qualquer responsabilidade na mesma, apenas a divulgo. No entanto, posso dizer que utilizo este site sempre que necessito de informações meteo precisas para as minhas aventuras de montanha em Portugal, Espanha ou outro local e tenho obtido bons resultados.
Sintese da Previsão
Céu com poucas nuvens e ausencia de precipitação durante todo o dia de sábado.Vento de SO intensidade moderada (20-30Km/h). Temperatura aos 1500m. de altitude a rondar os 10ºC. Não se esqueça que a caminhada vai até aos 2000m por isso espere temperaturas mais baixas e vento mais forte na Torre.Não esqucer o corta vento!
Despeço-me desejando aqueles que vão participar um excelente dia de convivio!

quinta-feira, maio 10, 2007

Uma "diluição" bem mais preocupante...

Do que a que aflige Jorge Patrão, é a que vem noticiada no jornal Terras da Beira, de hoje também:

Vazio directivo nas áreas protegidas

Os parques naturais da Serra da Estrela (PNSE) e do Douro Internacional (PNDI) e a Reserva Natural da Malcata encontram-se em gestão corrente desde o início do mês, altura em que entrou em vigor a nova organização interna do Instituto da Conservação da Natureza. Aquelas áreas protegidas vão passar a ser geridos por um departamento, cuja sede deverá ficar fora do distrito da Guarda.

O que me preocupa não é que o departamento que gere estas áreas protegidas fique fora do distrito da Guarda ou do de Castelo Branco. Pelo que tenho visto, fico sem saber se, nestas coisas, a proximidade ao terreno e às "forças vivaças" regionais é uma coisa boa. O que me preocupa é a hipótese de estas áreas protegidas estarem, de facto, em gestão corrente. Espero que seja, também, apenas sensacionalismo.

"Coimbra não deve mandar na Serra"

O título deste post foi retirado, assim, tal e qual, com as aspas e tudo, da primeira página do Notícias da Covilhã de hoje. Na manchete não consta mais nada, a não ser o número da página (pág. 6, já agora) onde a notícia é desenvolvida. Podemos lê-la aqui (o link pode não ser permanente).

Li o artigo com atenção e não encontrei a frase de chamada usada na primeira página. Mas percebe-se que se refere à possibilidade de aglomerar as várias Regiões de Turismo da zona Centro (quantas serão? Não faço ideia) numa única, que ficaria, especula-se, sedeada em Coimbra. Podemos ler, no corpo da notícia, que Jorge Patrão (Presidente da Região de Turismo da Serra da Estrela) é contra esta possibilidade, porque entende que a Serra da Estrela tem uma identidade própria e bem marcada no imaginário dos portugueses, pelo que a sua promoção enquanto destino turístico ficaria prejudicada se se diluisse numa "marca" menos forte, menos conhecida, não tão imediatamente reconhecível.

Não quero tomar parte nesta discussão, senão para dizer o seguinte: acho que, sendo a Serra da Estrela um destino turístico com especificidades tão evidentes (e são elas que a tornaram numa "marca forte"), devia ser promovida aproveitando essas especificidades, e não algarveando-a, como Jorge Patrão tem defendido. Se é para isso, tanto faz a coisa ser dirigida da Covilhã, de Coimbra, de Madrid ou de Sidney. E não, a especificidade da Serra não é só a neve, ou, se é, está em vias de deixar de o ser. Quero ainda notar que me aflige muito mais a tendência da concentração dos serviços de primeira necessidade para as populações (maternidades, escolas, hospitais, tribunais). Que se concentrem as Regiões de Turismo? Francamente, não me aquece nem m'arrefece...

Mas o que me motivou para a escrita deste post foi a frase de primeira página. O facto de estar entre aspas dá a entender que se trata de uma citação. Mas não se indica o nome do citado. Sendo Jorge Patrão o "protagonista" da notícia, somos levados a crer que o citado é ele. Por outro lado, já sei que nem sempre o que nos jornais parece é. Mistério...
"Coimbra não deve mandar na Serra"... É uma frase nitidamente sensacionalista. É uma Alberto-João-Jardinice, muito ao estilo dos figurões cá do burgo. Quem lê aquilo, entende isto:

"Aqui d'el Rey, que Coimbra nos rouba a Serra! A mim, Serranos! Acudam!"
Estes toques a reunir são sistemáticos no nosso país, e mais sistemáticos ainda na nossa região (não chegámos ainda ao exagero da Madeira, mas já faltou mais). São uma VERGONHA. O mau gosto tem limites.
E, vejamos, serve para quê, esta tirada? Por um lado, serve para vender jornais. Por outro, serve os interesses de Jorge Patrão. Ao fim ao cabo, traduzindo tudo nesta mesma linguagem caceteira, se vier a ser Coimbra a "mandar" na Serra, deixará de ser ele, não é?

Olhares Montanheiros

A exposição Olhares Montanheiros, dos fotógrafos Nuno Verdasca e João Gil, aberta ao público no Arquivo municipal de Manteigas desde 16 de Abril, termina no dia 12 de Maio, ou seja, depois de amanhã, às 16:30. Para marcar o encerramento da exposição e, simultaneamente, o final da 1ª Caminhada pelo Ambiente da Serra da Estrela, a Associação dos Amigos da Serra da Estrela vai realizar um debate, aberto a todos, sobre os ambientes de montanha, com o título "Um outro olhar sobre as montanhas". O debate terá lugar no Auditório Municipal do Centro Cívico de Manteigas, após o encerramento da exposição.

quarta-feira, maio 09, 2007

Thinking blogger award

O Máfia da Cova nomeou O Cântaro Zangado para os seus cinco Thinking blogger awards. Não só o fez (coisa que já não seria de pouca monta, sendo o Máfia quem é — Basta dizer que recebe por dia quase tantas visitas como o Cântaro Zangado por mês), como o fez em termos particularmente elogiosos, o que nos deixou, aqui no Cântaro, todos babados... Se merecemos ou não esta nomeação, não é assunto nosso, é de quem nos nomeou, de forma que festejámos sem pensar nisso. Muito obrigado, Máfia da Cova!

De acordo com as unwritten laws destes Thinking blogger awards, cabe-nos agora nomear cinco novos "eleitos". Sobre isto, devo dizer o seguinte. O Cântaro Zangado não é sobre mim (José Amoreira) nem sobre o meu comparsa Tiago Pais. Não é sobre as novas formas de comunicação social, blogs incluidos. Não é sobre novas dinâmicas sociais que os blogs potenciam. É sobre a Serra da Estrela, apenas. Só muito raras vezes nos referimos aqui a assuntos não directamente relacionados com a Serra. Não é que não tenhamos opiniões sobre outros temas, é que não as queremos exprimir aqui. Este post, aliás, só o publicamos por uma evidente obrigação de cortesia para com os que nos nomearam. Assim, não vamos nomear nenhum outro blog (embora haja muitos que o mereçam). Pedimos perdão por não levar mais longe este simpático jogo.
E vai daí, afinal, não. Renomeamos o Máfia da Cova, não por simpatia mas porque, de facto, o merece.

O PNSE na Kaminhos

O outro artigo publicado hoje pela Kaminhos sobre a questão dos fogareiros do Covão d'Ametade foi baseado em declarações do Engº Fernando Matos, Director do PNSE. Pode lê-lo aqui.

Imagino que esteja também afectado de pequenas imprecisões ou pode acontecer que não, que por Fernando Matos estar mais habituado do que eu a lidar com a imprensa, se consiga fazer entender melhor. Seja como for, o que aparece na notícia (corresponda fielmente ou não às opiniões de Fernando Matos sobre este assunto) merece-me os comentários que se seguem.

  • Os novos fogareiros não vão minimizar (ou seja, tornar mínimo) o risco de incêndios. Podemos discutir se esse risco é maior ou menor do que com os pequenos e toscos grelhadores que já lá existiam, mas é óbvio que o risco se minimiza aplicando a lei que proíbe fazer fogos em áreas de floresta durante o Verão. Ou seja, se é para minimizar o risco de fogos, não se devem, pura e simplesmente, fazer grelhados ao ar livre no Covão d'Ametade durante o Verão, seja em que condições for. Ora, é no Verão que apetece lá fazer grelhados. Para que servirão, então, os grelhadores?
    Dito isto, quero ainda argumentar que estas novas estruturas não só não minimizam o risco de incêndio, como o tornam maior do que o associado aos antigos grelhadores. A variável relevante para avaliar o risco de incêndio não é o risco por grelhador (que admito seja menor agora) a que se refere Fernando Matos, mas sim o risco por grelhado, multiplicado pelo número de grelhados efectivamente realizados. Ora, estas novas estruturas permitem mais fogos em simultâneo, tornam o grelhar mais confortável (o "chef" não é obrigado a agachar-se para controlar o grelhado) e, por serem mais visíveis, lembrarão a mais visitantes a possibilidade da feitura de grelhados. Penso que porque se instalaram estes grelhadores, haverá mais grelhados no Covão d'Ametade. Encorajámos deste modo a realização de grelhados, logo, aumentámos o risco da ocorrência de incêndios, porque contribuímos para aumentar o número de fogueiras ao ar livre feitas no Covão d'Ametade.
  • Não compreendo de que maneira "estamos a dar mais qualidade e segurança ao local". A qualidade do lugar resulta da sua beleza e tranquilidade. Os grelhadores, mesmo sem entrarmos em valorações estéticas, constituem elementos marcadamente estranhos ao local, que se impõem pelas suas dimensões e linhas geométricas. Achemo-los bonitos ou feios, contrastam vincadamente com os elementos que fazem a maravilha que é o Covão. É portanto, como aliás reconhece Fernando Matos, muito discutível o seu enquadramento. Discutamo-lo, portanto. Ah, já não vale a pena, a obra já está em curso, já não há tempo para discutir, avaliar opções, escolher seja o que for. Ou seja, apesar de se considerar o enquadramento destas estruturas discutível, optou-se por não o discutir.
  • Sobre a destruição do cervunal que afinal não existe no Covão d'Ametade, já disse o que tenho a dizer no post anterior. Seja como for, quando lemos opiniões de especialistas segundo os quais a Serra da Estrela esteve em tempos quase totalmente coberta por floresta, incluindo carvalhos, bétulas e tramazeiras, e que só a acção humana da pastorícia e agricultura lhe deu o aspecto despido que tem hoje, perguntamo-nos qual o significado da expressão "habitat natural" na Serra da Estrela. Pensava que era ponto assente que praticamente não existem habitats verdadeiramente naturais na Serra da Estrela. Isso significa que não vale a pena conservar os que existem? Não acredito que seja essa a posição do Director do Parque Natural da Serra da Estrela.
  • Este empreendimento não é, pelo que pude perceber quando contactei o PNSE e agora após ler a notícia da Kaminhos, uma iniciativa do PNSE, mas sim da Associação de Compartes de Baldios da freguesia de S. Pedro (Manteigas). É óbvio (será? Já nem digo nada) que esta Associação pediu e teve autorização do PNSE para realizar as obras. Mas a autorização dada, responsabilizando o PNSE, não isenta de responsabilidades ainda maiores os promotores da obra. Não percebo porque é que é o PNSE a fazer a sua defesa, e a fazê-lo nos termos em que o faz, afirmando que "as críticas não têm qualquer fundamento". Têm fundamento, sim senhor, e os que as fazem têm-no apresentado, desde o início desta história.
  • «Estamos a cumprir as regras para os parques de lazer», afirma Fernando Matos. Muito bem. E quando (admitamos hipoteticamente) a Associação de Compartes de Baldios da freguesia de S. Pedro (Manteigas) pretender, ao abrigo dessas mesmas regras, instalar um campo de futebol de cinco, um ringue de patinagem, uma piscina ou um parque infantil com escorregas e baloiços? O PNSE será, também, favorável, considerará o seu Director que se está, também, a dar mais qualidade ao local?
Mais uma vez, volto a dizer que simpatizo com o PNSE. Apesar de atitudes como esta que aqui comento, considero que o papel do PNSE tem sido fundamental em diversas ocasiões. Se não fosse o PNSE, a situação ambiental da Serra da Estrela seria hoje bem pior, parece-me. Mais ainda, acho que o PNSE é credor de uma dívida de gratidão por parte da Região de Turismo e dos operadores turísticos regionais, pelo até agora único esforço sério e consequente de desenvolvimento do turismo de natureza, com a elaboração e documentação da rede de percursos de grande rota da Serra da Estrela. Essa dívida nunca é reconhecida por parte dos devedores. Antes pelo contrário, vemo-los gritar que o que chamam desenvolvimento do turismo na Serra da Estrela está refém de técnicos do Parque que pretendem tão só ver aplicada a lei das avaliações ambientais para empreendimentos em áreas protegidas(1), ou exigir que os projectos em curso não esbarrem em impedimentos ambientais(2)! Voltando aos fogareiros, espanta-me ver o director do Parque reagir deste modo aos que, defendendo uma maior protecção da natureza, criticam intervenções massificadoras e "suburbiantes" como esta e tão pouco dizer (publicamente, pelo menos) sobre os que o acusam de pretender cumprir uma sua função principal: a de proteger o ambiente da Serra da Estrela.

(1) Refiro-me a afirmações de Artur Costa Pais (administrador da Turistrela) que comentei aqui e de Jorge Patrão (presidente da Região de Turismo) que comentei aqui.

(2) Ver declarações de Jorge Patrão no Público Edição Centro de 31 de Março de 2006, pág 60, que comentei aqui, aqui, aqui e aqui.

O Cântaro Zangado na Kaminhos

A Kaminhos publica hoje dois artigos sobre a questão dos fogareiros, um dos quais baseado em declarações prestadas por mim (como membro da Plataforma pelo Desenvolvimento Sustentável da Serra da Estrela, embora falando a título individual). Clique aqui para o ler.

O artigo tem algumas incorrecções menores, sem grande importância e que podem ser resultado de não me ter feito entender bem. Por exemplo, dá a ideia que eu considero que as máquinas estragaram de forma extensa as margens do Zêzere, coisa que não corresponde à verdade. Há estragos, de facto, mas são muito localizados ao sítio onde as máquinas fizeram as suas travessias. Critico o facto de terem andado com máquinas pesadas no Covão d'Ametade, mas, do mal o menos, tiveram o cuidado de usar sempre o mesmo trajecto. A minha ideia sobre os estragos cometidos no local está bastante bem explicada neste post. Não acho que a instalação destes fogareiros tenha sido o fim do Covão d'Ametade e não quero dar essa ideia.
Outra incorrecção na mesma linha é a de que critico os grandes estragos feitos ao "cervunal". Como acabei de explicar, não considero que os estragos feitos (que existem e são mostrados pelas fotos aqui e noutros sítios publicadas) sejam generalizados. E poderei eventualmente ter usado a expressão "cervunal". Mas duvido. É que, não sendo especialista, tenho alguma cautela na utilização de termos técnicos. Note que, nos posts anteriores, refiro-me apenas ao "relvão" (termo que poderá ter uma definição técnica precisa mas que uso sem essa pretensão), só falo de "cervum" no post em que recordo acontecimentos antigos, porque foi com esse termo que a minha memória (eventualmente imprecisa) fixou esses acontecimentos. Para que se saiba, não há cervunal no Covão da Ametade, assim o diz (e eu acredito, evidentemente) o Director do Parque Natural da Serra da Estrela, Engº Fernando Matos.
O artigo veicula a noção de que eu transmiti a posição da PDSSE. Acredito que essa posição não estará (quando for definida) muito afastada do que ali disse, mas acontece que a PDSSE, sendo constituida por muitas pessoas e associações dispersas pelo território nacional e sendo um organismo sem hierarquia definida, tem um ritmo lento na tomada de posições. Ainda não acabámos, na PDSSE, as discussões sobre este assunto. No mesmo registo está o subtítulo da notícia, «Amigos da Serra queixam-se de “impacto visual negativo”». Acontece que a Amigos da Serra da Estrela é uma associação cultural que, por acaso, integra a PDSSE e da qual, por acaso também, sou sócio. Mas, tanto quanto sei, a ASE não tomou qualquer posição sobre este assunto nem nenhum dos seus membros mais influentes prestou sobre ele declarações.

terça-feira, maio 08, 2007

Que não seja por se ter esquecido...

1ª Caminhada pelo ambiente da serra da Estrela

Por acaso, nos dias 12 e 13 de Maio decorre por toda a Espanha a iniciativa Montañas en Red. É uma coincidência interessante e dá maior peso à nossa iniciativa e à deles também. Podemos dar o nosso contributo para fazer deste dia uma grande festa ibérica pela protecção das montanhas!

CERVAS

O Centro de Ecologia, Recuperação e Vigilância de Animais Selvagens é uma estrutura do Parque Natural da Serra da Estrela, sedeada no concelho de Gouveia. Entre outras funções, tem a de hospedar e tratar animais selvagens feridos, doentes ou subalimentados. Um dos "utentes" do CERVAS foi a geneta a que me referi aqui. Outros "utentes" destes serviços podem ser admirados no blog Cenas Renas.

São estas e outras (tantas, mas tantas!) como estas que me fazem simpatizar com o PNSE.

domingo, maio 06, 2007

Os pato bravos somos nós

Acaba assim o artigo de António Barreto no Público de hoje:
[Eles] Conhecem a lei melhor que ninguém e, quando não conhecem ou esta não lhes é favorável, mudam-na. Derrogam os planos oficiais. Retiram terrenos da reserva agrícola. Eles sabem tudo. Têm planos de desenvolvimento e prometem levar Portugal para a frente. São optimistas. Acreditam no futuro. Apostam na inovação e no moderno. Eles estão no meio de nós. Portugal é um país de patos bravos.
Eu diria mesmo mais: eles somos nós. O cidadão anónimo que acha que "com este autarca sim, vê-se a nossa terra andar para a frente", só porque tem mais um shopping na periferia e mais uma rotunda ajardinada, ou que entende que para desenvolvermos o turismo precisamos de mais estradas pela serra, ou que vota no trafulha que distribui benesses e subsídios ao clube de futebol... Os patos bravos não são uns "eles" que nos estragam a paisagem e as cidades, que temos que "localizar e neutralizar". Os patos bravos somos nós.

Já vai sendo altura de se abrirem os olhos: tanta promessa de levar Portugal para a frente, tanto optimismo, tanta crença no futuro, tanta aposta na inovação e no moderno, onde é que nos tem levado, até agora?

sexta-feira, maio 04, 2007

Radicalmente sensato (3)

Só mais uma coisinha. Com este sururu do Covão da Ametade, até me esqueci daquela série que estava a preparar rebatendo a acusação de radicalismo.
Francamente, aqui entre nós, diga-me: radical?! Quem, o Cântaro Zangado?!

Bom fim de semana!

Aproveito para dizer que estive hoje de manhãzinha no Covão da Ametade. As fotos que agora aqui deixo, bem como as que ilustraram o post "O avançar da foleirice (2)", foram então tiradas. Como se pode ver, o Covão da Ametade ainda é o Covão da Ametade. Mas agora está decorado com uns mamarrachos enormes, foleirotes e desnecessários, e há uma espécie de caminho de terra revolvida, gerado pela passagem das máquinas, que atravessa o Rio Zêzere.
Estou a tentar dizer que o que fizeram ao Covão da Ametade é horrível, sim, mas ainda não chegou a hora de desistir. Ainda não está tudo estragado.

Mais uma vez, bom fim de semana!

Ainda sobre o Covão da Ametade

Em 1990 ou 1991, participei no Nevestrela. Chegamos no Sábado depois de almoço ao Covão da Ametade. Estava frio, nevoeiro, chuva miudinha (que se transformou em neve perto da hora de jantar), o Covão estava coberto com meio metro a setenta centímetros de neve dura, já acamada desde Dezembro (foi um ano de muita neve). Chegados ao Covão da Ametade, demos com o pessoal todo (nesse ano participaram perto de quatrocentas pessoas) com as mochilas arrumadas, tendas por montar, em pequenos grupos que discutiam acaloradamente. Notava-se a tensão no ar.
Que se passava? O PNSE não autorizava a realização do evento, aparentemente por causa de possíveis danos para o cervum. Estranho, pensava eu para com os meus botões. O cervum está protegido por uma armadura de meio metro de espessura, e eu já vi ranchos folclóricos actuarem aqui no Verão, espezinhando entusiasticamente este mesmo cervum...
O resultado foi que fomos todos acampar para o estradão de Beijames (entre a Nave de Santo António a zona sobre o Poço do Inferno). E o cervum? Ao que vemos nas fotos dos posts anteriores, o cervum está bem, protegido pelo sempre vigilante PNSE. Imagine-se agora que o parque tinha autorizado, nesse ano, o Nevestrela...

Como sempre quando lhe faço reparos, quero aqui deixar claro que simpatizo com o PNSE, que espero que cumpra a sua função, ou seja, que efectivamente este espaço natural (ainda) maravilhoso que é a serra da Estrela seja protegido dos que a agridem, com ou sem conhecimento do que estão a fazer. Ou seja, espero que o PNSE limite, quando assim o entender, a minha liberdade como praticante de montanhismo que sou. Mas não pode ser só a liberdade dos montanhistas a ser condicionada.

O avanço da foleirice (2)

Já fiz vários posts como este que se segue, mostrando que, quando se faz alguma coisa na Serra, até parece que se tenta fazer o pior possível, causando o maior impacto possível. Cá vai, mais uma vez.
Imaginemos que considerávamos que os grelhadores que já existiam no Covão da Ametade não chegavam ou não eram suficientemente... Como dizer... Não eram suficientemente, assim, prontos, tipo, requalificados... Claro que para o considerarmos, deveríamos em princípio ter feito estudos, com sondagens a visitantes, que apontassem nessa direcção. Academicamente, aceitemos que esses estudos tivessem sido feitos.
Considerando então que eram necessários novos grelhadores, diga-me, caro leitor: tinham mesmo que ser estes mastodônticos altares ao Deus dos Grelhados? Era necessária esta foleirice incaracterística das placas de granito polido? Tinhamos mesmo que introduzir, no coração da Serra, pseudo-referências bacocas à obra de Siza Vieira?
A imagem em baixo mostra um desses antigos, rústicos e pequenos grelhadores, que aproveitavam sem agredir o que naturalmente existe no local, lado a lado com um magnífico exemplar deste importante esforço de "beneficiação". Continuo com as questões: aquela enorme sapata de brita, nivelada, seria mesmo necessária? E, para fazer chegar os materiais aos locais eleitos, não haveria outro meio que não a maquinaria pesada, atravessando à bruta o leito do Zêzere, desfazendo as margens e revolvendo o relvão no trajecto? Quem é que, gostando da Serra e de a visitar, fica agradado por esta foleirice de subúrbio? Um amigo deixou um desabafo num comentário ao post anterior que dá uma achega a esta questão:
Nem sequer fico irritado. Fico é triste por verificar que dentro de poucos anos deixarei de ir escalar para a Serra da Estrela por esta estar transformada numa aberração com a alcunha de parque natural.
Este desabafo diz tudo sobre como se está a "desenvolver" o turismo na Serra da Estrela. Diz também muito sobre como se está a proteger a natureza na Serra da Estrela.

quinta-feira, maio 03, 2007

Nem de propósito!

No fim de semana dos dias 12 e 13 de Maio a Red Montañas leva a cabo uma jornada de manifestações em todo o território de Espanha em prol da protecção do ambiente das montanhas do país. Mais detalhes na página da iniciativa.

Recordo que dia 12 de Maio terá lugar, também a 1ª Caminhada pela Protecção do Ambiente da Serra da Estrela, organizada pela Plataforma pelo Desenvolvimento Sustentável da Serra da Estrela.
Ele há cada coincidência! Como diz o outro, "no creo en las brujas, pero que las hay, las hay!"

O avanço da foleirice

Um amigo enviou-me fotografias recentes (tiradas a 30 de Abril) do Covão da Ametade. Incluo aqui algumas, o resto poderá apreciar aqui.

O que se passa? Aparentemente, alguém entende que o Covão da Ametade precisa de (mais) grelhadores. Aparentemente, esse alguém entende que os grelhadores mais ligeiros, mais rústicos, melhor integrados que já lá existiam não serviam, não chegavam, ou não eram suficientemente... Como dizer... Não eram suficientemente, assim, prontos, tipo, requalificados... Aparentemente, esse alguém comprou estas enormes placas de granito, transportou-as para o Covão da Ametade usando maquinaria pesada e atarefou-se com essa mesma maquinaria pesada para cá e para lá, naquele local emblemático da Serra da Estrela.

Ah, um homem com uma retro-escavadora, a alegria dos prazeres simples da vida! Volta-se à infância!

Vejam bem como o Covão da Ametade se está, finalmente, a requalificar! Agora sim! Com estas "pequenas" capelas erigidas ao Grande Deus dos Grelhados, vamos arrancar do marasmo! Agora sim! Com toda esta terra revolvida e sulcada pelo rasto das máquinas, vai inverter-se o processo de desertificação! Agora sim! Teremos um verdadeiro turismo de qualidade!

Não chegava já as Penhas da Saúde, não chegava já a Torre, não chegava já o Sabugueiro. Agora é a vez do Covão da Ametade se "requalificar", se "ordenar", se "desenvolver". E que bem desenvolvido, ordenado e requalificado que está a ficar! Estamos de parabéns, estamos no bom caminho!
Como sempre.

Já informei o PNSE sobre isto. Não desconheciam a existência de um projecto, mas fiquei com a ideia de que que não estão a ver bem a coisa. Imagino que a Plataforma pelo Desenvolvimento Sustentável da Serra da Estrela irá em breve tomar uma posição de repúdio por mais este avanço da foleirização, pelo que ele representa e pelo modo vergonhoso como está a ocorrer. O Covão da Ametade também é nosso!

terça-feira, maio 01, 2007

Desenvolvimentos?

(Urze, rosmaninho e pinheiros ao alto, giestas amarelas e brancas a meia encosta, folhagem nova de carvalho-negral em primeiro plano: Maio na Serra da Estrela.)

Veja-se esta notícia (em galego no original)

A pesar de ser Galicia o país do mundo con maior intensidade de instalación de enerxía eólica (88 kW/Km2), o desenvolvemento desta enerxía renovable pouco contribuiu á súa sustentabilidade ambiental, social e económica. Ademais, ten sido unha causa de deterioración dalgúns espazos naturais.

Ou seja, a instalação de parques eólicos parece não estar necessariamente associada ao desenvolvimento das condições económicas locais, à melhoria das condições de vida da população, à modernização.

Outro exemplo, com uma fonte de energia completamente diferente. Leia-se na National Geographic de Fevereiro de 2007 o artigo "Curse of the black gold — Hope and betrayal in the Niger Delta". Este artigo mostra como a descoberta e exploração de importantes jazidas de petróleo no delta do rio Níger se revelou dramática para as condições de vida das populações da região. Tanta "riqueza", tanto desenvolvimento, transformou num inferno a vida daquela gente.

Não basta desenvolver-se o aproveitamento de uma vantagem regional para se notarem generalizadamente nessa região os benefícios desse aproveitamento. Muitas vezes (como é particularmente notório no caso do delta do Níger), apenas ficam na região os inconvenientes do empreendimento. As vantagens fogem da região ou ficam concentradas em tão poucos que, para todos os efeitos, é como se tivessem fugido.

Os promotores dos grandes empreendimentos, dos chamdos "projectos âncora", andam nisto não para desenvolver, requalificar, modernizar ou evitar a desertificação, por muito que nos tentem convencer disso. Andam nisto para ganhar dinheiro, para ganharem muito dinheiro, todo o que puderem. Não é necessariamente uma motivação ignóbil, não é necessariamente uma coisa má. É o que faz andar o mundo. Mas é uma motivação egoísta e, porque assim é, devemos desconfiar dos discursos grandiloquentes. Apregoam sempre grandes esperanças, mas frequentemente escondem traições. "Hope and betrayal", como no título do artigo da National Geographic. Para que as grandes promessas efectivamente se cumpram, é necessário vigiar atentamente os que as fazem, vinculá-los com regulamentos que incluam obrigações justas, bem definidas e cujo cumprimento seja facilmente verificável. Se os deixamos livres de obrigações, que obrigações, ao certo, esperamos que cumpram? Que "desenvolvam o tecido económico"? Que "evitem a desertificação"? Que nos "arranquem do marasmo"? Que "melhorem as condições de vida"?

À nossa escala, já todos vimos este jogo da esperança e da traição ocorrer na Serra da Estrela. Continua a acontecer. São sempre os mesmos a traficar a esperança, são sempre os mesmos a ganhar com as traições. Durante quanto mais tempo ainda continuaremos a achar que este é o jogo que nos trará desenvolvimento, durante quanto mais tempo ainda nos deixaremos enganar?

Bom primeiro de Maio.

Algarvear a Serra da Estrela? Não, obrigado!