sábado, março 31, 2007

As maravilhas da Serra

Não se descobrem num "pronto a usufruir". É preciso respeito e responsabilidade. É preciso sentir o chão nos pés, o coração no peito, o vento na cara. É precisa atenção.
Não é com câmaras nem com gravadores que se registam essas maravilhas. Nem é em quinze minutos que se "ganham".
São de graça. Mas não têm preço.

A terra onde vivo não é como as outras

Por isso mesmo, frequentemente desejo sair, para encontrar o que não existe aqui. Mas os de fora também, concerteza, quererão cá vir, à procura do que não encontram noutros lados.
O que é que não encontram noutros lados? O que é que não podem encontrar noutros lados?
E o que é que lhes estamos a tentar "vender"?
Vai um casino? Uma "mini-cidade"? Uns shoppings? Umas voltinhas de carro? Muita, muita "animação"? Umas telecabines "como as do Parque das Nações"?
Mas que "pérolas" tão "originais"...

A terra onde vivo não é como as outras

A terra onde vivo não é como as outras

A terra onde vivo não é como as outras

Coisas para fazer

Diversas empresas da região oferecem actividades interessantes. Veja os sites da Mesmo que o queiram convencer do contrário, acredite que há muito mais para fazer na Serra do que andar à procura de lugar para parar o carro na vizinhança do "centro comercial" da Torre. Boa Páscoa!

Pode haver mais clubes com actividades abertas ao público em geral de que não me lembro agora. Pode haver mais empresas com actividades na Serra de que também não me estou a lembrar. A todos os esquecidos, apresento as minhas desculpas. Façam chegar a informação ao Cântaro Zangado, teremos o maior prazer em fazer a divulgação aqui.

quinta-feira, março 29, 2007

E vão três...

Terceiro artigo da série que Francisco Paiva publica n'O Interior com o título geral "A Beira Interior e a Serra: notas sobre planeamento e turismo". Pode lê-lo clicando aqui. Aqui vai um excerto (os negritos introduzi-os eu):
Os Programas Integrados Turísticos de Natureza Estruturante de Base Regional (PITER) contêm a incoerente premissa de desejar alcançar, nestas matérias, em tempo limitado "alterações estruturais na oferta turística local ou regional, e impacte económico-social significativo na área territorial em que se inserem". Ora, a estratégia mais simples – menos estratégica – está a ser a musealização, nalguns casos a mumificação e a pura e simples promoção imobiliária, a pretexto do aumento da oferta de quartos, em áreas non aedificandi e a alienação de património público classificado. Por outro lado, carece de prova que o turismo de montanha, com ou sem neve, seja compatível com a previsível intensificação.
Falando por mim, como turista de montanhas, "carece de prova", de facto...

quarta-feira, março 28, 2007

"Borat veio à Serra"

Encontrei este excelente artigo no excelente blog Guarda Nocturna, de António Godinho Gil. O artigo é sobre as hordas que aparecem na Serra nos fins de semana de Inverno, especialmente na época das férias de Natal e Carnaval. Só um bocadinho para colocar em contexto [mas vá ao Guarda Nocturna e leia o(s) artigo(s) todo(s)]:
Desde logo, ressalta o aparato algo excessivo dos veículos "todo o terreno", equipados como se participassem numa expedição ao Ártico.
Com menos palavras, e não tão bem escolhidas, o meu amigo de escaladas diz mais ou menos o mesmo: "Somos mesmo um país de parvoetas"!

Milhões de carvalhos

No dia da árvore, 21 de Março, interromperam-se as actividades do programa Um milhão de carvalhos para a Serra da Estrela. No próximo Outono retormar-se-ão os trabalhos.
Um verdadeiro balanço do que se fez até agora só ficará completo depois do Verão, quando se puder avaliar quantas das árvores semeadas e plantadas resistiram aos meses mais quentes e secos. Ainda assim, os organizadores apresentam números impressionantes. No total, foram plantadas ou semeadas 48217 árvores no Vale do Zêzere e em vales afluentes, a altitudes situadas entre os mil e quatrocentos e os mil e seiscentos metros. Participaram nas actividade um total de 1641 pessoas, com idades compreendidas entre os três e os oitenta e três anos, com as mais variadas origens (apareceu até um grupo de Salamanca). Foram plantados carvalhos (Quercus pyrenaica), claro, mas também bétulas (Betula celtiberica), tramazeiras (Sorbus aucuparia) e áceres (Acer pseudoplatanus).
Esta iniciativa contou com apoio de alguns serviços do estado, a saber, do Parque Natural da Serra da Estrela (que cedeu 4300 árvore jovens) e da Força Aérea (que disponibilizou um helicóptero para o transporte dessas mesmas árvores). Um apoio menos material mas, parece-me, igualmente relevante, foi a presença do Secretário de Estado do Ambiente, Humberto Rosa, na cerimónia de lançamento do programa. Mais de resto, foram os participantes que fizeram tudo!
Para o ano há mais!

O Diário XXI traz hoje uma notícia sobre este assunto.

segunda-feira, março 26, 2007

Senso Comum

(Castanheiros antigos perto da albufeira do Caldeirão, Guarda)
"Uma cultura não é melhor do que as suas florestas"
Disse W. H. Auden, citado por Ronald Wright em "Uma breve história do progresso" (Dom Quixote, 2004), p. 85. O autor passa uma grande parte do livro a mostrar, com exemplos da história das civilizações, que só muito raramente uma cultura sobrevive muito tempo à destruição das suas florestas.

sábado, março 24, 2007

"Aproveitem os últimos anos de paisagem natural em Portugal"

É o título de um artigo de Pacheco Pereira sobre a "febre das eólicas" a não perder, no Público de hoje. Só um excerto:
Já quase não vale a pena dizer que não precisava de ser assim, que era possível "ordenar" de forma mais racional com respeito aos valores diferenciados o nosso território, que é tão pequeno e tão fácil de estragar. Que, como se vê com as eólicas, desde que muita gente, grandes empresas e autarcas em particular, percebeu que havia muito dinheiro a ganhar, acabaram as resistências [...] e começou a competição por trazê-las a tudo o que é monte e vento, sem ordem, sem plano, sem qualquer consideração pelo espaço natural. O problema não está nas energias renováveis, que são de apoiar sem hesitação, está, como em tudo, na combinação de ganância com desenvolvimentismo, na pressa para ganhar dinheiro no primeiro sítio onde ele pareça poder ganhar-se, levando aos parques eólicos e às barragens o mesmo caos intenso que já conhecemos de todo o lado.
Desta nova modalidade do caos intenso que já conhecemos tão bem, a Estrela promete vir a ser um triste exemplo. Como se não fossem já suficientes as caóticas tristezas que temos na Serra...

Pode ler o artigo todo no blog de Pacheco Pereira, o Abrupto.

sexta-feira, março 23, 2007

quinta-feira, março 22, 2007

E vão dois de cinco!

Segundo artigo da série que Francisco Paiva publica n'O Interior com o título geral "A Beira Interior e a Serra: notas sobre planeamento e turismo". Pode lê-lo clicando aqui. Aqui vai um excerto:
Os aldeamentos tentam juntar na menor área o maior número de pessoas, preferencialmente no rés-do-chão. São aglomerados desinteressantes e estereotipados que se estendem e reproduzem, qual maré-negra, têm uma manutenção exigente, morosa e ambientalmente insustentável. Embora reveladores, são especialmente preocupantes os louvores de responsáveis públicos a este modelo, há muito ultrapassado, especialmente quando surgem por toda a Europa, em contraponto a esta tipical e frenética ocupação dos espaços naturais e rústicos, as aldeias e vilas "lentas". O turismo de montanha não é incompatível com a vida e o alojamento em meio rural e urbano. Pelo contrário, deve ser estimulada a interacção entre o turista e o autóctone como meio de enriquecimento mútuo, não somente mercantil.
Mmmm, isto lembra-me qualquer coisa... Mas não se trata de um aldeamento. É antes uma super - hiper - mega - rifixe e fantástica mini-cidade!

Nota: Na minha referência ao primeiro artigo desta série, a link para o artigo n'O Interior estava mal "apontada", fazendo a ligação a um artigo que nada tinha que ver com este assunto. Já corrigi a pontaria.

As árvores ornamentais e os cotos informes

Pessoalmente, gosto muito mais de florestas do que de jardins ou de parques. Interessam-me muito mais as árvores em espaços rurais e naturais do que as árvores ornamentais urbanas. Parece-me que estas últimas nem serão assim lá muito assunto do Cântaro Zangado. Mas falou-se ontem, no Diário XXI (veja aqui), das árvores ornamentais e das podas catastróficas (rolagens) a que são sujeitas em todo o país, e eu quero meter a minha colherada.
O Pedro N. T. Santos do Sombra Verde tem mostrado muitas árvores e algumas rolagens, na Covilhã e noutras localidades. Num post de ontem, este "caçador de árvores" disse que nem vale apena plantá-las, se é para alguns anos mais tarde as decepar miseravelmente. Eu concordo inteiramente com ele. É difícil não concordar. A fotografia que ilustra este post mostra duas tílias do Bairro do Rodrigo, na Covilhã (pode admirá-las com folhas aqui). Repare no pequeno coto informe, à esquerda. Qual é o valor ornamental "daquilo"? Quando é que, e por que magia, será o valor ornamental "daquilo" comparável com o do espectacular exemplar ao centro, que se impõe naturalmente como o objecto da fotografia?

Já que estou em maré de perguntas, eis a que mais me incomoda: quando chegará a vez desta magnífica árvore ser também vítima de um "trabalho bem feito", como chama às rolagens o sr. presidente da Junta de Freguesia de S. Martinho (responsável por misérias semelhantes noutra zona da Covilhã)?

quarta-feira, março 21, 2007

O Dia da Árvore!

As árvores são como aquelas raras pessoas que não se cansam de dar embora raramente recebam em troca! E de facto elas pedem tão pouco, pedem apenas que as deixem estar! Poderá haver algo mais humilde do que isto. No entanto, há algo mais que podemos fazer, todos, e que é tão simples. Todos podemos plantar uma, duas ou dezenas de árvores. Seja onde for, elas agradecem. E se a primeira não vingar, uma delas o fará porque elas são execelentes sobreviventes!

A fotografia que coloquei em cima é um dos exemplares mais belos que tenho lá em casa. Desde o ano passado, inspirado pelo comparsa Pedro do blog "A sombra verde" e pela Campanhã "1 Milhão de Carvalhos para a Serra da Estrela" promovida pela ASE, que já semeei umas 20 sementes em vasos lá em casa. Dessas já germinaram umas 8 ou 10, das quais já ofereci 3 exemplares muito apreciados por quem os recebeu. Com isto estimulei essas e outras pessoas a plantarem as suas próprias sementes também. É um verdadeiro prazer...experimentem, não custa nada!

O liberal monopólio

Artur Costa Pais, administrador e proprietário da Turistrela, referindo-se à concessão exclusiva do turismo e dos desportos atribuída (em 1970, e está para durar mais algumas décadas!) à sua empresa, tem repetidas vezes afirmado que o monopólio não existe, que a concessão exclusiva "é só no papel", que não pretende entravar projectos de investimento de ninguém.
Aqui no Cântaro Zangado já disse que a questão não está na maior ou menor "simpatia" que a Turistrela mostra aos seus eventuais concorrentes, a questão está nas possibilidades, que os decretos-lei 325/71 e 408/86 põem nas mãos da Turistrela, de inviabilizar os negócios concorrentes. Segundo Artur Costa Pais, hoje em dia a Turistrela tolera, magnânima, pequenos negócios de terceiros; e amanhã? E se os negócios crescerem? Enquanto os decretos-lei que definem e regulam a concessão exclusiva estiverem em vigor, estas questões não terão resposta satisfatória para nenhum potencial investidor.
Mas vá, admitamos que sim, que o monopólio "é só no papel". Como devemos então entender este excerto
[...] Turistrela, the exclusive concessionaire of tourism operations above 800 metres, [...]
retirado de um comunicado de imprensa da Vodafone, datado de 30 de Novembro de 2005, apresentando o patrocínio que a empresa fez à estância de esqui da Turistrela?

Mudando de assunto, outro excerto significativo deste comunicado de imprensa é o seguinte:

This sponsorship fits perfectly with Vodafone' positioning and sponsorship strategy, blending naturally with its brand values and with the audiences to which Vodafone speaks to.
Sobre os "Vodafone brand values" e as "audiences to which Vodafone speaks to", esta parceria é muito elucidativa. Terrivelmente elucidativa.

terça-feira, março 20, 2007

Marketing

O Cântaro Zangado pode vir a ter que mudar de mote. A efectivar-se o que parece ser uma decisão do governo, mudaremos o nosso slogan para
Allgarvear a Serra da Estrela? Não, obrigado!

Interessante: o governo parece achar que o Algarve precisa mais de publicidade do que de ordenamento; Mendes Bota parece incomodar-se mais com a má publicidade promovida pelo governo do que com a falta de ordenamento... Bem sei que o marketing é um dos elementos fundamentais de uma gestão moderna, que sem uma forte aposta no marketing não é fácil que um empreendimento vingue. Mas, senhores, um dia destes devíamos começar a pensar também na qualidade do produto, não? Ou seja,

Algarvear o Algarve? Já chega, obrigado.
E o resto são cantigas...

PS: Soube desta guerrinha de comadres pelo Ondas.

segunda-feira, março 19, 2007

A acompanhar atentamente

Francisco Paiva, docente do Departamento de Arquitectura da UBI, iniciou na edição de 15 de Março d'O Interior uma série de cinco artigos com o título global "A Beira Interior e a Serra: notas sobre planeamento e turismo". Pode ler o primeiro destes artigos aqui.
Destaco o seguinte excerto:
O voluntarismo moderno tornou este interesse pela paisagem e pela cristalização da cultura num atractivo negócio especulativo, disseminando infraestruturas e construções, quase sempre precárias ou desajustadas, por todo o planeta: no caso da Serra, recordemos apenas o centro comercial da Torre, as vernáculas barracas de zinco dos tempos do PREC, as ruínas do teleférico e as exóticas palafitas viking das Penhas da Saúde.
Nem mais!

sexta-feira, março 16, 2007

Bom fim de semana!

"As alterações climatéricas não serão assim tão graves"

O título deste post foi retirado de declarações de Artur Costa Pais (administrador da Turistrela) ao Público de 12 de Dezembro de 2006 (a que já me referi aqui).
Mmm, duvido disso. As imagens que ilustram este post mostram uma cerejeira e um sabugueiro em flor, no concelho de Gouveia. Tudo normal? Quase: as fotografias foram tiradas, respectivamente, em Outubro e em Novembro de 2006 (obrigado, Luís).
Quando era pequeno, via cegonhas em Monforte da Beira (na zona do Tejo Internacional), na Primavera e Verão. Agora vejo cegonhas, muitas, todo o ano, na Boidobra (Covilhã) e entre os dois acessos ao Fundão da autoestrada A23.
Em Viena de Austria, num certo parque, há um castanheiro secular cuja floração marca "oficialmente" o início da Primavera. É uma tradição antiga, este castanheiro já é o terceiro da "dinastia" de anunciadores da Primavera. No início do Outono de 2006, floriu.
"As alterações climatéricas não serão assim tão graves"... Não? Acho que ainda não vimos nada...

Se, por acaso, ficou impressionado pelo documentário "The Great Global Swindle", produzido pela Channel 4 e recentemente transmitido, leia este artigo no Ondas. Se acha que a tese da influência das manchas solares sobre o clima veio lançar novos dados sobre esta questão, saiba que ela não é nova e leia este comunicado da Max Plank Society; se ficou espantado pela anunciada incongruência da "lentidão" do aquecimento das camadas intermédias da troposfera, saiba que o anúncio dessa "lentidão" resulta de observações que os próprios autores já corrigiram; saiba que pelo menos um dos cientistas que participaram nesse programa se manifestou incomodado com o seu teor claramente tendencioso. Saiba mais ainda aqui.

Feita a obra, para quando a avaliação?

Fotografia da "lindíssima" estrada de S. Bento, roubada no Blog de João Tilly

Lemos dos Santos (coordenador da Acção Integrada de Base Territorial da Serra da Estrela) explicou detalhadamente no blog do programa PETUR Trânsito na Serra da Estrela como a estrada de S. Bento entre a Portela do Arão e a Lagoa Comprida (na altura estava ainda em construção) iria ajudar a resolver os problemas de trânsito na zona da Torre em certos fins de semana de grande afluência de visitantes.
Passada toda uma época de Inverno desde a abertura ao trânsito dessa mesma estrada, agradecia agora que este responsável fizesse um primeiro balanço sobre o real efeito que essa nova acessibilidade teve sobre o número e a gravidade dos congestionamentos de trânsito no cume da Serra da Estrela.
Relativamente a outros anunciados efeitos desta estrada, como o de desenvolver o turismo em Loriga ou o de evitar a desertificação da encosta sudoeste, ainda é cedo para avaliações. Mas é importante que as façamos, na altura devida, já que mais não seja para ver se se cala este chato (o Cântaro Zangado) de vez.

quinta-feira, março 15, 2007

Será que o "sistema", afinal, até funciona?

Em Fevereiro o blog Estrela no seu melhor publicou uma "denúncia para entidade competente", relacionada com um monte de lixo doméstico, abandonado nas proximidades do Parque de Campismo do Pião.
Pois bem, passei por lá hoje (dia 14 de Março) de manhã e constatei que esse lixo tinha sido removido. Muito obrigado a quem o fez (imagino que tenha sido a Águas da Covilhã).

quarta-feira, março 14, 2007

A SERRA DA ESTRELA EM PERIGO!

O Paulo Roxo do Rocha Podre em Pedra Dura, um turista como eu mas de fora (em todo o caso, suspeito que passa mais tempo na Serra do que eu, o felizardo...) escreveu um artigo (cujo título copiei, junto com a fotografia) que exprime bem a opinião dos turistas como nós acerca do que se anda a fazer e a projectar para a Serra da Estrela. Ele não deduz explicitamente esta conclusão, mas parece-me que concorda comigo quando digo que o que a Região de Turismo, a Turistrela e algumas autarquias estão a fazer na Serra empurra os turistas como nós para longe, para bem longe daqui.
Se Região de Turismo e Turistrela não servem os turistas, servem para quê?

Parabéns ao CISE, parabéns a Seia!

Li hoje no Máfia da Cova, no Público e no Diário XXI que as novas instalações do Centro de Interpretação da Serra da Estrela (CISE) vão ser inauguradas! Parabéns ao CISE, e votos de felicidades na "casa nova".
Nesta notícia, difundida pela LUSA, pode ler-se que o valor investido foi de cinco milhões de euros e ainda, a páginas tantas,
O presidente da Câmara Municipal de Seia, Eduardo Brito, disse à Agência Lusa que o CISE "é uma estrutura de interesse estratégico para a cidade e uma peça fundamental para a região". O projecto foi criado como uma estrutura da autarquia orientado para o desenvolvimento de actividades de educação ambiental e de valorização do património da Serra da Estrela, com "a missão de reunir e divulgar conhecimentos sobre os processos naturais, sociais e económicos que condicionam a vida nesta montanha", adiantou o autarca.
Ora bem, isso é que é falar!

Em Seia, Gouveia e Guarda há postos de informação do Parque Natural da Serra da Estrela; em Manteigas, temos a sede do Parque Natural; em Gouveia, há ainda um centro de recuperação de animais selvagens; na Guarda há o Jardim do Sudoeste Europeu; em Seia, têm este fantástico CISE. Na Covilhã não há um Centro de Interpretação da Serra da Estrela, nem sequer um mero posto de informações do Parque Natural, nem nada. Temos apenas a sede da Turistrela, a da Região de Turismo e o alucinado projecto da minicidade (ou lá o que diabo é) das Penhas da Saúde, com que (assim se diz, sem ninguém se desfazer em gargalhadas) se pretende concorrer com as estâncias de montanha dos Alpes e dos Pirinéus.
Na Covilhã, estamos mesmo muito à frente, não estamos?

Nem de propósito!

Saiu hoje uma noticia no Publico online sobre os incentivos aos produtores domésticos de energia solar!

"Segundo os valores anunciados ontem pelo secretário de Estado adjunto da Indústria e Inovação, Castro Guerra, as instalações até 5 quilowatt (kw) receberão 460 euros por megawatt (mw), enquanto as instalações entre cinco e 150 kw receberão 350 euros por cada mwh produzido."

Transcrevi este excerto para ver se consigo de novo "aliciar" alguem (nem que seja uma pessoa, já fico satisfeito) a instalar sistemas de produção doméstica de energia. É que o valor que pagam aos produtores domésticos pela energia por eles gerada é 4 vezes superior ao valor que este mesmo produtor paga pela utilização da energia obtida da EDP!

Talvez possa haver aqui algo de perverso, mas se realmente incentivar a instalação de sistemas de produção de energia de fontes renováveis será uma boa estratégia. Eventualmente, os subsidios poderão terminar se o numero de produtores aumentar muito, mas isso seria um excelente indicador, não?!

Este subsidio poderá então ser o catalizador para se ultrapassar a tal barreira inercial que falei anteriormente. Creio que a partir do momento que a intalação destes sistemas se expanda, ganhará a dinamica necessária para não precisar de incentivos nenhuns!

Resquiat In Pace

A figura acima mostra um cemitério de carvalhos-bebé perto da Nave de Santo António (onde há vários), como outro que mostrei em Outubro (clique aqui).
Descansam aqui em paz os carvalhos plantados há tempos e, com eles, as boas intenções dos plantadores.
Se formos ver bem, neste e noutros contextos, o que não falta na serra da Estrela é intenções (umas melhores, outras piores) descansando em paz.

Entrevista com o director do PNPG

Li no Pedestrianismo e Percursos Pedestres uma entrevista dada por Henrique Pereira, director do Parque Nacional da Peneda Gerês (PNPG) ao Correio da Manhã, sobre os projectos em curso no parque e sobre as alterações previstas pelo novo plano de ordenamento.
Uma medida em particular avançada pelo responsável do PNPG incomoda-me um pouco: a ideia de que grupos de pedestrianistas deverão sujeitar a aprovação pelos serviços do parque os passeios que pretendam fazer e pagar por eles uma taxa. Incomoda-me, mas reconheço que não há bela sem senão. Se queremos proteger a natureza há medidas incómodas que têm que ser tomadas.
Se aquela medida se justifica ou não no PNPG, não sei. Mas contrasto a coragem com que se enfrentam estes "incómodos" no Gerês com a incrível permissividade na Estrela: estradas, estradinhas e estradões a aparecerem por todo o lado (autorizadas ou não) e outras a serem planeadas (como a incrivelmente batizada "Estrada Verde" entre a Guarda e o maciço central); implementação de restrições ao trânsito automóvel a ser condicionada à construção de IP6, túneis sob a serra, telecabines ou "grandes parques de estacionamento"; o estatuto sacrossanto dos chamados "núcleos de lazer" (que se deveriam era chamar núcleos da vergonha, pelo menos os mais procurados, nomeadamente a Torre e as Penhas da Saúde); projectos de hotéis, urbanizações, telecabines, minicidades, casino, ampliação da estância de esqui e mais o diabo que o carregue; uma concessionária — Turistrela — do turismo e dos desportos que deixa entulho em todos os sítios onde opera, sem que veja o alavará ou, sequer, a concessão exclusiva postos em causa; uma Região de Turismo que defende o aproveitamento de todo e qualquer mamarracho em ruínas pré-existente na Serra, sem que ninguém a faça ver a terrível imagem que esses mamarrachos dão à Serra, mesmo que fossem (mais dez anos, menos dez anos) reconstruídos...
Tenho a certeza de que apenas uma pequena fracção da responsabilidade por este triste estado das coisas na Serra da Estrela deve ser apontada ao Parque Natural da Serra da Estrela (PNSE). Mas não acredito que essa fracção seja nula.
O PNSE impede o "desenvolvimento"? Até ver, quanto a mim, não o tem impedido o suficiente.

Sem querer estabelecer quaisquer comparações com o que se passa por cá (que seriam injustas já que mais não fosse porque a Peneda-Gerês é um Parque Nacional, ao passo que a Estrela tem o estatuto, inferior, de Parque Natural), quero também aplaudir a vitalidade e entusiasmo pela causa da protecção da natureza que se notam nas palavras do director do PNPG.

terça-feira, março 13, 2007

Da Discussão Nasce a Luz

Costuma-se dizer que da discussão nasce a luz. Eu considero-me um optimista, por isso acho esta expressão extremamente feliz! Ainda que por vezes me tenha que esforçar para "encontrar a luz" no meio de uma discussão. Digo isto porque este fim de semana tive uma acesa discussão com um comparsa que, como eu, se preocupa muito com o futuro do nosso ambiente natural e que se empenha muito na sua defesa. Apesar disto tivemos uma apreciação diferente sobre um determinado empreendimento localizado nas Penhas Douradas e expusemos os nossos pontos de vista de forma EXPRESSIVA, se é que me faço entender!
Resumidamente, o que se passou é que eu considerei este empreendimento uma boa surpresa devido ao evidente cuidado que os seus promotores tiveram com o seu enquadramento na paisagem, ou seja, o oposto do que se tem passado, por exemplo, nas Penhas da Saúde, na Torre ou mesmo no Sabugueiro (os principais nucleos de altitude)! Por seu lado, este meu comparsa ficou muito desagradado por este empreendimento não ter qualquer tipo de aparelho que permitisse obter energia de fontes renováveis (micro-aerogeradores ou paineis solares ou fotovoltaicos). Na altura, reagi talvez um pouco extemporaneamente e entrei ali na tal acesa discussão com o meu comparsa. Mas tudo terminou de boa forma e hoje consigo reavaliar com mais clareza a sua posição e retirar dela o que considero positivo!

Não é que tenha mudado de opinião sobre a minha satisfação de ver um empreendimento que mostra que os seus promotores entendem a importancia do ambiente envolvente no sucesso deste tipo de turismo, mas de facto este meu amigo tem uma certa razão.
De facto, todos os empreendimentos turisticos, principalmente dentro de áreas protegidas, deveriam ter instalados sistemas de aproveitamento de fontes de energia renováveis! Refiro principalmente os empreendimentos turisticos por considerar que, à partida, têm maior capacidade financeira para dispor desta tecnologia mas nós, particulares, devemos também apostar numa atitude pro-activa no que toca a diminuir a dependência de fontes de energia não renováveis! Até porque, a médio prazo o investimento compensa e cada vez mais (subida do preço do petróleo e subida das tarifas da EDP previstas com o fim da limitação de preços pelo estado)! Este é um exemplo em que o cidadão individual pode contribuir para o combate ao aquecimento global. Não poderemos continuar a culpar os governantes pelo pouco que se faz na redução da dependencia de energias não renováveis e poluentes e nada fazer a titulo individual! Aqui podemos fazer realmente a diferença

Mas as vantagens dos sistemas de aproveitamente de energias renováveis não se ficam por aqui. Estes sistemas de produção de energia(disponiveis gratuitamente) são particularmente uteis em habitações isoladas cujo custo de fazer chegar a electricidade supera em muito o custo da tecnologia de energias renováveis locais.

Por outro lado, para "alimentarmos" a nossa casa podemos utilizar paineis foto voltaicos e/ou micro-éolicas (aerogeradores) que tem, obviamente, um impacto muito menor no meio ambiente do que as grandes torres éolicas ou parques de paineis foto-voltaicos! As micro-turbinas são muito menos visiveis que as grandes torres éolicas e os paineis solares então ainda menos! Por fim, existe ainda mais uma vantagem, que é o facto de não serem necessárias infra-estruturas extras como estradas, postes de alta-tensão ou caixas de transformação para ligar à Rede Electrica Nacional (REN)!

Para garantir a autonomia da nossa casa ao longo do ano é importante recorrermos a mais do que uma energia renovável simultaneamente (éolica,fotovoltaica ou micro-hidrica). Se assim fizermos, serão raras as vezes que necessitaremos de recorrer à REN. Alternativamente, podemos até optar, de inicio, por utilizar a energia renovável só para a iluminação e desta forma avaliarmos a viabilidade do sistema com um investimento inicial muito inferior.

Posto isto, creio que não temos grandes razões para não aderir à produção local de energia de fontes enováveis. Talvez o problema seja a tal "inercia", essa força misteriosa do universo que e que não nos deixa agir mas que de facto ninguem sabe o que é ...mas lá que existe,existe! Pode ser tambem falta de confiança que as pessoas ainda tem nestas fontes de energia alternativas e aí existe alguma culpa por parte dos governantes que não promovem devidamente o recurso a elas.

Vou dar aqui o meu pequeno contributo para tentar resolver este ultimo problema. Se por acaso tiver ficado um pouco mais curioso ou se pretender de facto recorrer a sistemas alternativos de produção de energia local sugiro a consulta das seguintes páginas:

Energia Eólica
Instalação de Micro-Eólicas
Portal das Energias Renováveis(muita informação, completo!!)

Vamos lá então começar a instalar paineis solares e micro-eolicas por esses telhados fora!

Flores de Loriga

O blog Loriga mostra-nos em belas fotografias as belas flores da Serra. Bem haja!

Venham mais outros!!


No Diario XXI vinha a noticia que o município de Manteigas tinha sido galardoado com o 1º prémio do índice ECO XXI. Este índice avalia diversos indicadores em diversas áreas que os promotores deste programa consideraram reveladores do nível de sustentabilidade de um determinado município. Temos por exemplo:

-"educação ambiental", projecto Eco Escolas

-"desempenho das instituições", a nível da informação ambiental aos municipes, do emprego na área de ambiente, existencia de sistemas de Gestão de Qualidade e/ou Ambiente

-"Conservação da Natureza" que inclui um factor muito importante como o controlo de espécies invasoras

-"Qualidade do ar, água"

-"Gestão dos Resíduos", a nível da separação valorização

-"Energia", a nível de eficiencia e tipo de fontes

-"Transportes, Ruido, Agricultura e Turismo"

Ao todo são 23 indicadores que são avaliados por município, sendo que alguns tem mesmo que ser cumpridos.
O Município de Manteigas teve 66% de pontuação no índice ECO XXI. Apesar da meta miníma estabelecida para o ano de 2006 ter sido os 50%, Manteigas conseguiu superar significativamente este valor! No entanto, isto mostra que ainda há espaço para melhorar!

Agora era importante que outros municípios da Serra da Estrela trabalhassem no mesmo sentido em particular porque se encontram em território com um património Natural singular
Venham mais outros!

segunda-feira, março 12, 2007

I Percurso Anual do blogue "Pedestrianismo e Percursos Pedestres"


Uma vez que este tipo de actividades promove um tipo de lazer com o qual nos identificamos e incutem o apreço pela natureza, é com muito gosto que divulgo esta caminhada promovida pelo comparsa Fernando Vilarinho. Quanto mais gente houver a apreciar a Natureza no seu estado selvagem mais hipóteses esta terá de se manter assim!Felicidades

Mais informações em http://pedestrianismo.blogspot.com/

sexta-feira, março 09, 2007

Bom fim de semana!

Nasceu mais ou menos aquando da chegada dos celtas à Península Ibérica; testemunhou as trocas comerciais com fenícios, gregos e norte-africanos; viu as populações locais, misturadas com esses recem chegados, organizarem-se nas diversas nações ibéricas, incluindo a lusitânia, a que pertencia; já cá estava quando chegaram os Romanos, aguentou depois as vagas sucessivas de Alanos, Vândalos e Suevos e a temporária supremacia visigótica; viu a sua terra rebaptizada como Gharb Al-Ândaluz e, quatrocentos anos mais tarde (o tempo de uma sesta), testemunhou a reconquista; mais tarde ainda, a aventura dos descobrimentos marítimos, o domínio dos Filipes, as invasões napoleónicas, o estado novo, o Vinte e Cinco de Abril; assistiu a todas e cada uma das glórias e misérias das nossas comparativamente pequenas existências individuais e colectivas.

O que é isto de que estou a falar? De um líquene que vive, há cerca de oito mil anos, agarrado a um bloco errático na Serra da Estrela. Desses (líquenes e blocos) que por aí há aos pontapés. Assim o soube pelo Bloco de Notas do CISE b.n. CISE nº 17, Inverno 2006/2007. Onde está esse líquene? Não sei. Se soubesse, não o diria aqui.

Não há fotografias na edição de hoje do tradicional post de fim de semana. Mas seriam escusadas aqui: nem com mil imagens conseguiria transmitir a vertigem que senti quando soube da existência deste líquene.

Numa escala temporal diferente mas ainda assim impressionante, podia também referir teixos da época dos descobrimentos, que infelizmente arderam no incêndio do Verão de 2005. É pena.

Uma ideia feliz

Li no Interior de ontem que a Associação Transumância e Natureza organiza um concurso, com o título "Em Busca da Maior Árvore", para levar os mais novos a descobrir e catalogar os maiores exemplares de uma lista de 10 espécies de árvores autóctones do distrito da Guarda. As espécies consideradas são o pinheiro-bravo, o carvalho-negral, o carvalho cerquinho, a azinheira, o sobreiro, o freixo, o amieiro, o castanheiro, o choupo e o ulmeiro. Que ideia tão feliz!

A imagem que ilustra este post foi roubada no web site do jornal O Interior. Que imagem tão feliz!

quarta-feira, março 07, 2007

Atenção que a Torre é um espaço Agreste!

imagem retirade de http://www.ceg.ul.pt/proj_estrela/
Fez no passado dia 3 um mês que um turista se perdeu à saida do centro comercial na Torre num dia de intenso nevoeiro. Não abordei a questão na altura por conselho sábio do meu amigo ljma, a fim de não ferir susceptibilidades. Mas creio que este é o momento certo para deixar este texto.
Meus caros leitores, as altas terras Serranas são lugares extremanente agrestes! Nem que a Serra estivesse "forrada" a alcatrão deixaria de ser agreste.

Acima dos 1300 metros os nevoeiros são muito frequentes com visibilidades máximas de 10-15 metros; acima dos 1500 metros a presença de neve é também frequente. Se juntarmos estes dois factores temos um aumento exponencial da probabilidade de nos perdermos uma vez que a visibilidade máxima diminui para 5-10 metros. A reduzida visibilidade e a ausência de contrastes na paisagem provoca a perda total de pontos de referência e gera forte desorientação rápidamente! Isto é de tal forma grave que em menos de um minuto podemos não saber de que direcção viemos! Mesmo para pessoas experientes e com instrumentos de orientação modernos, estas condições são sempre de evitar!

Foi por isso que fiquei chocado quando no fim de semana de Carnaval presenciei, na Torre sob intenso nevoeiro,o que me pareceu ser um fenómeno de "incosciencia colectiva" provocado pele falsa sensação de segurança transimitida pela proximidade de estruturas urbanas e pela presença de muitas pessoas no local!
Como se sabe, isto não foi suficiente para evitar que um Turista se perdesse ao sair de um dos edificos na Torre e acabasse por morrer vitima de uma queda numa escarpa. A verdade, é que, dada a quantidade de gente que por ali anda em condições totalmente desanconselhadas, fico admirado que este infeliz destino não se tenha repetido por maior numero de vezes. Em conversa, com um funcionário da estância de esqui, este esclareceu-me que é muito frequente haver turistas que se perdem mas que na maioria das vezes são resgatados. Mas estes não aparecem nos jornais, na maioria das vezes!

Não quero insistir mais no que aconteceu. Queria deixar apenas o alerta de que mesmo a 10 metros da estrada ou do seu carro, é fácil uma pessoa desorientar-se e ficar até sem a noção se está a subir ou a descer!
Vou terminar com uma serie de sugestões que aqui deixo para que quem visita a serra o faça de um modo mais seguro:

1-Se estiver a pensar fazer um passeio pela Serra, mesmo que pequeno, consulte a previsão das condições meteorológicas. Considere cancelar o passeio em dias de nevoeiro. A Serra ainda lá estará na próxima semana!

2-Se for surpreendido pelo nevoeiro no seu passeio considere montar tenda e esperar por melhorias. Se isto não for possivel, consulte o seu mapa e a sua bussula e escolha o caminho mais adequado de preferencia a cotas mais baixas para fugir ao nevoeiro. Consulte frequentemente a bussula.

3-Se estiver de carro e apenas quiser fazer umas brincadeiras na neve não se afaste muito do mesmo em condições de fraca visibilidade. Olhe sempre para trás para identificar melhor o caminho de regresso.

4- Não desça de "trenó" vertentes que desconhece.Se de repente perder a orientação e deixar de ver o carro ou as outras pessoas não se desloque à toa. Pare e aguarde que haja uma "aberta" pois são frequentes.

5- Se ainda assim não se orientar, marque o local onde está(com um monte de pedras e/ou neve) e faça deslocações de 10-15 metros em linha recta a partir do local de origem. Regresse ao ponto inicial sempre que as incursões não aumentarem a sua orientação.

6- Em ultimo caso, utilize o tlm para pedir ajuda através do 112, caso tenha cobertura de rede!

Volto a dizer, não se esqueçam que a Serra ainda é um local Selvagem e Agreste!

terça-feira, março 06, 2007

12 de Maio, Serra da Estrela

A Plataforma pelo Desenvolvimento Sustentável na Serra da Estrela (PDSSE) promove, no dia 12 de Maio, a I Caminhada pela Conservação do Ambiente da Serra da Estrela. Trata-se de uma caminhada múltipla, com início em diferentes vertentes da Serra e concentração para convívio na Torre à hora de almoço. Estão previstas para já quatro caminhadas, mas quem quiser pode propor outras. E quem preferir chegar à Torre de bicicleta, de cavalo, de burro ou em parapente, pois faça o favor!
Porque é que a PDSSE propõe esta iniciativa? Porque numa altura em que há lixo e entulho a acumular-se na Torre, numa altura em que se prometem investimentos que, tudo assim leva a crer, vão espalhar ainda mais entulho por ainda mais zonas da serra, achamos que é importante
  • aumentar a percepção pública da gravidade dos problemas ambientais na Serra da Estrela e da necessidade das políticas ambientais nesta área protegida
  • demonstrar às instituições relevantes o nosso interesse em ver a protecção ambiental reforçada na Serra da Estrela
  • aproveitar para recolher todo o lixo que se conseguir
  • passar um dia agradável.
Voltaremos com mais detalhes, mais adiante.

Quem disse?

Nos últimos anos, o turismo na serra da Estrela tem crescido de forma expressiva, perfilando-se, num futuro próximo, como a mais importante actividade económica da região. Porém, a forte sazonalidade que caracteriza o turismo na serra, em resultado de uma excessiva dependência do produto neve, e a tendência para apostar num modelo de desenvolvimento turístico massificado, que não tem em conta a capacidade de carga limitada da montanha, constitui uma debilidade não só em termos económicos e sociais, mas também para a preservação dos valores ambientais da região. Deste modo, a promoção de novos projectos deve contribuir para um desenvolvimento socioeconómico equilibrado em toda a região, sem pôr em causa os valores culturais, naturais e paisagísticos específicos da montanha e que constituem os seus recursos mais valiosos.
In Nota de Abertura, b.n. CISE nº 17, Inverno 2006/2007

"[...] sem pôr em causa os valores culturais, naturais e paisagísticos específicos da montanha e que constituem os seus recursos mais valiosos".
Ou seja: Algarvear a serra da Estrela? Não obrigado!

domingo, março 04, 2007

NeveEstrela 2007 na terceira pessoa

O Fernando Vilarinho fez-me o favor de enviar algumas das suas fotografias tiradas na sua actividade no NeveEstrela. Juntamente com o grupo dos sapadores de Lisboa fizeram uma subida "relâmpago" ao Cantaro Gordo antes que se re-instalasse o mau tempo. Deixo-vos então com algumas bonitas imagens: O Fernando chegou apenas na segunda feira ao Covão da Ametade mas vinha cheio de energia! Começou logo por plantar uns quantos carvalhos e depois fez esta subida que aqui se viu ao Cantâro Gordo. É uma subida muito interessante pois apesar de não ter grande dificuldade técnica é algo exigente uma vez que tem se sobem mais de 400 metros num distancia horizontal de pouco mais de 500 metros e as vistas são de facto recompensantes.

sexta-feira, março 02, 2007

Bom fim de semana!

Citação adaptada

Quando conquistou o Egipto, Napoleão discursou às suas tropas e, segundo se diz, disse:
Soldats, du haut ces Pyramide quarante siècles vous contemplent!
Eu, chegado à barragem das Penhas da Saúde, voltei-me para trás, para as Penhas da Saúde, e pensei para comigo:
Meus filhos, aqui da Nave da Areia quarenta anos de cegueira vos contemplam!

A fotografia que ilustra este post mostra a parte "elegante" das Penhas da Saúde. Não aparece a favela boliviana de que que falava aqui. Felizmente, a Câmara Municipal da Covilhã promete corrigir esta tristeza. Não, não se vão deitar casas abaixo nem se vão impedir mais construções. Antes pelo contrário, vem aí o fantástico projecto da aldeia, mini-cidade ou lá o que diabo é que parece que vai estar a nascer aqui, um destes dias.
Estamos no bom caminho, estamos de parabéns! Como sempre.

Semântica

Quando oiço frases como "o desenvolvimento não pode ficar refém do ambiente" aquilo que entendo é "o desenvolvimento dos que se estão borrifando para o ambiente não pode ficar refém do daqueles que apreciam o ambiente". Não percebo porque é que é ao desenvolvimento dos primeiros que é dada prioridade, sempre que se coloca a questão.
Quando oiço o presidente da Câmara Municipal da Covilhã dizer "antes das florinhas estão as pessoas" (veja aqui), o que entendo é "antes das pessoas que gostam de florinhas estão as pessoas que não querem saber delas para nada". Mais uma vez, não percebo porque é que assim há-de ser. Alguém percebe?

quinta-feira, março 01, 2007

Deitado no chão, olhando para cima

Requalificaremos estas grandes árvores! Vamos investir nesta nuvem! Este azul tem estado abandonado há demasiados anos! Connosco tudo vai, finalmente, mudar!
Para melhor?

Carta de las Montañas — Ya!


Incluo aqui um vídeo produzido pelos Ecologistas en Acción para promover a aprovação da Carta de las Montañas. Este documento foi redigido em 2002 durante o Ano Internacional das Montanhas, por um comité específico criado pelo conselho de ministros do governo espanhol com o objectivo de traçar as linhas de rumo para um desenvolvimento sustentável das zonas de montanha. Ainda não foi aprovado pelo próprio governo que promoveu a sua redacção.
Destaco o seguinte excerto das declarações de Mariano Polanco, dos Ecologistas en Acción, porque me parece que caracteriza também a posição da (nossa) Plataforma pelo Desenvolvimento Sustentável na Serra da Estrela:
No estamos en contra del desarollo de las montañas y de la poblacion que suportan. Pero esto se puede hacer de dos maneras. O de una manera absolutamente especulativa, atendiendo a los interesses de los inversores y de los promotores, o hacerlo de una manera mas racional.

Este é mais um post que se poderia chamar "Como se faz lá fora", uma vez que mostra como os ambientalistas e montanhistas espanhóis se estão a organizar na luta contra a degradação artificializante e urbanizante do espaço de montanha. Tenho ouvido críticas de que é por causa dos ambientalistas nacionais (como o Cântaro Zangado) que nada se faz cá na Serra da Estrela, que é por isso que ela esta "tão atrasada", que devíamos pôr os olhos no que se faz "lá fora". Aposto que ainda ouvirei críticas de que, deslumbrados, andamos apenas a imitar o que se faz "lá fora"...

Algarvear a Serra da Estrela? Não, obrigado!