Não é com câmaras nem com gravadores que se registam essas maravilhas. Nem é em quinze minutos que se "ganham".
São de graça. Mas não têm preço.
Pode haver mais clubes com actividades abertas ao público em geral de que não me lembro agora. Pode haver mais empresas com actividades na Serra de que também não me estou a lembrar. A todos os esquecidos, apresento as minhas desculpas. Façam chegar a informação ao Cântaro Zangado, teremos o maior prazer em fazer a divulgação aqui.
Os Programas Integrados Turísticos de Natureza Estruturante de Base Regional (PITER) contêm a incoerente premissa de desejar alcançar, nestas matérias, em tempo limitado "alterações estruturais na oferta turística local ou regional, e impacte económico-social significativo na área territorial em que se inserem". Ora, a estratégia mais simples – menos estratégica – está a ser a musealização, nalguns casos a mumificação e a pura e simples promoção imobiliária, a pretexto do aumento da oferta de quartos, em áreas non aedificandi e a alienação de património público classificado. Por outro lado, carece de prova que o turismo de montanha, com ou sem neve, seja compatível com a previsível intensificação.Falando por mim, como turista de montanhas, "carece de prova", de facto...
Desde logo, ressalta o aparato algo excessivo dos veículos "todo o terreno", equipados como se participassem numa expedição ao Ártico.Com menos palavras, e não tão bem escolhidas, o meu amigo de escaladas diz mais ou menos o mesmo: "Somos mesmo um país de parvoetas"!
O Diário XXI traz hoje uma notícia sobre este assunto.
"Uma cultura não é melhor do que as suas florestas"Disse W. H. Auden, citado por Ronald Wright em "Uma breve história do progresso" (Dom Quixote, 2004), p. 85. O autor passa uma grande parte do livro a mostrar, com exemplos da história das civilizações, que só muito raramente uma cultura sobrevive muito tempo à destruição das suas florestas.
Já quase não vale a pena dizer que não precisava de ser assim, que era possível "ordenar" de forma mais racional com respeito aos valores diferenciados o nosso território, que é tão pequeno e tão fácil de estragar. Que, como se vê com as eólicas, desde que muita gente, grandes empresas e autarcas em particular, percebeu que havia muito dinheiro a ganhar, acabaram as resistências [...] e começou a competição por trazê-las a tudo o que é monte e vento, sem ordem, sem plano, sem qualquer consideração pelo espaço natural. O problema não está nas energias renováveis, que são de apoiar sem hesitação, está, como em tudo, na combinação de ganância com desenvolvimentismo, na pressa para ganhar dinheiro no primeiro sítio onde ele pareça poder ganhar-se, levando aos parques eólicos e às barragens o mesmo caos intenso que já conhecemos de todo o lado.Desta nova modalidade do caos intenso que já conhecemos tão bem, a Estrela promete vir a ser um triste exemplo. Como se não fossem já suficientes as caóticas tristezas que temos na Serra...
Pode ler o artigo todo no blog de Pacheco Pereira, o Abrupto.
Os aldeamentos tentam juntar na menor área o maior número de pessoas, preferencialmente no rés-do-chão. São aglomerados desinteressantes e estereotipados que se estendem e reproduzem, qual maré-negra, têm uma manutenção exigente, morosa e ambientalmente insustentável. Embora reveladores, são especialmente preocupantes os louvores de responsáveis públicos a este modelo, há muito ultrapassado, especialmente quando surgem por toda a Europa, em contraponto a esta tipical e frenética ocupação dos espaços naturais e rústicos, as aldeias e vilas "lentas". O turismo de montanha não é incompatível com a vida e o alojamento em meio rural e urbano. Pelo contrário, deve ser estimulada a interacção entre o turista e o autóctone como meio de enriquecimento mútuo, não somente mercantil.Mmmm, isto lembra-me qualquer coisa... Mas não se trata de um aldeamento. É antes uma super - hiper - mega - rifixe e fantástica mini-cidade!
Nota: Na minha referência ao primeiro artigo desta série, a link para o artigo n'O Interior estava mal "apontada", fazendo a ligação a um artigo que nada tinha que ver com este assunto. Já corrigi a pontaria.
Já que estou em maré de perguntas, eis a que mais me incomoda: quando chegará a vez desta magnífica árvore ser também vítima de um "trabalho bem feito", como chama às rolagens o sr. presidente da Junta de Freguesia de S. Martinho (responsável por misérias semelhantes noutra zona da Covilhã)?
[...] Turistrela, the exclusive concessionaire of tourism operations above 800 metres, [...]retirado de um comunicado de imprensa da Vodafone, datado de 30 de Novembro de 2005, apresentando o patrocínio que a empresa fez à estância de esqui da Turistrela?
Mudando de assunto, outro excerto significativo deste comunicado de imprensa é o seguinte:
This sponsorship fits perfectly with Vodafone' positioning and sponsorship strategy, blending naturally with its brand values and with the audiences to which Vodafone speaks to.Sobre os "Vodafone brand values" e as "audiences to which Vodafone speaks to", esta parceria é muito elucidativa. Terrivelmente elucidativa.
Allgarvear a Serra da Estrela? Não, obrigado!
Interessante: o governo parece achar que o Algarve precisa mais de publicidade do que de ordenamento; Mendes Bota parece incomodar-se mais com a má publicidade promovida pelo governo do que com a falta de ordenamento... Bem sei que o marketing é um dos elementos fundamentais de uma gestão moderna, que sem uma forte aposta no marketing não é fácil que um empreendimento vingue. Mas, senhores, um dia destes devíamos começar a pensar também na qualidade do produto, não? Ou seja,
Algarvear o Algarve? Já chega, obrigado.E o resto são cantigas...
PS: Soube desta guerrinha de comadres pelo Ondas.
O voluntarismo moderno tornou este interesse pela paisagem e pela cristalização da cultura num atractivo negócio especulativo, disseminando infraestruturas e construções, quase sempre precárias ou desajustadas, por todo o planeta: no caso da Serra, recordemos apenas o centro comercial da Torre, as vernáculas barracas de zinco dos tempos do PREC, as ruínas do teleférico e as exóticas palafitas viking das Penhas da Saúde.Nem mais!

O título deste post foi retirado de declarações de Artur Costa Pais (administrador da Turistrela) ao Público de 12 de Dezembro de 2006 (a que já me referi aqui).Se, por acaso, ficou impressionado pelo documentário "The Great Global Swindle", produzido pela Channel 4 e recentemente transmitido, leia este artigo no Ondas. Se acha que a tese da influência das manchas solares sobre o clima veio lançar novos dados sobre esta questão, saiba que ela não é nova e leia este comunicado da Max Plank Society; se ficou espantado pela anunciada incongruência da "lentidão" do aquecimento das camadas intermédias da troposfera, saiba que o anúncio dessa "lentidão" resulta de observações que os próprios autores já corrigiram; saiba que pelo menos um dos cientistas que participaram nesse programa se manifestou incomodado com o seu teor claramente tendencioso. Saiba mais ainda aqui.
Fotografia da "lindíssima" estrada de S. Bento, roubada no Blog de João Tilly
Lemos dos Santos (coordenador da Acção Integrada de Base Territorial da Serra da Estrela) explicou detalhadamente no blog do programa PETUR Trânsito na Serra da Estrela como a estrada de S. Bento entre a Portela do Arão e a Lagoa Comprida (na altura estava ainda em construção) iria ajudar a resolver os problemas de trânsito na zona da Torre em certos fins de semana de grande afluência de visitantes.
O Paulo Roxo do Rocha Podre em Pedra Dura, um turista como eu mas de fora (em todo o caso, suspeito que passa mais tempo na Serra do que eu, o felizardo...) escreveu um artigo (cujo título copiei, junto com a fotografia) que exprime bem a opinião dos turistas como nós acerca do que se anda a fazer e a projectar para a Serra da Estrela. Ele não deduz explicitamente esta conclusão, mas parece-me que concorda comigo quando digo que o que a Região de Turismo, a Turistrela e algumas autarquias estão a fazer na Serra empurra os turistas como nós para longe, para bem longe daqui.O presidente da Câmara Municipal de Seia, Eduardo Brito, disse à Agência Lusa que o CISE "é uma estrutura de interesse estratégico para a cidade e uma peça fundamental para a região". O projecto foi criado como uma estrutura da autarquia orientado para o desenvolvimento de actividades de educação ambiental e de valorização do património da Serra da Estrela, com "a missão de reunir e divulgar conhecimentos sobre os processos naturais, sociais e económicos que condicionam a vida nesta montanha", adiantou o autarca.Ora bem, isso é que é falar!
Em Seia, Gouveia e Guarda há postos de informação do Parque Natural da Serra da Estrela; em Manteigas, temos a sede do Parque Natural; em Gouveia, há ainda um centro de recuperação de animais selvagens; na Guarda há o Jardim do Sudoeste Europeu; em Seia, têm este fantástico CISE.
Na Covilhã não há um Centro de Interpretação da Serra da Estrela, nem sequer um mero posto de informações do Parque Natural, nem nada. Temos apenas a sede da Turistrela, a da Região de Turismo e o alucinado projecto da minicidade (ou lá o que diabo é) das Penhas da Saúde, com que (assim se diz, sem ninguém se desfazer em gargalhadas) se pretende concorrer com as estâncias de montanha dos Alpes e dos Pirinéus.
Na Covilhã, estamos mesmo muito à frente, não estamos?
Sem querer estabelecer quaisquer comparações com o que se passa por cá (que seriam injustas já que mais não fosse porque a Peneda-Gerês é um Parque Nacional, ao passo que a Estrela tem o estatuto, inferior, de Parque Natural), quero também aplaudir a vitalidade e entusiasmo pela causa da protecção da natureza que se notam nas palavras do director do PNPG.
Costuma-se dizer que da discussão nasce a luz. Eu considero-me um optimista, por isso acho esta expressão extremamente feliz! Ainda que por vezes me tenha que esforçar para "encontrar a luz" no meio de uma discussão. Digo isto porque este fim de semana tive uma acesa discussão com um comparsa que, como eu, se preocupa muito com o futuro do nosso ambiente natural e que se empenha muito na sua defesa. Apesar disto tivemos uma apreciação diferente sobre um determinado empreendimento localizado nas Penhas Douradas e expusemos os nossos pontos de vista de forma EXPRESSIVA, se é que me faço entender!

Nasceu mais ou menos aquando da chegada dos celtas à Península Ibérica; testemunhou as trocas comerciais com fenícios, gregos e norte-africanos; viu as populações locais, misturadas com esses recem chegados, organizarem-se nas diversas nações ibéricas, incluindo a lusitânia, a que pertencia; já cá estava quando chegaram os Romanos, aguentou depois as vagas sucessivas de Alanos, Vândalos e Suevos e a temporária supremacia visigótica; viu a sua terra rebaptizada como Gharb Al-Ândaluz e, quatrocentos anos mais tarde (o tempo de uma sesta), testemunhou a reconquista; mais tarde ainda, a aventura dos descobrimentos marítimos, o domínio dos Filipes, as invasões napoleónicas, o estado novo, o Vinte e Cinco de Abril; assistiu a todas e cada uma das glórias e misérias das nossas comparativamente pequenas existências individuais e colectivas.
O que é isto de que estou a falar? De um líquene que vive, há cerca de oito mil anos, agarrado a um bloco errático na Serra da Estrela. Desses (líquenes e blocos) que por aí há aos pontapés. Assim o soube pelo Bloco de Notas do CISE b.n. CISE nº 17, Inverno 2006/2007. Onde está esse líquene? Não sei. Se soubesse, não o diria aqui.
Não há fotografias na edição de hoje do tradicional post de fim de semana. Mas seriam escusadas aqui: nem com mil imagens conseguiria transmitir a vertigem que senti quando soube da existência deste líquene.
Numa escala temporal diferente mas ainda assim impressionante, podia também referir teixos da época dos descobrimentos, que infelizmente arderam no incêndio do Verão de 2005. É pena.
Li no Interior de ontem que a Associação Transumância e Natureza organiza um concurso, com o título "Em Busca da Maior Árvore", para levar os mais novos a descobrir e catalogar os maiores exemplares de uma lista de 10 espécies de árvores autóctones do distrito da Guarda. As espécies consideradas são o pinheiro-bravo, o carvalho-negral, o carvalho cerquinho, a azinheira, o sobreiro, o freixo, o amieiro, o castanheiro, o choupo e o ulmeiro. Que ideia tão feliz!
A imagem que ilustra este post foi roubada no web site do jornal O Interior. Que imagem tão feliz!
imagem retirade de http://www.ceg.ul.pt/proj_estrela/
Nos últimos anos, o turismo na serra da Estrela tem crescido de forma expressiva, perfilando-se, num futuro próximo, como a mais importante actividade económica da região. Porém, a forte sazonalidade que caracteriza o turismo na serra, em resultado de uma excessiva dependência do produto neve, e a tendência para apostar num modelo de desenvolvimento turístico massificado, que não tem em conta a capacidade de carga limitada da montanha, constitui uma debilidade não só em termos económicos e sociais, mas também para a preservação dos valores ambientais da região. Deste modo, a promoção de novos projectos deve contribuir para um desenvolvimento socioeconómico equilibrado em toda a região, sem pôr em causa os valores culturais, naturais e paisagísticos específicos da montanha e que constituem os seus recursos mais valiosos.In Nota de Abertura, b.n. CISE nº 17, Inverno 2006/2007
"[...] sem pôr em causa os valores culturais, naturais e paisagísticos específicos da montanha e que constituem os seus recursos mais valiosos".
Ou seja: Algarvear a serra da Estrela? Não obrigado!
O Fernando chegou apenas na segunda feira ao Covão da Ametade mas vinha cheio de energia! Começou logo por plantar uns quantos carvalhos e depois fez esta subida que aqui se viu ao Cantâro Gordo. É uma subida muito interessante pois apesar de não ter grande dificuldade técnica é algo exigente uma vez que tem se sobem mais de 400 metros num distancia horizontal de pouco mais de 500 metros e as vistas são de facto recompensantes.
Soldats, du haut ces Pyramide quarante siècles vous contemplent!Eu, chegado à barragem das Penhas da Saúde, voltei-me para trás, para as Penhas da Saúde, e pensei para comigo:
Meus filhos, aqui da Nave da Areia quarenta anos de cegueira vos contemplam!
A fotografia que ilustra este post mostra a parte "elegante" das Penhas da Saúde. Não aparece a favela boliviana de que que falava aqui. Felizmente, a Câmara Municipal da Covilhã promete corrigir esta tristeza. Não, não se vão deitar casas abaixo nem se vão impedir mais construções. Antes pelo contrário, vem aí o fantástico projecto da aldeia, mini-cidade ou lá o que diabo é que parece que vai estar a nascer aqui, um destes dias.
Estamos no bom caminho, estamos de parabéns! Como sempre.
No estamos en contra del desarollo de las montañas y de la poblacion que suportan. Pero esto se puede hacer de dos maneras. O de una manera absolutamente especulativa, atendiendo a los interesses de los inversores y de los promotores, o hacerlo de una manera mas racional.
Este é mais um post que se poderia chamar "Como se faz lá fora", uma vez que mostra como os ambientalistas e montanhistas espanhóis se estão a organizar na luta contra a degradação artificializante e urbanizante do espaço de montanha. Tenho ouvido críticas de que é por causa dos ambientalistas nacionais (como o Cântaro Zangado) que nada se faz cá na Serra da Estrela, que é por isso que ela esta "tão atrasada", que devíamos pôr os olhos no que se faz "lá fora". Aposto que ainda ouvirei críticas de que, deslumbrados, andamos apenas a imitar o que se faz "lá fora"...